Marianas Rest – “Ruins” (2019)
Inverse Records
#MelodicDoomDeathMetal, #DeathDoomMetal
Para fãs de: Insomnium, Ocean of Grief, Nailed to Obscurity
Nota: 10
Oriundo da Finlândia e passando longe das epidêmicas virtuoses sinfônicas típicas do Metal feito por lá, o Marianas Rest chega agora a seu segundo álbum, “Ruins”. Confesso que estava na expectativa por um bom disco, visto que “Horror Vacui” lançado em 2016 deixou excelentes impressões, sendo um dos melhores trabalhos de estréia que já tive o prazer de ouvir.
A evidente influência de nomes como Insomnium e Black Sun Aeon junto a habilidade da banda em criar melodias fortes e marcantes, fazem de “Ruins” um deleite aos tímpanos – inspirado, sóbrio e impactante, sem exageros lamuriosos e sem as malditas onanizações técnicas, e sim um consenso entre peso, melodia e sentimento.
Os riffs criados pela dupla Nico Mänttäri e Harri Sunila são dignos dos melhores momentos de bandas como Swallow The Sun e Daylight Dies, os teclados atuam como um complemento, sem a necessidade de roubar para si as atenções, baixo e bateria precisos, cientes de seu papel e os vocais pra lá de competentes de Jaakko Mäntymaa, completam a engenharia do álbum, que sem exageros, já nasceu com ares de clássico e forte candidato a melhores discos do ano (a menos que vá para votações populares, onde membros de outras bandas chamam até suas avós e poodles para votarem).
Contendo trechos do poema Darkness (Lord Byron) recitados por Niilo Sevänen (Insomnium) e delicadas linhas de celo, “Kairos” abre o disco de forma apoteótica, a princípio como um Atmospheric Black furioso, caindo logo em seguida para um Melodic Doom Death que oscila entre momentos amenos e outros devastadores, faixa indispensável e que também serve de “vitrine” para o restante do disco. A sequência com “The Spiral”, “Hole In Nothing” e “The Defiant” mantém o nível do álbum, que em momento algum se torna soporifero, chega a ser surpreendente como a banda soube condensar as características típicas do Death Metal melódico junto ao Doom Metal sem que hajam sobreposições. “Unsinkable” surge como um híbrido de Be’lakor e o supracitado, Insomnium, tendo mais ênfase na velocidade e nos arranjos intrincados. “Shadows” e “Restitution” seguem a mesma linha e abrem as alas para a melhor música do disco, “Omega”, oito minutos de puro orgasmo, uma jornada melódica e atmosférica ornamentada com um solo impecável de guitarra, realmente de arrancar lágrimas.
“Ruins” foi uma aposta certeira da Inverse Records e tem tudo para cair nas graças dos fãs das bandas já citadas, assim como também angariar muitos outros para o Marianas Rest, essencial!
Fábio Miloch
