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Megadeth – Espaço Unimed, São Paulo/SP (18/04/2024)

Megadeth – Espaço Unimed, São Paulo/SP (18/04/2024)

Produção: Mercury Concerts
Assessoria: Catto Comunicação

Texto, vídeos e fotos amadoras* por Johnny Z.
Fotos profissionais em breve

Após alguns cancelamentos de shows por parte da banda nos últimos anos, um por conta do tratamento contra o câncer de Dave Mustaine, bem como mudanças de formação, o Megadeth retorna ao Brasil pela 16ª vez! Isso mesmo, Dave Mustaine, vocalista, guitarrista, líder da banda e único membro original, pisou em solo brasileiro dezesseis vezes, tornando o Megadeth uma das bandas de metal que mais visitou nosso país.

Com a formação atual incluindo além de Dave, James LoMenzo (baixo), Dirk Verbeuren (bateria) e o mais recente membro, Teemu Mäntysaari (guitarra), que substituiu Kiko Loureiro no ano passado (uma saída inesperada e um tanto quanto estranha, diga-se de passagem), esta será a primeira vez que a banda se apresenta com essa formação em nossas terras, divulgando também o seu mais recente — e excelente — álbum “The Sick… The Dead… and The Dead”, lançado em setembro de 2022.

Não é a primeira vez que o Megadeth toca no Espaço das Américas, recentemente chamado de Espaço Unimed. Se minha memória não me falha, esta será a quarta vez que eles se apresentam no mesmo local (2014, 2016, 2017, 2024).

O Espaço Unimed é um local com uma excelente localização, fácil acesso e tem qualidade de som e imagens perfeitos para shows dessa magnitude. É importante notar que o Megadeth não teria cacife para shows em estádios, pois isso resultaria em prejuízo, mas também não se apresentaria em locais menores, como o Carioca Club (e não estou sendo pejorativo aqui). Portanto, é uma decisão acertada ter a banda em espaços maiores como esse (ainda bem que não foi no Vibra São Paulo, pois, como diz o ditado, chega a ser até mais longe de onde Judas deixou as meias) (risos).

A qualidade dessa formação é indiscutível. Dirk Verbeuren é um verdadeiro monstro e é muito querido pelos fãs por conta da sua técnica, força e jeitão meio ‘porra louca’, já consolidando seu lugar como um dos melhores bateristas que a banda já teve, sendo apenas superado pelo saudoso Nick Menza, que nos deixou em 2016. O carismático James LoMenzo é um veterano conhecido dos fãs, com passagens por outras bandas de renome, que segura muitíssimo bem o posto de baixista, sem contar que esta é sua segunda passagem pelo Megadeth (a primeira foi de 2006 a 2010, e esta desde 2022).

Quanto a Teemu Mäntysaari, admito que, nos primeiros vídeos que vi no YouTube, ele não me chamou muito a atenção. No entanto, após vê-lo ao vivo e em cores bem na minha frente, posso assegurar que ele é excepcional, toca todas as notas com precisão como foram escritas originalmente, mesmo que seus movimentos no palco sejam praticamente idênticos aos de Kiko Loureiro, só que sisudo e com uma feição meia ‘sinistra’ perto do nosso querido ‘tesouro’ (risos).

Deixando as brincadeiras, favoritismo e o bairrismo de lado, a entrada de Teemu foi uma escolha acertada para a ocasião e vai crescer muito nesse posto. Ponto final, página virada, e vamos aos detalhes do show.

Está faltando alguém? Mas é claro! Mr. Dave Mustaine! Ele é um dos verdadeiros pioneiros do thrash metal, junto com seus ex-parceiros da banda que todos sabemos qual foi. Dave ainda mantém uma presença de palco poderosa, com muito ‘punch’, energia e sua inconfundível atitude – e marca registrada – ‘casca grossa’ (risos). É verdade que seus vocais estridentes e característicos podem não ser mais como eram na sua juventude, mas isso é totalmente compreensível com o passar dos anos. Ainda assim, ele entrega performances incríveis e continua a nos presentear com todos aqueles clássicos atemporais e rosnados únicos.

Mas ontem, ele literalmente calou a boca de todos os críticos da sua voz – mesmo falando muito pouco com o público -, pois executou quase que 100% fiel ao que fazia antigamente, exceto algumas partes mais altas que o público cantava tão alto que ele nem precisava ‘se queimar’ (risos). O tempo afeta a todos, mas o importante é que ele está aí, vivo, limpo de drogas, muito bem no auge dos seus 62 anos e nos proporcionando momentos inesquecíveis com sua música. Aprendam, ‘haters’ de internet, apreciem o que ainda têm!

A ‘pouca interação’ com o público, todo mundo sabe que ele é de poucas palavras e quer ver a ‘ação acontecendo’, mas mesmo falando pouco, esse ‘pouco’ foi – e é – suficiente para ter a plateia na palma de suas mãos.

Sobre o show em si, posso dizer que, tirando duas faixas mais recentes, “The Sick, The Dying… And The Dead” e “Dystopia”, respectivamente do último e penúltimo álbuns de estúdio, o resto foi só clássico e velharia, o que deixou o público do Espaço Unimed completamente lotado com sorrisos nos rostos por semanas a fio. Foi um verdadeiro ‘best of’ ao vivo bem diante de nós. Claro, algumas faixas ficaram de fora, mas 100% das pessoas que presenciaram a soberba apresentação ontem jamais a criticariam.

