

Texto e entrevista por Johnny Z.
Fotos gentilmente cedidas pela banda
Banda formada no início do ano de 1985, em Belo Horizonte (MG), em plena ditadura militar, pelos irmãos Rodrigo Neves e Ricardo Neves. No início, além de ter outro nome, Desaster, tiveram algumas trocas na formação, principalmente nos vocais, mas em meados desse mesmo ano, o MUTILATOR já tinha uma formação fixa com Rodrigo Neves (bateria), Ricardo Neves (baixo), Alexander Magoo (guitarra), Kleber (guitarra) e Sílvio Gomes “S.D.N.” (vocal). Com essa formação, gravaram suas primeiras Demo Tapes oficiais, “Bloodstorm” e “Grave Desecration”, que se espalharam rapidamente pela cena metal nacional e internacional através das famosas “trocas de fitas”.
Em 1986, com a formação inalterada, a banda foi convidada a participar da lendária coletânea da Cogumelo Records, “Warfaire Noise I”, com as faixas “Believers In Hell” e “Nuclear Holocaust”, sendo esse seu primeiro registro oficial em vinil. Nessa coletânea, também faziam parte do pacote as bandas Sarcófago, Chakal e Holocausto, todas com, também, duas faixas cada. Por conta desse lançamento, o ano de 1986 foi muito agitado para a banda, com shows pelo Brasil como banda de abertura do Sepultura.
Não demorou muito, e a Cogumelo Records convidou o MUTILATOR, por conta da enorme receptividade de sua coletânea “Warfare Noise I”, para a gravação de um álbum completo. Só que, antes de entrarem para gravar o que viria a ser seu primeiro álbum, Silvio resolveu abandonar a banda e trabalhar como roadie do Sepultura. Inclusive ficou vários anos no cargo. Para os vocais principais, Alexandre Magoo, também, chamou para si a responsabilidade, e como quarteto a banda entrou em estúdio.
O clássico do Death/Thrash Metal, “Immortal Force”, trabalho esse que fincou em definitivo o nome da banda na cena metal brasileira e mundial. Faixas devastadoras, cruas e ríspidas como, por exemplo, “Blood Storm”, “Butcher”, “Immortal Force”, “Brigade Of Hate” e “Tormented Soul” não só caíram no gosto dos headbangers como se tornaram icônicas.
No mesmo ano de 1986, Alexandre Magoo foi chamado para entrar no Sepultura após a saída de Jairo Guedes, mas declinou do convite por apostar suas fichas no MUTILATOR. Com isso, Andreas Kisser acabou entrando no Sepultura, estourando mundialmente.
Mas nem tudo deu certo na carreira da banda. Em 1987, após o lançamento do álbum e inúmeros shows promovendo-o pelo Brasil, os irmãos Rodrigo e Ricardo Neves, anunciaram a saída da banda. Rapidamente, os membros remanescentes Alexandre Magoo e Kleber reformularam a formação com a entrada de Armando Sampaio (bateria), vindo do Holocausto e Sarcófago, e Carlos Marcelo Scarpelini (guitarra), vindo do Cova. Banda reformulada, foram direto para o estúdio e gravaram, em 1988, o álbum “Into The Strange“, também pela Cogumelo Records. Infelizmente, essa nova formação durou, aos trancos e barrancos, até 1993, onde nesse ano a banda encerrou suas atividades.
A Cogumelo, em 1990, lançou outra coletânea, intitulada “The Lost Tapes Of Cogumelo”, e nela, também, o MUTILATOR aparece em versões demo antigas de “Evil Conspiracy” e “Visions Of Darkness”, contando ainda com Sílvio nos vocais.
Em 1997, Alexandre Magoo faleceu em Londres, Inglaterra, mas não se tem realmente as causas da morte. Fala-se muito que foi por conta de overdose de drogas, mas realmente não se tem 100% certeza.
O ano de 2001, algumas conversas sobre uma possível volta foram feitas, mas rapidamente tudo foi por água abaixo. Mas, dezessete anos depois, e trinta anos afastados dos palcos, mais precisamente em abril de 2018, veio a primeira e tão sonhada reunião do MUTILATOR. A banda, enfim, se reuniu em um show em Belo Horizonte para comemorar o aniversário do programa “E AI CARA?”. Juntaram-se aos irmãos Rodrigo e Ricardo Neves, os guitarristas Kiko Ianni e Igor Arruda (Hocnis), e nos vocais Rodrigo Magalhães (Holocausto/Certo Porcos/Bode Preto/Impurity).
