Megadeth – “Megadeth” (2026)
BLKIIBLK | Shinigami Records
#ThrashMetal #HeavyMetal
Para fãs de: Metallica, Anthrax, Death Angel, Forbidden
Texto por Johnny Z.
Nota: 8,5
E lá vamos nós para o álbum homônimo e derradeiro capítulo da carreira do Megadeth, com aquele inevitável gosto agridoce de despedida, mas também com um profundo sentimento de gratidão por ter vivido na mesma época, curtido e acompanhado ao vivo, em diversas ocasiões, uma das bandas mais emblemáticas do metal mundial.
“Tipping Point” – primeiro single lançado – abre o disco como um thrash metal clássico do grupo, sem concessões modernas exageradas e sem qualquer fator surpresa. Trata-se de uma nítida volta a um estado mais bruto, com riffs rápidos, secos e diretos, trazendo clara referência ao Megadeth dos anos 90, especialmente à sonoridade, produção e mixagem de “Countdown to Extinction”, o que acaba ditando o tom de todo o álbum. Os vocais de Dave Mustaine, logicamente, não são mais tão estridentes como antigamente e, ao vivo, soavam muitas vezes cansados e desgastados por conta da idade, mas confesso que me surpreenderam bastante aqui. O que mais me chamou a atenção, porém, foi a pegada de Teemu Mäntysaari (guitarra). Quem viu o músico em ação ao vivo no último show da banda em São Paulo sabe que o cara é um exímio guitarrista, e em “Tipping Point” ele prova que é a pessoa certa para o posto.
O segundo single, coincidentemente, é a segunda faixa do álbum. “I Don’t Care” traz uma pegada Thrash/Punk, com um riff que combina elementos clássicos do Megadeth a um tom mais rebelde, direto e despojado. Os solos duplos de guitarra são um grato destaque, remetendo ao período áureo mais técnico da banda. Logo na primeira audição, a faixa remete ao projeto MD.45, que Dave Mustaine chegou a gravar no álbum The Craving (1996), ao lado de Lee Ving (Fear) nos vocais.
A curta “Hey God” já traz de volta a rifferama palhetada de Mustaine, mas com uma cadência mais marcada, remetendo a momentos mais pesados de Youthanasia e também a fases mais recentes, como em Endgame e os álbuns mais atuais. Mais uma vez, os destaques ficam por conta das melodias e dos solos dobrados, que colocam novamente em evidência o fator nostálgico. Não é um arrasa-quarteirão, mas deixa seu recado pelo peso bruto.
A quarta faixa, “Let There Be Shred”, terceiro single do álbum e com quase quatro minutos de duração, é uma das músicas mais fortes e empolgantes da primeira parte do disco. Seus riffs intensos, a enxurrada de solos impressionantes e o refrão marcante ajudam a definir o som e resgatam a ideia do Megadeth como um verdadeiro ícone do thrash metal. A faixa combina elementos técnicos, velocidade e impacto em uma verdadeira aula de Dave Mustaine e Teemu Mäntysaari, que, apesar de despejarem inúmeros solos ao longo da música, não a tornam cansativa e mostram que o título caiu como uma luva na proposta apresentada.
Não podemos deixar de enaltecer as performances de James LoMenzo (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria), ambas dignas de nota, já que a dupla demonstra uma química perfeita ao longo das 11 faixas de Megadeth.
“Puppet Parade” traz novamente a aura de Youthanasia e Countdown to Extinction em uma faixa pesada, porém mais cadenciada, com um refrão que remete vagamente a “Hangar 18”, trazendo Mustaine cantando sobre camadas de guitarras dobradas. Nitidamente, Mustaine não quis forçar a voz, e a faixa deixa claro que ele canta dentro de uma zona de conforto bastante favorável, diga-se de passagem.
Já “Another Bad Day” é uma faixa menos impactante, que não revela muita coisa à primeira audição, mas está longe de ser um mero tapa-buraco. Tem sua força, ainda que não se destaque tanto quando comparada às demais até aqui.
Em “Made To Kill”, a força volta com tudo, trazendo uma introdução de bateria de Dirk Verbeuren que remete instantaneamente a Nick Menza, famoso por esse tipo de virada. Teria sido uma homenagem? Um dia saberemos (risos). Aqui, o Megadeth apresenta um thrash não tão veloz, porém mais bruto, até que, após pouco mais de um minuto e vinte segundos, a música explode em uma pancada violenta típica dos anos áureos da banda — algo que se repete por mais duas vezes. Se for tocada ao vivo, essa faixa promete momentos bem interessantes. São quatro minutos que passam rapidinho, e a vontade de bater no amiguinho ao lado é enorme (risos).
“Obey the Call” é sombria e traz um peso bruto que remete a uma espécie de “Angry Again” ainda mais sinistra, culminando em uma cacetada rápida, veloz e agressiva, tipicamente Rust in Peace e anos 1990, com velocidade, peso e solos matadores encaixados como uma guilhotina prestes a despencar sobre o seu pescoço.
Já em “I Am War”, a banda retorna a algo mais cadenciado e sem tanto brilho, porém nitidamente evocando o clima de álbuns como Youthanasia, Cryptic Writings e The World Needs a Hero, quando o lado melódico vinha antes de qualquer urgência por peso metálico.
Em “The Last Note”, título bastante propício, diga-se de passagem, a percepção é semelhante, porém com uma letra que diz muito mais que seu instrumental, sendo superior à sua antecessora. Particularmente, eu esperava algo mais brutal para encerrar com chave de ouro, mas está tudo certo. Destaque para o solo em dedilhado e para o solo convencional, que conferem tons de despedida muito dignos. O final acústico é de chorar, com Mustaine soltando palavras como um verdadeiro testamento.
Para fechar, a tão esperada “Ride the Lightning”, que, quando anunciada, se transformou em um verdadeiro turbilhão de comentários na internet, com “especialistas de merda nenhuma” usando e abusando dos feeds das redes sociais, WhatsApp e afins antes mesmo de ouvirem a faixa.
E cá estamos diante de uma BAITA versão do clássico do Metallica, na qual Dave Mustaine foi um de seus autores e, portanto, tem todo o direito de gravá-la. Chame como quiser: cover, cover de luxo, versão, regravação — o que quer que seja —, mas o que temos aqui é um RESPEITO ENORME pelo passado de Dave Mustaine, pelo próprio Metallica e, principalmente, pelo início de tudo.
Instrumentalmente, a faixa não muda em nada: segue pesada e direta, com os vocais de Mustaine mais contidos em relação aos de um adolescente James Hetfield à época, mas ainda assim extremamente fiéis ao espírito original da música. O andamento é basicamente o mesmo e, apesar de Dave ter afirmado que a faixa seria mais veloz que a original, não foi essa a minha percepção.
Outra coisa que notei foi que os solos não se assemelham tanto aos executados por Kirk Hammett em “Ride the Lightning”, indo também na contramão do que Dave comentou em entrevistas. Mas tudo bem — até aí, trata-se apenas da minha percepção.
Resumindo: não está aqui para competir com a versão original, mas funciona como um belíssimo bônus track de luxo, que dá um brilho especial ao álbum e encerra a carreira em estúdio de forma cíclica, exatamente onde tudo começou. Pode não ser um álbum que mudará o mundo, ou melhor que os clássicos, mas é digno de elogios sim, seguindo a crescente excelente de seus últimos trabalhos de estúdio. Obrigado, Dave Mustaine, Megadeth, Metallica, etc.
Que venha maio para vermos os mestres ao vivo pela última vez no Brasil!!!!





