
Banda principal: Michale Graves
Local: Carioca Club Pinheiros, São Paulo/SP
Data: 22/06/2019
Produção: EV7 Live e Venus Concerts
Assessoria de imprensa: Lex Metalis Assessoria e Agenciamento
Texto e vídeo por Johnny Z.
Fotos por Johnny Z. e Karla Sthefany
Você, caro leitor, a não ser que more em Marte já deve saber o acontecido após esse estupendo show em São Paulo. Então, vou falar exclusivamente do show por agora e somente ao final do texto tecerei minha opinião ao ocorrido. Mas antes disso, gostaria de contar umas coisas para vocês. Quem quiser pular direto para a resenha do show, sinta-se livre.
Nunca fui fã do Misfits com Danzig (vocal), alias não suporto nem essa época nem a carreira solo desse senhor. Para mim era apenas uma bandinha qualquer que os caras do Metallica usavam camiseta a torto e a direita nos anos 80 e só. Tentei por diversas vezes ouvir e curtir, porém sem sucesso. Mas eis que em 1997, ao ver um videoclipe da banda na finada MTV, no saudoso programa Fúria Metal do Gastão Moreira, tive um choque. Estava bem produzido, bem mais “metal”, bem mais “pesadão” e com um vocal “muito melhor”. O videoclipe era de “Dig Up Her Bones”, e aquela música me fascinou ao ponto de eu ir desesperadamente à Galeria do Rock procurar o disco que a continha. Até aí, algumas revistas na época até noticiaram essa nova fase com Michale Graves nos vocais, mas eu dei de ombros por “tr00zisse” babaca mesmo, confesso.
Pois bem, consegui comprar “American Psycho” e daquele dia em diante me apaixonei pela banda e aquela fase. Logicamente continuei (e ainda continuo) detestando o que veio antes. Ouvia todo santo dia aquele álbum, fui atrás de informações sobre essa “nova formação”, descobri que um álbum ao vivo chamado “Evil Live II” foi lançado e, obviamente, lá fui eu ao eBay tentar a sorte. Demorou alguns anos, mas consegui-o oficialmente. “Famous Monsters” saiu em 1999 e fui correndo comprar, pois precisava ouvir aquele cara cantando e ver se a banda continuava naquela pegada! Maravilha, continuaram! Aquele peso, aquela atitude Punk Metálica me fascinava. Jerry Only (baixo), Doyle (guitarra), Dr. Chud (bateria) e o dito cujo Michale Graves (vocal) era meu sonho de consumo poder assisti-los ao vivo um dia até que um banho de água fria caiu sobre mim com a notícia que Graves tinha saído da banda algumas semanas antes de uma turnê brasileira! Foi um choque e torcia fervorosamente para que não fosse verdade. Mas foi. O show aconteceu, um tal de Hideous entrou no lugar de Graves para essa turnê, e eu não fui de ranço! Graves até voltou alguns anos depois, mas não esquentou muito o microfone e tudo estava acabado para a minha tristeza.
Quando eu poderia assistir aquele cara cantando aquelas músicas ou aquela banda junta novamente? 20 anos se passaram e desde o lançamento de “Famous Monsters”, e nada. De tanto que ouvi os álbuns sei de cor todas as notas, letras e etc. A banda junta com Graves creio que nunca mais verei por conta de brigas e disputas legais que não vale a pena mencionar (e quase essa turnê não aconteceu por conta dessas disputas idiotas), mas o cara veio para o Brasil numa extensa turnê tocando “American Psycho” e “Famous Monsters” na íntegra! Sim, 35 faixas na totalidade, numa paulada só!
Fiquei meses escutando quase que todo santo dia os quatro álbuns com Graves (“Cuts From The Crypt” nada mais era que uma coletânea só com raridades, lados B, faixas raras e demos com ele, então o considero como um álbum), só esperando esse dia chegar. Não conhecia os músicos que o acompanhariam nessa jornada, e isso me preocupava um pouco, pois eu queria que as músicas fossem executadas da mesma forma que foram gravadas e tão pesadas quanto eram nos álbuns.

