Memoriam – “The Silent Vigil” (2018)
Nuclear Blast
#DeathMetal
Para fãs de Bolt Thrower, Benediction, Hail Of Bullets
Nota: 9,5
Exemplo de parceria de sucesso, que deu ao mundo uma banda em condições reais de dar sequência ao legado edificado por Bolt Thrower e Benediction. Frank Healy (baixo) e Karl Willets (vocal), no auto de sua indiscutível competência, amadureceram a idéia e, com o Memoriam em plena atividade, lançaram um segundo disco que periga ser melhor que o álbum de estréia.
“The Silent Vigil” perpetua a tradição do velho Death Metal inglês com maestria. Esqueça andamento caótico, quebradeiras e blast beats supersônicos. O Memoriam preza pelo peso e pela cadência orgânica, além de um componente melancólico que instaura uma atmosfera sombria que ronda todo o trabalho.
Um álbum rude, áspero, marcado pela voz rouca e potente de Willetts, que consegue transmitir toda a amargura perante as agruras do mundo em um contexto lírico que versa sobre morte, guerras e aspectos sócio-políticos com notável profundidade e seriedade. “The Silent Vigil” é carregado de sentimento nesse espectro, todavia sem ser politizado ou panfletário em demasia, apenas discernindo sobre o momento com sensatez e propriedade.
Exemplo disto é “Bleed the Same”, uma composição marcante, com uma densidade no limiar entre o Death e o Doom em favor de uma corrosiva crítica social. Outros momentos que afastam o Memoriam do lugar comum estão em “As Bridges Burn” (um peso rançoso de gelar a espinha), “No Known Grave” (grandiosa, arrastada e com personalidade Doom arraigada a sua estrutura) e “Weaponised Fear”, composição moldada sob um refrão poderoso, que entrega um ato final soberbo.
As definições de Death Metal foram atualizadas! Confira pra ontem!
Ricardo L. Costa
