Lucifer – Hangar 110, São Paulo/SP (29/04/2026)
Produção: Xaninho Discos
Texto e fotos por: Matheus “Mu” Silva
Quase dois anos após sua última passagem por aqui, e em sua terceira passagem em nosso país, a banda Lucifer retornou ao Brasil. Aproveitando o show no festival Bangers Open Air, a banda realizou sua maior turnê em solo brasileiro, com nove datas, sendo a de quarta-feira (29) a última, realizada em São Paulo, com show solo no tradicional Hangar 110. Com produção da Xaninho Discos, o evento ainda contou com abertura da banda Space Grease.
Iniciando seu set às 20h, o Space Grease trouxe seu som pesado e psicodélico para o Hangar 110. Em uma apresentação curta, de 35 minutos, a banda concentrou seu tempo em tocar o máximo de músicas possíveis, falando pouco com o público, mas aproveitando para mergulhar o local em sua musicalidade peculiar. Assim como em 2024, a banda foi a última atração antes do Lucifer; porém, o show de hoje foi mais variado, trazendo músicas como “Bluebird” e “Empty Man”, além da nova “Loose Control”. Foi um show hipnótico e envolvente, com a banda agitando a todo momento no palco e servindo como um belo aperitivo para o que viria a seguir.
Após rápida troca de palco, às 21h, o Lucifer entrou em cena já destilando a pesadíssima “Anubis”, primeiro single que a banda lançou lá em 2015, sendo uma grata surpresa no setlist para os fãs de longa data. Certamente, a escolha da música faz referência ao atual momento da banda. Batizada de “The Third Coming”, a fase atual do grupo passou por uma reformulação completa em seu line-up, mantendo apenas a bela e talentosa vocalista Johanna Platow e agregando Rosalie Cunningham e Coralie Baier (guitarras), Claudia Diaz (baixo) e Kevin Kuhn (bateria). A banda ganhou um novo gás, com seus novos membros esbanjando energia e sendo bem recebidos pelo público brasileiro, em um Hangar lotado para ver a banda.
Seguindo com a já clássica “Crucifix (I Burn for You)” (“Lucifer IV”, 2018), Johanna aproveitou o momento para mencionar a dificuldade que algumas pessoas tiveram de adentrar o Bangers, por conta do horário de abertura ser muito próximo do início do show da banda, dedicando a apresentação a quem foi e queria uma experiência completa. Em seguida, vieram “Riding Reaper” (“Lucifer V”, 2024) e a divertida “Wild Hearses” (“Lucifer IV”, 2018), cantada por vários presentes.
Com poucas mudanças significativas em relação à sua última apresentação no Brasil, em 2024 (eu estava lá), outra ótima música incluída no set foi a faixa que leva o nome da banda, “Lucifer” (“Lucifer III”, 2020), sendo tocada pela primeira vez em nosso país. Johanna esbanjou carisma, sempre conversando com o público, fazendo brincadeiras e trocadilhos com suas músicas — algo que faz parte do show da banda e, sinceramente, é sensacional, demonstrando o quanto ela aprecia o público brasileiro.
Na sequência, seguiram com uma trinca do mais recente “Lucifer V”, com “At The Mortuary”, “Slow Dance in a Crypt” e “The Dead They Don’t Speak”, mostrando como esse álbum foi impactante em sua carreira e na recepção do público desde o lançamento, tendo cada palavra cantada em coro por vários presentes. A banda encerrou a primeira parte do set com “California Son”, do “Lucifer II” (2018).
Voltando para o bis, o baterista Kevin tocou alguns clássicos que têm introduções conhecidas em seu instrumento, como “Run to the Hills”, “We Will Rock You” e “We’re Not Gonna Take It”. Em seguida, puxando na bateria “Bring Me His Head” (“Lucifer IV”, 2021), toda a banda voltou ao palco, transformando o Hangar em uma verdadeira festa.
Na sequência, veio um cover totalmente inesperado de “Goin’ Blind”, do Kiss, uma de minhas músicas favoritas da banda (e nem tanto de outros, pois era visível que vários não sabiam de qual música se tratava, hehe), em uma leitura pesada e emocionante. Por fim, dedicando aos “Fallen Angels do Brasil”, fecharam com “Fallen Angel” (“Lucifer V”, 2024), encerrando seu set de 75 minutos e incendiando o final de sua apresentação.
O Lucifer merece toda a atenção que recebeu ao longo dos anos. Sua música é pesada, forte, envolvente e tem um público cativo que sempre se faz presente, canta tudo e faz valer cada centavo investido. Certamente, a banda retornará ao Brasil. Recomendo a quem nunca viu a banda: veja, vale muito a pena.
E o Space Grease vem conquistando seu espaço, mais uma vez representando e mostrando a força feminina que o metal vem ganhando nos últimos anos — algo que, por si só, já torna tudo ainda mais simbólico.
Agradecimentos à Luciano Piantonni pelo credenciamento, profissionalismo, parceria e amizade de sempre.