Resenha do show:
Cheguei ao Carioca Club muito cedo, pois sabia que o show começaria pontualmente às 19hs. Fiz meu credenciamento, fui direto para o camarote numa parte bem próxima ao palco. Dito e feito. Pontualmente o show se iniciou com uma pista completamente tomada. O som estava excelente, um pouco embolado na primeira músicas deixando a voz de Graves mais baixa que os instrumentos, mas tudo prontamente foi resolvido.
Logo nos primeiros acordes aquela minha preocupação sobre os músicos foi embora tão rápido quanto um suspiro. Os caras simplesmente ARREGAÇARAM e não só tocaram de forma idêntica aos discos como, para meu alívio, mais pesado até que os mesmos! Graves cantando da mesma forma que os discos também, agitando daquela forma estranha dele parecendo um mongoloide pulando e desviando de baratas bêbadas pelo chão, e simplesmente tudo numa paulada só como o Punk/Hardcore pede. Praticamente NENHUMA conversação entre as músicas na primeira parte do show tocando “American Psycho! foi dita, apenas um “Hello Motherfuckers” e olhe lá! Ninguém estava lá para papear e meus amigos, o pau comeu do início ao fim! Rodas pungentes e assassinas foram criadas durante TODO o set, sem pausa nem trégua. Eu via lá de cima gotas e mais gotas de suor que pareciam explosões indo para cima devido ao alvoroço que estava aquela pista. Foi uma lindeza! Destaques da primeira parte ficaram com “American Psycho”, “Speak Of The Devil”, “From Hell They Came”, “Dig Up Her Bones” (que gritaria que teve nessa!!!), “Blacklight”, “Mars Attack”, “Don’t Open ‘Till Doomsday” e “Hell Night” onde todos cantaram cada estrofe das letras! Insano foi pouco!
Uma pequena pausa de alguns minutos para os músicos descansarem e voltamos com a segunda parte do espetáculo com a apresentação de “Famous Monsters” também na íntegra. O calor era intenso e eu via o público derretendo e soando em bicas! Alguém cansado? Nem ferrando! Músicos cansados? Nem a pau! E o pau comeu de novo sem dó!
Vale destacar a presença de palco do baixista Howie Wowie que era uma mistura energizada, frenética e explosiva de CJ Ramone com Dee Dee Ramone, e o melhor de tudo, além de pular feio um doido pelo palco o tempo todo tocava que era uma barbaridade! Monstro! E estendo os elogios ao baterista Adam Parent que mesmo um “nanico” se mostrou maior que muito gigante por ai! Carlos ‘Loki’ Cofino, guitarrista, um pouco desajeitado no palco por conta de uns quilinhos a mais (até parece que sou magro), simplesmente mandou tão bem quanto Doyle nos riffs e o peso que saia daqueles PA’s dele era algo brutal! Enfim, Graves, o cara dispensa comentários. É focado, superconcentrado no que esta cantando, se movimenta muito (mesmo que sem sair muito do lugar), tira sarro o tempo todo com trejeitos esquisitos e até falou um pouco com o público antes da faixa “Fiend Club” onde todos gritavam seu nome. Graves insistiu de forma emocionante para que parassem de gritar seu nome falando que não era uma apresentação dele, mas sim de todos, onde todos juntos estavam ali para “comemorar” aquela fase tão maravilhosa que passou há mais de 20 anos. Emocionante foi pouco! Outra parte engraçada foi quando o cantor levou um choque no microfone quando estavam tocando “Living Hell”, onde todos riram muito e até um roadie foi até o microfone limpar ‘a baba’ para não dar mais choque colocando um pano por cima. Graves e Loki não paravam de rir num momento de muita descontração.
