Lótus Áurea – “Principia” (2018)
Independente
#ProgressiveRock
Para fãs de: Dream Theater, Pink Floyd, Rush
Nota: 5,0
Metáfora criada por Platão, que consiste na tentativa de explicar a condição de ignorância em que vivem os seres humanos e o que seria necessário para atingir o verdadeiro “mundo real”, O Mito da Caverna é um dos textos filosóficos mais debatidos e conhecidos pela humanidade, servindo de base para explicar o conceito do senso comum em oposição ao que seria a definição do senso crítico. É nesse dualismo que “Principia”, álbum de estreia dos paraenses da Lótus Áurea, se baseia.
O problema é que, a exemplo de filmes da DC ou spin-offs de Star Wars, a proposta no papel é muito mais empolgante do que o produto em si. No decorrer de quase 40 minutos, acompanhamos o protagonista da história, testemunhando seus questionamentos e suas reflexões em letras que equivalem a um mergulho em águas rasas e músicas que parecem mais preocupadas em empregar toda uma sorte de pedais de efeito e modulações do que em proporcionar os climas e as camadas responsáveis por conferir a aura multisensorial típica dos melhores álbuns conceituais. A competência instrumental aqui, infelizmente, não torna a audição mais empolgante.
A voz de Marcela Corrêa com seu quê de bálsamo permite uma associação óbvia com Os Mutantes. Já o baixista Daniel Avelar — também responsável pela gravação, mixagem e masterização —, quando resolve abrir a boca, nos faz lembrar o porquê do majoritariamente instrumental “The Steve Howe Album” (1979) ser tão superior ao cantado “Beginnings” (1975). Não dá para ser bom em tudo — a menos que você seja o David Gilmour —, não é mesmo? O resto da turma não decepciona, sobretudo o tecladista Matheus Gabriel, que apesar do nome de jogador de time de futebol da segundona, revela-se um verdadeiro craque no instrumento, vestindo a camisa 10 aqui.
“O que você está esperando para deixar a música te guiar numa jornada de auto conhecimento?” Respondendo à pergunta que encerra o press release recebido juntamente com as mp3: um repertório mais forte, consistente, ENVOLVENTE, por assim dizer. Capacidade para isso essa galera tem. Que a dita lótus dourada seja digna de uma medalha de ouro no próximo trabalho.
Marcelo Vieira
