Mago De Oz – “Ira Dei” (2019)
Locomotive Music
#FolkMetal, #PowerMetal
Para fãs de: Tierra Santa, Elvenking
Nota: 9,0
Nos tempos dos formatos free style onde bandas lançam apenas EPs, singles infinitos, “álbuns” de meia hora ou discos cheios de regravações, os veteranos espanhóis do Mägo de Oz resolveram apostar e entregaram logo um disco duplo de inéditas recheado de passagens que fazem valer as 18 músicas, incluindo o épico de quase 20 minutos que leva o nome do álbum: “Ira Dei”.
Se é Mägo de Oz, é claro que a veia Folk está presente, como na divertida “Y Que Nunca Te Falte Um ‘Te Quiero’”, com melodias alegres e dançantes, um bom trabalho de violino e até sanfona. Outra na linha taverna, cerveja e dança é “Tequila Tanto Por Vivir”, que tem aquela atmosfera pirata, com letra sobre bebida que dá vontade de dançar num bar de uma cidade costeira. Porém, os Mägos sabem também fazer aquele Power mais tradicional e é o que se ouve em “In Eternum”, um tiro rápido e certeiro que ganha aquele charme especial com o idioma espanhol.
O disco está muito bem produzido e arranjado, dando atenção aos detalhes como arpejos de sintetizador durante o verso (proporcionados pelo ótimo tecladista Javi Diez) e a boa mistura entre as vozes de Patricia Tapia e Zeta, colocando no bolo vocais limpos, puxados para o lírico, guturais, e misturando timbres para criar várias ambientações.
Voltando ao playlist, “Tu Funeral” continua a estética de sintetizadores e traz um excelente refrão que lembra um pouco aquelas músicas de anime japonês. Já “Te Traeré El Horizonte” traz um lado folk eletrônico com violino se misturando a uma batida pulsante. Nessa música, a banda conta com a participação do violinista Ara Malikian.
Longe de soar como “pouca manteiga espalhada num pedaço muito grande de pão”, “Ira Dei” consegue fisgar a atenção por convergir elementos do Folk e do Power com enorme criatividade. É claro que a barreira do idioma existe e muita gente vai torcer o nariz pelo fato da banda cantar na língua de Picasso, mas, no geral, temos um trabalho extenso e muito bem produzido que vale ser ouvido. No final, é uma aula de boas melodias, arranjo e sabedoria para dosar vários instrumentos e tipos de vozes.
Gustavo Maiato
