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Moonspell – Carioca Club, São Paulo/SP (22/03/26)

Moonspell – Carioca Club, São Paulo/SP (22/03/26)

Produção: Overload
Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia

Texto por Matheus “Mu” Silva
Fotos por Rodrigo Faustino

Quase três anos após sua última passagem por aqui, e pela sétima vez em nosso país, o Moonspell retornou ao Brasil com data única, em São Paulo, no último domingo (22). A maior banda de metal de Portugal trouxe a atual turnê “Wolfheart and Other Stories: The Best of Moonspell”, que celebra os 30 anos do primeiro disco da banda, o eterno clássico Wolfheart (1995), além de músicas que marcaram a trajetória do grupo. Com produção da Overload, o evento contou com a abertura da também portuguesa Sinistro.

Com a casa abrindo às 18h e já relativamente movimentada, a banda Sinistro iniciou seu set às 19h. Banda conterrânea da atração principal, formada em 2011, pratica um sludge/doom carregado de peso, onde cada nota tocada é literalmente uma porrada, com músicas arrastadas que ultrapassam a barreira dos sete minutos. Ao mesmo tempo, há uma pegada hipnotizante, cheia de influências de Paradise Lost e Type O Negative, somadas à voz feminina melancólica de Priscila da Costa — uma grata surpresa.

Com um set de 45 minutos, e em português nativo de sua terra natal, a banda apresentou momentos de sua discografia, como “O Templo das Lágrimas”, do mais recente Vértice (2024), além de “Partida” (“Semente”, 2016) e “Abismo” (Sangue Cássia, 2018). A identidade sonora bem própria certamente deixou uma impressão muito positiva no público.

Inclusive, mesmo com o Moonspell realizando data única no Brasil, a Sinistro veio antes ao país e realizou mais três apresentações na cidade de São Paulo, em locais diferentes, aproveitando sua primeira visita por aqui.

Após rápida troca de palco, às 20h, com o ambiente escurecido e ao som de uivos, os lobos de Portugal foram se posicionando um a um no palco. Iniciando as celebrações ao Wolfheart, o Moonspell abriu o set com “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”, tendo uma recepção calorosa do público. Além de ser um clássico incontestável do disco, a música não era tocada aqui desde 2012.

Ainda sobre o Wolfheart, entre as seis passagens anteriores da banda, o álbum teve quase todas as suas músicas executadas por aqui em momentos diferentes, com exceção de “Love Crimes”, faixa seguinte no set. Ela contou com uma vocalista feminina de apoio, como na versão original, conferindo ainda mais fidelidade à execução.

Fernando Ribeiro, líder e vocalista da banda, é um show de carisma e bom humor. Aproveitando o fato de falar um idioma próximo ao nosso, fazia constantes brincadeiras e comentários entre as músicas, criando uma atmosfera de proximidade com o público.

Seguindo a ordem do disco com “… of Dreams and Drama (Midnight Ride)”, outra faixa pouco executada por aqui — tocada apenas uma vez no Brasil, em 2015 —, o momento foi de pura celebração para os fãs. Ao final, ainda rolou um “é nóis” de Fernando, reforçando o clima descontraído do show.

Como a apresentação celebrava a história da banda, houve um verdadeiro resgate histórico da discografia. Com o tecladista Pedro Paixão assumindo a segunda guitarra, voltaram ao primeiro EP Under the Moonspell (1994), executando “Tenebrarum Oratorium (Andamento I)”. A escolha foi uma das maiores surpresas do setlist e levou os fãs mais antigos ao delírio, especialmente por ser a primeira execução da faixa no Brasil.

Após uma execução primorosa, Pedro Paixão e o guitarrista Ricardo Amorim — os dois mais longevos além de Fernando — tocaram juntos a introdução “Lua d’Inverno”, antes de engatar “Trebaruna”, única música totalmente em português do Wolfheart, trazendo o lado mais folk da banda ao palco.

Na sequência, veio “Ataegina”, precedida por uma história curiosa contada por Fernando. Segundo ele, a faixa ficou de fora da versão original do disco por decisão da gravadora, que a considerou “música para beber chope”. Posteriormente incluída em versão digipack, acabou se tornando querida pelo público. Sua atmosfera festiva remete a uma taverna medieval — só faltaram canecas erguidas.

Dedicada aos “vampiros e vampiras de São Paulo”, “Vampiria” foi um dos grandes momentos da noite, seguida por “An Erotic Alchemy”, que contou com participação cênica da vocalista de apoio.

Para fechar o álbum, Fernando relembrou a conexão com o metal brasileiro, citando nomes como The Mist, Holocausto e Sepultura, destacando a amizade com Jairo Guedz. O músico foi convidado ao palco, apresentado como Jairo “Tormentor”, para executar “Alma Mater”. O Carioca Club veio abaixo, tanto pela música quanto pela recepção calorosa ao guitarrista, encerrando a primeira parte de forma emocionante.

Após breve pausa e sob gritos de “Moonspell”, a banda retornou para a segunda parte do set. Com Fernando trajando uma roupa que lembrava Van Helsing (ou até o Toninho do Diabo), teve início a fase “Best of”, com repertório variando ao longo da turnê.

A abertura veio com a ousada releitura de “Lanterna dos Afogados”, dos Paralamas do Sucesso. Presente em 1755 (2017), a versão foi um dos pontos mais marcantes da noite. Na sequência, uma dobradinha do clássico Irreligious (1996): “Opium”, ainda mais poderosa ao vivo, e “Awake!”, precedida pelo poema “The Poet”, de Aleister Crowley — momento arrebatador.

“In Tremor Dei” manteve a intensidade, seguida por “Extinct”, “Scorpion Flower” e “Everything Invaded”, consolidando uma reta final forte e variada.

Encerrando com “Full Moon Madness”, o público acompanhou Fernando em uníssono, transformando o ambiente em uma verdadeira alcateia. Um final apoteótico para um set de 110 minutos. Ovacionados, os músicos prometeram retorno após o lançamento do próximo álbum, Far From God, previsto para este ano.

O Moonspell é uma banda cativante em todos os sentidos. Pela musicalidade, pela entrega ao vivo e pelo carinho com o público brasileiro, a experiência é indispensável para qualquer fã. Com um setlist histórico e uma execução impecável, o show certamente ficará marcado na memória de quem esteve presente. Eu mesmo não me esquecerei tão cedo.

Obrigado à toda equipe da Overload por mais uma grande produção, e ao Sinistro, que mostra ter um futuro promissor pela frente.

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