Medjay – “Cleopatra VII” (2022)
MS Metal Records
#PowerMetal, #ProgressivePowerMetal, #HeavyMetal, #OrientalMetal
Para fãs de: Myrath, Vikram, Heretic, Iced Earth, Angra, Symphony X
Nota: 9,0
Os mineiros do Medjay, que adotam uma sonoridade bem instigante e vibrante entornadas por climatizações, referências e influências de sonoridades orientais, soltam seu segundo álbum da carreira, o excelente “Cleopatra VII”. Se em “Sandstorm”, álbum de estreia lançado em 2020, os traços dessa sonoridade já vieram de forma bem original e interessante, em “Cleopatra VII” os caras elevaram a um nível ainda maior, mais robusto, forte e cinematográfico.
O termo Power Metal possui, infelizmente, uma boa parcela de fãs de metal que já acham que estarão diante de bandas “metal espadinha” ou aquele “metal açucarado”, alegre e praticamente idêntico entre 9 a cada 10 bandas do estilo, mas estão redondamente enganados. Existem sim bandas que apostam na “glicemia alta”, que usam e abusam dos clichês (já bem chatos, diga-se!), mas existem as que apostam em peso, técnica, camadas mais inteligentes dentro de suas composições que as tornam “parrudas”, “volumosas” e bem diferentes da primeira parcela citada. O Medjay é uma dessas que não só caminham contra a mesmice, como também não procuram se distanciar com maestria, eficácia, originalidade e elegância.
Indiscutivelmente primoroso ouvir todos os arranjos tipicamente orientais (egípcios, árabes, sírios, etc) que tornam a audição digna de um filme de heavy metal do “Mil e Uma Noites” (risos). “Cleopatra VII” traz 12 faixas que prendem e envolvem o ouvinte como uma viagem as arábias, sem nenhuma dúvida, mas com os dois pés focados no metal pesado e primoroso.
Está aí a palavra que define esse trabalho: Primoroso! Sua complexidade não é fadada ao marasmo e, com isso, não existe nenhum momento de monotonia. Tudo isso, logicamente, envolto a uma produção e mixagem que realçou toda a qualidade do material ainda mais, pois o quê adiantaria se as composições fossem boas se a qualidade da gravação não fosse no mesmo padrão, não é mesmo? Ponto para banda!
E não é só nisso que a banda ganha pontos com o ouvinte, pois até as artes do CD, em digipak, como encarte e tudo mais, são de extremo bom gosto.
O peso encontra-se em propulsão e intensidade, mas o conjunto da obra que salta aos ouvidos logo de cara. Para situar o leitor que não conhece o som da Medjay, é como se batesse num liquidificador as bandas Iced Earth e Primal Fear (peso), Angra (arranjos e melodias), Myrath (sonoridade oriental) com o lado mais técnico e progressivo do Symphony X.
Desde algo mais básico e Heavy Metal, como nas faixas “Osiris And Seth” e “Book Of The Dead”, até a linda balada “Magic Of Isis”, a pesadíssima, com destaques aos riffs encorpados e bem Saxon, “Mask Of Anubis”, a exuberante, pesadíssima e fabulosa faixa título que se você não se arrepiar provavelmente você precisa se consultar com um psiquiatra já que traz uma vibe meio “Powerslave” do Egito (risos), a porrada e galopada “Sarcophagus” – com participação de May “Undead” Puertas e a cadenciada/arrastada “Ankhesenamon” são alguns dos meus destaques de um álbum sem defeitos e dignos de constar em todas as listas de melhores do ano.
Vale um detalhe que tenho que dar crédito e, logicamente, agradecer a banda e sua assessoria: O belíssimo e de extremo bom gosto pacote promocional que me foi enviado! Banda que se valoriza é outro nível!
Músicos muito acima da média, originalidade, qualidade, peso, bom gosto, inteligência musical, cultura,… que mais precisa para da certo? A Medjay tem tudo isso e, por essas e outras que está voando!!!
Johnny Z.
