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Ministry – “Moral Hygiene” (2021)

Ministry“Moral Hygiene” (2021)
Nuclear Blast | ShinigamiRecords
#IndustrialMetal, #HarshIndustrial, #IndustrialRock

Para fãs de: Lard, KMFDM, Killing Joke

Nota: 9,0

Em 24 de abril de 2020, O Ministry acionou o alerta vermelho, com o lançamento do single “Alert Level” e, durante a quarentena, Al Jourgensen tirou proveito do lockdown para fazer o que mais gosta: aquartelar-se em seu estúdio caseiro para criar música eletrônica subversiva e repulsiva para os ouvidos médios, desta vez ao lado de Michael Rozon e Liz Walton.

O curioso é que “Moral Hygiene” chega às lojas – no Brasil, via Shinigami Records – exatamente no ano em que o Ministry completa 40 anos de existência – colocando abaixo todas as apostas de que Uncle Al sucumbiria rapidamente ao seu estilo de vida turbulento, mergulhado em drogas, centenas de tretas com integrantes da banda, além de uma lista infindável de algozes no showbis.

Quanto à sonoridade, o que se pode esperar de um álbum do Ministry? Como todos sabem, a banda criou o Industrial Metal, com o lançamento de “Land of Rape and Honey” (1988) e tornou o estilo popular com o clássico “Psalm 69” (1992) – graças aos improváveis hits arrasa-quarteirão “N.W.O.” e “Jesus Built My Hotrod”, tocados à exaustão na MTV, na época.

Pois, as marcas registradas da banda são encontradas por todas as músicas e camadas de white noise e samples de “Moral Hygiene”, com direito a participação de Jello Biafra (Dead Kennedys) na faixa “Sabotage is Sex”, relembrando os tempos do Lard – projeto punk/industrial capitaneado pela dupla, que lançou o indefectível “The Last Temptation of Reid”, em 1990 (se você nunca ouviu, deveria).

Por falar em participações especiais, o guitarrista Billy Morrison (Billy Idol/Royal Machines) faz parte da bela desconstrução de “Search and Destroy”, do The Stooges. E, mesmo que você não curta muito Industrial Metal, tem que admitir que os covers mais interessantes já feitos surgem de remixes e releituras de grandes hits executados por bandas deste estilo. E ponto final.

Além disso, ainda que a rapaziada acuse bandas de Industrial Metal de serem frias e repetitivas em sua proposta musical, se você apurar um pouco melhor sua audição, poderá notar que “Moral Hygiene” apresenta um Ministry até mesmo acessível em algumas passagens, como na Industrial Rock “Believe Me”, com uma pegada post-punk na linha do Killing Joke. Por falar em Industrial Rock “Death Roll” relembra o estilo do Ministry da fase pré Industrial Metal, “Twitch” (1986) – que certamente foi a pedra filosofal para Trent Reznor fundar o Nine Inch Nails.

Em “TV Song #6 – Right Around the Corner Mix” a banda escancara a intenção de se autorreferenciar em “Moral Hygiene”: esporro de samples fazendo alusão aos próprios êxitos do passado do Ministry, com direito a uma guitarra pesada e com groove, encerrando o álbum afundado em excremento eletrônico e distorção repulsiva!

Em termos líricos, se  o álbum “Amerikant” (2018) representou a reação raivosa de Al contra o governo do lunático Donald Trump, de maneira até panfletária, neste novo lançamento, ele deixa de lado as lições de Ciência Política para se enveredar pela Ética e Cidadania, pregando a necessidade de uma revisão dos valores morais da sociedade, o que fica bem registrado em “Good Trouble” (inspirada no ensaio do congressista norte-americano John Lewis, “Together, We Can Redeem the Soul of Our Nation”  publicado no The New York Times, postumamente).

É isso mesmo, por mais improvável que possa soar, tudo leva a crer que Al Jourgensen é o cara certo para guiar nossa civilização pós-pandêmica a uma higiene moral, cuja trilha sonora são os delírios eletrônicos que o Ministry ajudou a forjar ao longo de quatro décadas de existência. Talvez Uncle Al realmente já soubesse de tudo, desde o início…

Wallace Magri

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