Metallica – “S&M” (1999)

67554937_1402238739916406_3080106139577221120_n
Compartilhe

Metallica  “S&M” (1999)
Vertigo Records
#ThrashMetal#Rock#SymphonicRock

Para fãs de: Deep PurpleRage

Nota: 8,5

Há poucos meses de completar o aniversário de 20 anos de lançamento de umas das suas mais surpreendentes empreitadas, o Metallica anunciou para setembro novamente um show com orquestra, e obviamente não tem como não pensar como “S&M” recebeu críticas positivas e negativas em 1999, se tornando um divisor de águas e de fãs. Afinal, até o fã mais fanático torceu o nariz para alguns temas que simplesmente não funcionaram, parecendo em alguns momentos uma luta de Davi contra Golias, se gladiando para ver quem apareceria mais, mas antes que alguém fale que era certeza que não daria certo, lembre se que Deep Purple e Pink Floyd já tinham se aventurado nessa mesma missão, mas os norte-americanos decidiram ir muito mais além.

O início hipnótico e arrepiante com a instrumental “The Call of Ktulu”, que aqui ganhou tons épicos de trilha sonora Hollywoodiana, mostra novamente como o saudoso Cliff Burton ainda era e é presente no mundo da banda, afinal, a ideia de unir Heavy Metal com música clássica sempre esteve presente na vida e cabeça do baixista que tinha profunda admiração por Johan Sebastian Bach e outros compositores. Apenas ouça mais atentamente músicas dos álbuns “Ride The Lightning” (1984) e “Master Of Puppets” (1986), e percebera que 13 anos antes, o Metallica já apontava o que poderia aprontar no futuro.

Na sequência vem as rápidas e pesadas “Master Of Puppets” e “Of Wolf And Man”, onde temos o primeiro momento em que a coisa não funciona tão bem, pois parece que cada (banda e orquestra) queria pegar estradas diferentes para o mesmo caminho. Inclusive, a impressão que tenho é que todos envolvidos nesse projeto foram infelizes em alguns temas por tentarem seguir o modelo de setlist que vinham tocando em 1998, com isso deixando de fora músicas que poderiam se encaixar na proposta como, por exemplo, “The Unforgiven”, “My Friend Of Misery” e “Fade To Black”.

A monstruosa e enigmática “The Thing That Should Not Be” não só ganhou uma versão mais rica como, também, entra na categoria destaque pois mesmo com algumas alterações em sua estrutura, Hetfield aqui simplesmente dá um show à parte na interpretação. Já “Fuel” é um dos momentos a serem esquecidos e pulados junto com “Sad But True”, que causam até calafrios! “No Leaf Clover”, primeira das duas faixas compostas especialmente para a apresentação, se tornou um dos clássicos atuais e peça frequente nas apresentações da banda desde então. Os álbuns “Load” (1996) e “Reload” (1997) ganharam bastante espaço aqui e convenhamos, a decisão foi acertada, “Hero Of The Day”, “Bleeding Me”, “Until It Sleeps”, e “Outlaw Torn” parecem terem nascidas para ganhar o tom clássico.

Confesso que muitas vezes preferi ver o DVD na opção “Band Only”, ou seja, a opção sem a orquestra e, também, coloquei esse lançamento como um dos mais difíceis de se digerir da carreira da banda. Várias vezes preferi o show de New York (a banda fez dois shows para comemorar o lançamento do disco na época, Berlim e Nova York, tendo orquestras locais executando as partes da sinfônica de São Francisco) e explico os motivos. Por se tratar de algo que estava sendo gravado, vejo que a banda por um todo estava presa e muito apreensiva, onde o mínimo de erro não seria admitido ou suportado, fazendo com que a loucura de um show do grupo fosse quebrada.

Mesmo entre tapas e beijos, não tem como deixar de destacar “Nothing Else Matters”, que em 1991 já teve os arranjos orquestrais feito pelo maestro Michael Kamen, “For Whom The Bell Tolls”, Wherever I May Roam” e “One”.

Se por um lado algumas músicas até ganharam sua versão definitiva, não podemos dizer o mesmo de “Minus Human”, a outra inédita até então, que apareceu somente para tal trabalho e nunca mais foi vista, e convenhamos, é uma cópia fraca de “Devil’s Dance”, e com tudo isso a faixa merece o título de umas das músicas mais erradas da carreira do Metallica.

Para finalizar, “S&M” se tornou um marco. Metallica, Michael Kamen (já falecido) e Orquestra de São Francisco entraram para história da música pesada, e mais uma vez, Hetfield, Urlich, Newsted e Hammett mostrariam na época que o grupo fazia somente o que suas cabeças mandavam, não se importando com as críticas, se renovando e mantendo o posto absoluto dentre os charts da billboards, top 10, MTV e, principalmente, o mais alto escalão do Metal mundial.

Vamos aguardar agora o que virá para o segundo volume, pois a banda já anunciou que teremos algumas mudanças. Façam suas apostas.

William Ribas

Compartilhe
Assuntos

Veja também