RCA
Nota: 9,5
Mitch Malloy não era mais uma criança quando entrou em estúdio para gravar sua estreia em disco — já tinha 29 anos e boa experiência como engenheiro de som e produtor, além de ter cantado em bandas menores como o Red Dawn nos anos 1980. Sabendo exatamente o som a ser obtido e como obtê-lo, uniu forças com Sir Arthur Payson e contou com o toque de Midas de Desmond Child, compositor cuja lista de hits gastaria uma resma de papel para ser impressa.
O processo de gravação, iniciado em 1991 e que incluiu coisas como gravar a bateria em mais de 20 canais, levou três meses e custou 300 mil dólares — se considerarmos os budgets da época, este aqui até que saiu barato. O resultado não poderia ser mais satisfatório: lançado em 31 de março de 1992, Mitch Malloy sobrevive ao implacável teste do tempo e permanece como uma referência do AOR e Melodic Rock.
O grande momento por aqui é a demolidora “Anything At All”, que mesmo sufocada pela nuvem negra do rock de Seattle, chegou ao Top 20 da MTV na Europa. O sucesso colocou o nome de Malloy no mapa e o rendeu um convite para lá de especial: substituir Sammy Hagar no Van Halen — o que, infelizmente, nunca se concretizou (Eddie e cia. preferiram Gary Cherone, do Extreme).
Destaque também para o groove matador de “Over The Water”, a acústica “Problem Child” e “Nobody Wins In This War”, que todo casal que vive brigando devia ouvir diariamente até se convencer de que os dois saem perdendo quando brigam. E tem gente que diz que o rock não ensina a viver. Fala sério!
Como sempre levou uma vida bastante regrada — “minha droga é a música, não estou nessa pela putaria ou pelas festas” —, Mitch Malloy segue cantando como poucos, e sua obra, na mesma proporção que acompanha as tendências — exceto por um trabalho ou outro com viés sacro —, mantém um pezinho fincado no indiscutivelmente melhor registro de sua carreira.
Marcelo Vieira (Colaborador)
