Metallica – “Helping Hands… Live & Acoustic at the Masonic” (2019)
Blackened Recordings
#Rock
Para fãs de: Rock acústico
Nota: 7,5
Felizmente, ou infelizmente, eu tenho uma certa bronca ou melhor dizendo um certo pé atrás com minha banda favorita. Muitas e muitas vezes não consigo ter aquela felicidade de fã por ter seu artista lançando um álbum ao vivo, afinal terão sempre as mesmas músicas que até a minha vizinha de 90 anos conhece. O que eu gosto é quando ousam ou explorem o seu catálogo por completo, mas parece que o Metallica vive uma eterna turnê “By Request” (Turnê que os fãs escolhiam as músicas do set), se repetindo, se repetindo e se repetindo…
Pois bem, no ano passado, o grupo se aventurou em diversas áreas e com isso vários lançamentos em meio aos shows de divulgação do seu último disco de estúdio, “Hardwired To Self Destruct” (2016) saíram. Tivemos o Whisky Blackened, a cerveja Enter Night, uma linha de relógios limitados baseados em seus álbuns e músicas e, por fim, o box luxuoso do “And Justice For All”, que infelizmente não reparou o erro de 3 décadas atrás dando “justiça” ao baixo de Jason Newsted. O que nós fãs realmente esperávamos ansiosamente era por algo mais atual e diferente. Ok, veio o o diferente.
No dia 3 de novembro, James, Lars, Kirk e Robert, resolveram comemorar 1 ano de fundação da instituição “All Within My Hands Foundation”, criada pela banda para ajudar instituições carentes ao redor do mundo, fazendo um show totalmente acústico e, também na mesma noite, um leilão beneficente que arrecadou mais de 1 milhão de dólares.
O show em si, tirando todos os méritos e importância da causa, não traz nada de novo para quem é fã de carteirinha do Metallica, aquele que acompanha cada passo dos caras na estrada. Quase que todas as músicas presentes nesse lançamento já tiveram suas versões no violão apresentadas nos últimos 10 ou 20 anos, pelo menos, o que mais uma vez mostra o quanto estão preguiçosos em termos de satisfazer ou surpreender os seus seguidores mais “die hard”. A abertura com a clássica e totalmente desconstruída, “Disposable Heroes”, causa certo desconforto no começo, mas no final empolga, aliás, esse também é o sentimento no mega hit “Enter Sandman”, que ganhou uma versão soturna com um tom bastante sinistro graças a interpretação de Hetfield. Vale uma nota que James deu um show à parte em todas faixas mesmo não estando em seus melhores dias, e soube usar sua experiência e feeling de costume.
Se tiver que realmente apontar os grandes destaque e surpresas, fico com a sentimental “When a Blind Man Cries”, cover do Deep Purple e a empolgante “The Four Horsemen”, que novamente aparece com o jeitão country que era executada em 97/98 e teve ajuda dos convidados Avi Vinocur (Bandolim e Backing Vocals), David Phillips (Pedal-steel), Henry Salvia (Teclados) e Cody Rhodes (Percussão), que aliás deram um grande suporte no concerto dando a parte instrumental e lírica uma enorme encorpada.
Passeando por covers e versões próprias, “Helping Hands… Live & Acoustic at the Masonic” fica sendo um álbum para se ouvir com amigos que só conhecem Metallica por conta do rádio ou com sua mãe, que toda certeza absoluta vai se animar nos momentos mais sentimentais e calmos que fazem parte da obra.
Parabéns ao Metallica pela atitude e por mostrar que os grandes artistas podem e devem fazer a diferença dentro e fora da música. Longe de ser ruim, o saldo poderia ter sido mais grandioso e ousado na minha modesta opinião.
William Ivan Kotzo Ribas