Tanto o som quanto a iluminação estavam impressionantes, e mesmo com um palco simples trazendo apenas um ‘backdrop’ com o logo da banda e o mascote Vic Rattlehead estampado, cada centavo e segundo ali em pé valeram a pena!

Mas um show do Megadeth realmente não necessita de nenhuma parafernália; o que precisa é energia, som alto (e bem equalizado), uma banda mandando muito bem (como ocorreu) e um setlist perfeito e certeiro. Tivemos tudo isso com sobras!

Até em faixas mais acessíveis como “Trust”, foram formadas rodas no meio do público, quiçá em verdadeiras pancadas como a rápida “Skin O’ My Teeth” e “Angry Again” (extremamente pesada devido ao som imponente que saía dos PA’s!). “Wake Up Dead” seguida de “In My Darkest Hour” (vídeo abaixo) me fez emocionar, pois tenho um amor incondicional pelo álbum “Peace Sells… But Who’s Buying?”, de 1986. O peso das guitarras de Dave e Teemu estava realmente como monstros prestes a se rebelarem! Simplesmente brutal. Sem exageros, faz muitas décadas que eu não presenciava um show do Megadeth com um peso tão impiedoso e impactante como foi ontem!

Em “Sweating Bullets”, tanto Dave (com uma interpretação da letra super caricata aqui), a banda e o público pareciam um só. E aí entra o que eu disse anteriormente sobre os vocais de Dave: nas partes do refrão – mais altas – ele não alcança mais. Então, o público foi lá e tapou o ‘buraco’, que eu duvido que alguém não tenha ouvido “Dave cantando como no CD” (risos).

“Hangar 18” e todos os seus “ô ôô, ô ôô” da melodia foram cantados tão intensamente que pareciam uma terceira guitarra. A arrasa-quarteirão “Tornado Of Souls” foi executada com Teemu realizando seu soberbo solo de forma incrivelmente idêntica ao que Marty Friedman fazia antigamente. A ‘calminha’ “A Tout Le Monde”, uma espécie de “Fear Of The Dark” do Megadeth (risos), teve todos cantando juntos. E a sequência final de esmagar crânios e causar dores lombares por dias com “Devil’s Island” (baita surpresa!), a onipresente e extremamente necessária “Symphony of Destruction” (essa vocês sabem o que acontece num show do Megadeth na América do Sul), “Peace Sells”com direito a entrada do mascote Vic Rattlehead no palco – e o hino atemporal – aqui estupidamente agressivo por conta do peso das guitarras – “Holy Wars… The Punishment Due”, transformaram a pista numa verdadeira zona de guerra!

Já assisti – se não me falha a memória – 14 vezes à banda ao vivo, inclusive com a formação clássica, e sem sombra de dúvidas, o show de ontem, com seus 90 minutos de duração, está no panteão dos melhores que vi da banda. Palmas para toda equipe da banda, equipe de som (a cargo do engenheiro brasileiro Stanley Soares), iluminação e produção. Foi uma noite de quinta-feira em que ninguém se importou que, na manhã seguinte, estaria – moído – de pé no trabalho (risos).

A casa estava completamente lotada – camarotes, pista premium e comum – mas durante o show em nenhum momento houve empurra-empurra, aperto ou sufoco. Talvez o pessoal do Espaço Unimed possa, para os próximos eventos, melhorar o ar-condicionado, pois notei que ele ligava esporadicamente e não durante todo o show. Não é um achismo, é uma constatação, e o calor realmente incomodava em certos momentos.

Minha única crítica é que, após o término do show, as portas laterais não foram abertas, fazendo com que todos da pista premium saíssem pelas laterais e se juntassem ao enorme público da pista comum em apertos desnecessários e, às vezes, sufocantes. Tudo bem que, após chegar a esse local, tudo andou, pois as saídas frontais eram em grande número, mas até chegar ali foi bem desagradável. Sinceramente, não entendo isso, pois em outros shows lá mesmo foram abertas essas saídas para evitar exatamente essa concentração enorme de gente saindo pelo mesmo lugar. Não foi a primeira vez que isso ocorreu, então, pessoal da casa, atentem-se! Isso é sério!

Agradecimentos à Mercury Concerts e à Catto Comunicação pelo credenciamento e pela parceria de sempre. É uma pena que não tenhamos conseguido o credenciamento para um fotógrafo profissional, mas entendemos que é uma questão logística compreensível e jamais contestaríamos, embora não tenhamos ficado exatamente felizes com isso* (risos).

Setlist:

The Sick, the Dying… and the Dead!
Skin o’ My Teeth
Angry Again
Wake Up Dead / In My Darkest Hour
Countdown to Extinction
Sweating Bullets
Dystopia
Hangar 18
Trust
Tornado of Souls
A Tout le Monde
Devil’s Island
Symphony of Destruction
Peace Sells
Holy Wars… The Punishment Due

“Wake Up Dead/In My Darkest Hour” (Live In São Paulo 2024)
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