Motionless In White – “Decades” (2026)
Roadrunner Records
#Metalcore #AlternativeMetal #PostHardcore
Para fãs de: Ice Nine Kills, Bad Omens, The Plot in You
Texto por: Lucas David
Nota: 9,0
Com 20 anos de estrada, o Motionless In White já conseguiu conquistar seu espaço no metal moderno, contando com um som pesado, melódico, sombrio e imponente que, mesmo assim, ainda tem espaço para o pop e para as grandes arenas. Com toda essa bagagem, a banda ainda consegue se renovar, principalmente na confiança para lançar músicas pegajosas e bem distribuídas em Decades, seu novo álbum lançado via Roadrunner Records.
No disco anterior, Scoring The End Of The World (2022), a banda apresentou um conjunto confuso de ideias — algumas bem-sucedidas, outras nem tanto. Aqui, esse problema não se repete, como podemos notar logo na abertura com a faixa-título. Ela já começa com um senso de urgência em um crescendo que explode em ótimas batidas de bateria, riffs sujos e pesados e um vocal extremamente agressivo. A faixa não dá nem um segundo de respiro e continua seu ataque cada vez mais brutal, culminando em um breakdown doentio, feito para trazer um estádio lotado ao chão.
“log_in//crash_out” vem na sequência com uma pegada mais eletrônica e dançante, mas ainda mantendo o peso e a agressividade instrumental. Os vocais de Chris Motionless passeiam do mais rasgado ao limpo com uma facilidade incrível, e o vocalista se mostra no ápice de sua forma em uma faixa feita para ser cantada por todos nos shows.
“R.I.P.” é uma balada emocional com uma levada mais sombria, gótica e forte, grudando na cabeça e levando você a cantarolar o refrão o dia todo sem sequer perceber. A participação da cantora Skylar Grey adiciona uma camada a mais de melodia, com sua voz angelical fazendo um ótimo dueto com Chris em uma das melhores músicas do álbum.
“Playing God” retoma a brutalidade com a participação do mestre Corey Taylor (vocal, Slipknot), mostrando por que é um dos melhores vocalistas que o metal moderno já revelou. A faixa mostra o lado mais agressivo de ambos os vocalistas, que dominam tudo, contando ainda com um refrão cheio de groove e mais um breakdown monstruoso.
Além disso, existem as faixas com um apelo mais pop e eletrônico, como “Blood Rave”, que abandona os breakdowns e aposta em sintetizadores, refrões dignos dos anos 80 e um clima de clube noturno que encaixa muito bem e serve como um respiro leve e divertido.
No fim, essa mistura pode parecer estranha e desconexa, porém o Motionless In White faz tudo com maestria, e é impossível passar impune pelas músicas, sejam elas pesadas ou dançantes. Decades é uma celebração pesada, sombria e, ao mesmo tempo, alegre de tudo que eles fazem de melhor.

