
Muqueta Na Oreia – “Brasileiros” (2021)
Muqueta Records | Voice Music
#Hardcore, #Crossover, #ThrashMetal, #GrooveMetal
Para fãs de: Claustrofobia, Oitão, Ratos de Porão, Korzus, Sepultura, Soulfly
Nota: 9,0
O Brasil é um celeiro de ódio mesmo (risos). Nos últimos anos, o estilo Hardcore cheio de protesto vêm crescendo exponencialmente e nem precisa dizer o motivo, certo? É tanta merda, coisa errada, bandidagem, descaso com o povo, impostos abusivos, corrupção e passada de pano em político sujo que não tem como pensar em outros assuntos sem ser a raiva contra tudo isso. Mas, pelo menos uma coisa boa surge disso: A música agressiva! E meus ouvidos agradecem (risos)
O Muqueta Na Oreia (acredite, se você não conhece o som dos caras é uma ‘muquetada’ que você levará) é uma banda de Embu das Artes, São Paulo, com mais de 10 anos de estrada, lançou recentemente seu terceiro álbum completo, a porradaria chamada “brasileiros” (sim, com letra minúscula). Nesse trabalho temos uma bela mescla de Hardcore furioso com elementos do Thrash Metal – principalmente os riffs de guitarra cheios de palhetadas abafadas de Bruno Zito – com muito sarcasmo e críticas sociais nas letras e isso é facilmente compreendido já que Ramires (vocal) vomita tudo de forma gutural e com um ódio letal em português de forma clara, seca e grossa. Se seus ouvidos se incomodam com isso, me desculpe, vá ouvir Coldplay, pois você é todo errado.
Letras que variam temas como religião, machismo, preconceito, guerras, (des)humanidade, fake news, política, o Muqueta Na Oreia é uma espécie de Racionais MCs do Metal, se é que vocês me entendem, pois dificilmente qualquer uma das 13 faixas não vai te dar um real muquetada na oreia (risos)! São questões que realmente afligem a nossa nação carregadas de sarcasmo, violência, dor e batucadas, representando a luta do povo brasileiro que está cansado de apanhar e viver numa espécie de “luto motivacional e social” constante.
Instrumental de primeira, belíssima produção, timbragem dos instrumentos, equalização, adrenalina, cozinha peso pesado, rifferama impiedosa, quebradeira, muito groove, tudo alinhado para uma experiência funcionalmente dilacerante!
Temos alguns convidados que abrilhantam o trabalho, como por exemplo Bloco Cachorro de Selca em “Samba de Maria” – uma faixa que conta as dificuldades das mulheres no mundo -, Antônio Araújo (Korzus/Lockdown) em “Sangue No Zóio”, DJ MF do Pavilão 9 em “Fissura”, Marcos Kleine (Ultraje A Rigor) em “Teorias da Conspiração” e Márcio Sanches em “Resistência”.
Meus destaques vão para a cacetada “É Na Porrada”, a pesadíssima e genial “Samba de Maria” (me lembrou uma mistura de Carcass em “Heartwork” com Raimundos do primeiro e antológico álbum!), “Vingança” bem Ratos de Porão na sua fase mais crossover de “Brasil”, “Fissura” com os scratchs e mixagens que combinaram muito com o peso cortante, a arrastada “Zumbi Das Trevas”, a tipicamente Slayer em “Teorias da Conspiração”, a cadenciada e agressiva “Violência” (que baita riff e peso!!), “Revolta” com um “q” de Sepultura/Soulfly e a climática “O Herói” com um excepcional trabalho vocal e cheio de feeling que me lembrou as coisas mais brutais e sombrias do Nevermore!
Resumindo, se você gosta de pancadaria, rifferama com aquelas palhetadas bem tipicamente Thrash, quebradeira, violência e muito ódio em forma de música, eis a sua banda! Que baita álbum e como eu sempre digo por aí: O Metal Nacional agradece!
Johnny Z.