Voltando ao show, tudo dito para a primeira parte voltou a acontecer na segunda parte com som impecável, rodas monstruosas e todo mundo cantando sem parar cada clássico do álbum. Destaques ficaram por conta de “The Forbidden Zone”, “Lost In Space”, “Witch Hunt”, “Scream!” (outra muito querida de todos), “Saturday Night”, “Die Monster Die”, “Living Hell”, a emocionante “Fiend Club” tocada em sua primeira parte de forma mais devagar apenas com vocal e guitarra semiacústica e o petardo “Helena” que só não fez o Carioca cair por conta da excelente engenharia da casa.
Um baita show, com muita adrenalina, sem muita papas na língua como tem que ser. Do começo ao fim só porradaria para lavarmos a alma e exteriorizamos nossos “monstros”. E caras, eles conseguiram com sobras!
Um dos melhores shows que fui esse ano, disparado o melhor até agora, que tinha tudo para ser imortalizado na minha memória e de todos os presentes, pois não vi NINGUÉM sair de lá sem elogiar a apresentação nem ter um sorriso estampado de orelha a orelha, pena que no dia seguinte as notícias não foram nada agradáveis.
Michale Graves e equipe simplesmente “fugiram” do Hotel sem fazer check-out nem avisar a produtora, indo embora da turnê deixando por fazer mais seis shows agendados numa atitude no mínimo desrespeitosa. Deixando todo mundo na mão e cheio de compromissos/prejuízos por conta disso.
Não sabemos ao certo o ocorrido, mas ouvimos uns boatos que Graves teve que voltar para casa por conta de “graves problemas” familiares. Até aí, se isso for verdade, compreensível, pois todos nós temos família e queremos estar sempre presentes em todos momentos, mas qual o motivo de não ter avisado a produtora antes??? Se realmente existisse um problema “grave” em sua família ele conseguiria fazer um baita show no dia e todo sorridente? Duvido! Por mais profissional que a pessoa seja, é uma tarefa humanamente impossível. Agora, simplesmente pegar suas coisas e vazar sem dar satisfação nem aos produtores, descumprindo datas e contratos, foi uma atitude simplesmente antiética, antiprofissional e hipócrita ao meu ver, pois no discurso antes de “Fiend Club” ele passou uma imagem totalmente diferente do que fez.
Ao meu ver, depois de 22 shows completamente lotados, alguns com mais de duas mil pessoas, passando bem longe dos shows em botecos minúsculos que ele costuma fazer em seu país, tocando para meia dúzia de gatos pingados, subiram na sua cabeça. Entendam como quiser. A verdade vai aparecer logo!
Fica aqui minha decepção monstruosa perante esse artista que eu era muito fã, mas hoje, depois dessa presepada ridícula passei a vê-lo de outra forma. Bom, isso é coisa minha. Me deixem com meu ranço (mais um) em se tratando de Misfits. Caras, é muito ruim se decepcionar com ídolos, vocês não tem uma noção disso! Só o tempo curará (ou não) isso.
Obrigado EV7 Live, Venus Concerts e Lex Metalis Assessoria e Agenciamento, pela parceria e credenciamento “especial” para esse velho gordo e podre aqui (risos).
Setlist:
Parte 1 (American Psycho):
Abominable Dr. Phibes (instrumental)
American Psycho
Speak of the Devil
Walk Among Us
The Hunger
From Hell They Came
Dig Up Her Bones
Blacklight
Resurrection
This Island Earth
Crimson Ghost
Day of the Dead
The Haunting
Mars Attacks
Hate The Living, Love The Dead
Shining
Don’t Open ‘Til Doomsday
Hell Night
Parte 2 (Famous Monster):
Kong at the Gates (instrumental)
The Forbidden Zone
Lost in Space
Dust to Dust
Crawling Eye
Witch Hunt
Scream!
Saturday Night
Pumpkin Head
Scarecrow Man
Die Monster Die
Living Hell
Descending Angel
Them!
Fiend Club
Hunting Humans
Helena
Kong Unleashed (instrumental)



















