Mayhem – “De Mysteriis Dom Sathanas” (1994)
Century Black
#BlackMetal #ExtremeMetal
Para fãs de: Darkthrone, Emperor, Immortal
Texto por Thiago Silva
Nota: 10
Este álbum é um marco na história do metal, especialmente no gênero black metal. Revolucionou o estilo e ganhou notoriedade mundial através do quinteto norueguês de Oslo. Ao lado de Darkthrone e Emperor, o Mayhem foi um dos pilares daquilo que viria a ser chamado de segunda onda do black metal, sucedendo a primeira, cujos nomes como Venom e Celtic Frost serviram de influência fundamental.
Agora, vamos falar sobre este grandioso álbum de estreia. Antes dele, a banda já havia lançado quatro demos e um EP. A formação responsável por De Mysteriis Dom Sathanas contava com Attila “Maniac” Csihar (vocal), Øystein “Euronymous” Aarseth (guitarra), Varg Vikernes (baixo), Snorre “Blackthorn” Ruch (guitarra adicional) e Jan Axel “Hellhammer” Blomberg (bateria).
O álbum apresenta oito faixas, somando cerca de 45 minutos de pura brutalidade sonora, que mergulha o ouvinte no inferno e na mais profunda escuridão da alma. Produzido pelo próprio Euronymous, com a colaboração de Hellhammer, o trabalho se destaca pela atmosfera intensa e pela execução precisa.Prepare-se agora para descer às trevas, faixa por faixa.
“Funeral Fog” abre o álbum com Hellhammer mostrando serviço: blast beats avassaladores que se unem ao vocal de Maniac, soando como se estivesse possuído por uma entidade demoníaca. O clima de “névoa negra” descrito na letra é palpável. Seguimos para “Freezing Moon”, mais cadenciada, transmitindo a sensação de uma marcha hipnótica sob a luz gélida de uma lua congelante, guiada por uma presença misteriosa.
Em “Cursed in Eternity” mergulhamos ainda mais nas profundezas infernais, com palhetadas rápidas de Euronymous e blast beats furiosos de Hellhammer. O vocal de Maniac alterna entre gritos de dor e murmúrios demoníacos, como se realmente estivesse em transe.
“Pagan Fears” traz uma narrativa sobre a vida de humanos primitivos e pagãos, cercados de lendas e superstições, expostos às “luzes negras” do desconhecido. Para mim, essas quatro primeiras músicas representam o auge do álbum, guiando o ouvinte numa jornada rumo às entranhas do inferno.
As demais faixas mantêm o altíssimo nível. Em “Life Eternal”, as guitarras aparecem mais trabalhadas, com um solo marcante e o baixo de Varg bem destacado. “From the Dark Past” conta a história de um homem envelhecido que carrega consigo uma maldição; a faixa alterna passagens arrastadas com explosões de velocidade. Já “Buried by Time and Dust” é um ataque direto, rápido e agressivo. Por fim, a faixa-título, “De Mysteriis Dom Sathanas”, encerra a obra-prima com um verdadeiro ritual de invocação ao Senhor dos Demônios, descrito em livros e ruínas.
O vocal de Maniac soa como uma oração macabra, coroando um dos álbuns mais importantes da história do black metal — um ritual sonoro eterno que continua ecoando nas sombras do gênero décadas depois.

