Mawiza – “Ül” (2025)
Season of Mist
#GrooveMetal #DeathMetal #IndigenousGrooveMetal
Para fãs de: Gojira, Soulfly, The HU
Texto por Lucas David
Nota: 9,0
De Blackbraid a Alien Weaponry, o metal está se tornando cada vez mais um espaço para povos indígenas descontentes se revoltarem contra o colonialismo, ao mesmo tempo em que defendem a música e os valores de suas culturas. Mawiza, vindos de Santiago, no Chile, é mais uma voz nessa luta dos povos da nação Mapuche – um grupo sul-americano que passou séculos lutando contra a opressão dos colonizadores europeus.
A banda de Groove Metal foi formada em 2021 e lançou neste ano seu primeiro disco sob o nome de Mawiza, “Ül”, cantado inteiramente em mapudungun, língua dos Mapuche. O álbum é tão forte e único quanto o nome e toda a história desse povo sugere. Abrindo o trabalho, “Wingkawnoam” combina riffs pesados com um baixo pulsante e uma bateria punitiva, enquanto incorpora o kultrung, um tambor tradicional, dando mais personalidade a tudo, com os vocais de Awka exaltando a santidade do território indígena. “Pinhza Ñi Pewma” abre com um riff dissonante e logo assume o groove da anterior, mais uma vez com a bateria se destacando e ditando o ritmo.
“Ngulutu” e “Wenu Weychan” têm uma pegada sombria e cerimonial, como se fossem a trilha sonora de um ritual comemorativo ao luar. Dentro desse conceito, porém, revelam músicas de metal poderosas, com ganchos inesperados escondidos em cada sombra e um ritmo percussivo inspirado que impulsiona a cacofonia para frente. Ao mesmo tempo, as melodias dos rituais Mapuche se fundem ao metal sujo e pulsante. “Mamüll Reke” combina suas notas iniciais dissonantes com assobios folclóricos de forma harmoniosa.
Fechando o disco e figurando entre as melhores faixas de todo o trabalho, “Ti Inan Paw-Pawkan” traz riffs poderosos e urros impressionantes de Joe Duplantier, do Gojira, e se mostra a declaração mais forte do potencial do Mawiza.
Certamente é possível encontrar influências de “Roots” do Sepultura e dos trabalhos dos franceses do Gojira, além de uma crueza e tensão típicas do Hardcore nas partes mais pesadas. Ainda assim, a banda está trilhando seu próprio caminho, destacando não apenas sua música, mas também sua cultura. Mesmo em início de trajetória, esse promissor quarteto tem muito a oferecer ao mundo, e “Ül” é apenas seu primeiro grito de guerra.

