Monument of Misanthropy – “Washington State Charm” (2026)

Monument of Misanthropy
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Monument of Misanthropy – “Washington State Charm” (2026)

Listenable Records
#DeathMetal #BrutalDeathMetal #TechnicalDeathMetal

Para fãs de: Aborted, Nile, Cryptopsy, Dying Fetus

Texto por: Lucas David

Nota: 9,0

O gênero True Crime viveu um grande momento de popularidade no mainstream com o lançamento de inúmeros livros, filmes e, mais recentemente, da série Monster, que caminha para sua terceira temporada. No entanto, em vez de recorrer à televisão, a melhor recomendação é mergulhar na discografia do Monument of Misanthropy. Em seu terceiro álbum, a banda volta a explorar a mente de um serial killer. Washington State Charm gira em torno de Ted Bundy, um dos assassinos mais notórios da história, enquanto entrega uma excelente dose de Technical Death Metal. O trabalho preserva a identidade do grupo, mas evolui sua sonoridade ao incorporar novos elementos que dialogam com a personalidade de seu desprezível protagonista, sem abrir mão do peso e da velocidade que sempre marcaram a banda.

Afastando-se parcialmente da brutalidade incessante e da sonoridade crua de Vile Postmortem Irrumatio (2024) — álbum centrado em Ed Kemper —, o novo trabalho abraça melodias mais evidentes, refrões marcantes e muito groove. Com participações especiais de Johnny Ciardullo (Angelmaker), Mendel bij de Leij (ex-Aborted), Gabe Mangold (Enterprise Earth), Hal Microutsicos (Engulf) e Jean-Jacques Moréac (Misanthrope), o disco incorpora influências de Deathcore sem comprometer sua essência, apostando em riffs memoráveis que tornam a audição ainda mais acessível para novos ouvintes. Outro elemento preservado são os trechos de entrevistas reais com Ted Bundy inseridos entre algumas faixas, reforçando o caráter conceitual da obra e tornando sua narrativa ainda mais envolvente, mesmo para quem não conhece a história do criminoso.

O álbum se inicia com “Obviously We Gotta Start Somewhere…”, uma breve introdução que abre caminho para “Neatn Tacoma Asphalt”, faixa marcada por excelentes viradas de bateria, riffs pesados e sujos e vocais guturais extremamente agressivos. A composição alterna constantemente entre blast beats ferozes e passagens mais cadenciadas, mantendo a dinâmica sempre interessante. “The 1974 PNW Spree” pisa no acelerador e entrega alguns dos melhores riffs do disco, além de solos rápidos e inspirados, impulsionados pela participação de Gabe Mangold. A bateria impressiona pela técnica, enquanto George “Misanthrope” Wilfinger apresenta uma de suas melhores performances vocais. Já a faixa-título aproxima-se bastante da sonoridade do Dying Fetus, especialmente nas seções carregadas de groove, mas sem deixar de lado riffs velozes e irresistíveis para bater cabeça.

“Colorado Murder” evidencia a forte influência do Aborted, perceptível tanto nos vocais quanto na abordagem mais voltada ao Deathcore. A combinação funciona muito bem graças aos breakdowns brutais, aos característicos bleghs e ao groove constante, enquanto Wilfinger, em diversos momentos, remete ao estilo de Phil Bozeman (Whitechapel). Encerrando os destaques, “The Hacksaw Blade” mantém o nível de brutalidade elevado, apostando em velocidade, riffs cortantes, um baixo pesado e pulsante e, novamente, uma performance vocal devastadora.

Washington State Charm cumpre com excelência aquilo que se propõe: narrar a trajetória macabra de um dos serial killers mais conhecidos da história por meio de um Death Metal técnico, refinado e avassalador. Mais do que isso, o álbum amplia os horizontes da banda ao investir em uma produção mais sofisticada, novas influências e composições mais memoráveis. Assim como Ted Bundy utilizava seu carisma para atrair suas vítimas, o Monument of Misanthropy torna sua música cada vez mais irresistível, sem perder a violência característica. Mesmo que alguns fãs considerem essa evolução uma aproximação do lado mais acessível do gênero, o resultado é um disco vibrante, brutal e extremamente competente, que consolida o grupo entre os nomes mais interessantes do Death Metal técnico contemporâneo.

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