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Marduk – Manifesto Bar, São Paulo/SP (02/11/2025)

Marduk – Manifesto Bar, São Paulo/SP (02/11/2025)

Produção: Manifesto
Texto e fotos por Matheus “Mu” Silva

Dois anos após sua última visita e em sua décima passagem pelo país, a clássica banda sueca de Black Metal Marduk retornou ao Brasil. Com produção do Manifesto, a banda realizou um show único em São Paulo no último domingo (02), aproveitando para comemorar os 25 anos de seu magnum opus “Panzer Division Marduk” (2000), executando-o na íntegra na atual turnê. O evento ainda contou com abertura da banda gaúcha Torches of Nero.

Às 19h35, a atração de abertura Torches of Nero iniciou sua apresentação. Sendo uma escolha um tanto peculiar para abrir o evento, a banda pratica um Black Metal old school, mas o que mais chama a atenção é sua forma de se apresentar. Com estandartes e altares no palco e os membros usando máscaras, o Torches of Nero agrega um elemento teatral ao visual, embora isso se limite apenas à estética, pois o som é cru e direto ao ponto. Durante os 50 minutos de set, cada música contou com uma breve introdução falada pelo vocalista, com destaque para faixas como “MOKK” e “Hosana Iscariot”, que obtiveram boa resposta do público já numeroso na casa.

Às 21h35, finalmente o Marduk iniciou seu set, e precisou de apenas 20 segundos para incendiar o Manifesto. Mortuus proferiu o título da música “Panzer Division Marduk” de forma totalmente endemoniada, levando o público à loucura logo nos primeiros instantes do show. Como a apresentação foi comemorativa, a banda seguiu a ordem do álbum, começando com os sons de guerra que introduzem “Baptism By Fire” e, em seguida, “Christraping Black Metal”, que teve o refrão cantado em uníssono de forma ensurdecedora. Foi uma trinca inicial de clássicos que elevou a energia ao máximo. Mesmo após tantas visitas ao Brasil, algumas faixas do “Panzer…” nunca haviam sido tocadas ao vivo por aqui, como “Scorched Earth”, “Blooddawn” e a máquina blasfema “Fistfucking God’s Planet”, que encerra o álbum e também a primeira parte do set. Em cerca de meia hora, o Marduk cumpriu sua missão de destilar ódio e devastação, passando como um tanque por cima do público com seu arsenal destruidor.

Na segunda parte do show, a banda resgatou diversos clássicos da carreira, começando com “Those of The Unlight”, faixa-título do segundo álbum de 1993, seguida da avassaladora “With Satan And Victorious Weapons” (“World Funeral”, 2003), em uma performance vocal arrebatadora de Mortuus, um dos vocalistas mais intensos do estilo. Entre outros pilares dos anos 90, vieram a brutal “Slay The Nazarene” (“Nightwing”, 1998) e a clássica “The Black…” (“Dark Endless”, 1992). A banda ainda incluiu dois momentos da fase mais recente, com “Shovel Beats Sceptre” (“Memento Mori”, 2023) e “The Blond Beast” (“Frontschwein”, 2015), ambas com uma pegada mais arrastada, mas que ao vivo ganharam peso e intensidade. Esta última encerrou a noite de forma um tanto abrupta, já que o grupo simplesmente deixou o palco. Era esperado um bis com “Wolves” (“Those of The Unlight”, 1993), como vinha acontecendo na turnê, mas após alguns minutos de espera a equipe começou a desmontar o palco, frustrando parte do público. Ainda assim, o que foi apresentado até aquele momento foi simplesmente fenomenal e devastador.

Com tantas passagens pelo Brasil, o set executado pelo Marduk nesta noite pode ser considerado histórico. Ver um de seus álbuns mais influentes tocado na íntegra, aliado à seleção de pérolas da discografia, tornou o show memorável. Quem já presenciou o Marduk ao vivo sabe o que a banda representa no palco: intensidade infernal e impiedosa, transmitindo sua música com a mesma raiva com que foi concebida. O show dessa noite não foi diferente — impressionou os que ainda não conheciam a banda ao vivo e saciou os fãs mais fiéis com uma apresentação furiosa e impecável.

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