A pedido de muitos headbangers espalhados pelo mundo, o MUTILATOR não só continua na ativa como, também, tem muitos planos para os anos vindouros, incluindo uma turnê europeia para 2020 com a banda Megaforce, que recentemente, também voltou à ativa. No momento, com a saída de Igor Arruda e Rodrigo Magalhães (vocal), a banda conta com a formação a seguir: Rodrigo Neves (bateria), Ricardo Neves (baixo), Kiko Ianni (guitarra), Luiz Sepulchral (guitarra) e Delei Reis (vocal).
Bem vindos de volta, guerreiros!
O metal nacional e mundial agradecem!
…::: ENTREVISTA EXCLUSIVA METAL NA LATA COM RODRIGO NEVES :::…

Metal Na Lata: Rodrigo, conte-nos como se deu essa volta definitiva do Mutilator?
Rodrigo Neves: Na verdade, a volta do Mutilator não se deu por conta de nenhum de nós integrantes da banda. Isso tudo se iniciou porque o Igor Arruda, do Programa “E aí Cara?” e que também é integrante da banda X-Machina, vez uma entrevista comigo e com o Ricardo no ano de 2014 em seu programa. Por incrível que possa parecer, dos vários programas gravados e lançados por eles, o que mais deu visualizações foi exatamente o programa com a banda Mutilator. Em 2018, ele resolveu fazer um show comemorando os quatro anos do programa e nos convidou alegando que o Mutilator foi a banda mais curtida no canal do programa e que deveríamos pensar seriamente em participar desse show. O interessante foi que eu e o Ricardo aceitamos de imediato, mas colocamos bem claro para ele que não tínhamos uma formação da banda naquele momento. Foi aí que começou uma louca correria. Convidamos ele, Igor, que é guitarrista, o guitarrista Kiko Ianni muito conhecido aqui na região de Belo Horizonte e, para finalizar a formação, o Rodrigo do Holocausto para os vocais. Ensaiamos igual uns loucos por apenas dois meses e o tempo nos permitiu preparar no máximo 5 músicas, nas quais não as tocávamos a mais de trinta anos. Não foi uma maravilha tecnicamente falando, mas os fãs curtiram e nós ficamos agradecidos. Cabe uma observação aqui, no programa de 2014, eu e Ricardo citamos que não existiria a mínima possibilidade do Mutilator voltar algum dia (risos).
Metal Na Lata: Como foi o processo de ajuste da atual formação?
Rodrigo Neves: O Rodrigo Magalhães deixou bem claro para nós que caso a banda resolvesse voltar a ativa ele não faria parte do retorno em definitivo, que seria apenas para o show da volta devido aos compromissos dele com as suas bandas e projetos, Holocausto e Certo Porcos. Entendemos perfeitamente com a sua posição e concordamos. O Igor também tocou somente no show, pois também toca em outras bandas e está terminando sua graduação em Educação Física. Com isso, restaram somente eu, Ricardo (baixo) e Kiko Ianni (guitarra). Com isso, tivemos que ir atrás novamente de dois novos integrantes para reformularmos a formação definitiva. Alguns músicos fizeram testes, e no final de julho fechamos a formação atual com a entrada de Luiz Sepulchral (guitarra, também membro da banda Sepulchral Voice) e Delei Resi (vocal, ex-Ignorance).
Metal Na Lata: Excetuando o saudoso Alexandre Magoo, falecido em 1997, você tentaram trazer os outros membros originais para essa volta?
Rodrigo Neves: Os membros originais, fora eu e o Ricardo, são o Sílvio Gomes “SDN”, o Kleber e o Magoo. O Kleber abandonou a música, o Magoo, como dito, infelizmente faleceu e com o Silvio tivemos uma breve conversa a respeito onde ele nos desejou boa sorte, mas que realmente a vida dele atualmente não da muito tempo para uma banda. Ele viaja muito a trabalho.
Metal Na Lata: Quais os planos futuros para a banda daqui por diante? Shows, novo álbum?
Rodrigo Neves: Em relação a shows, estamos programando começar a partir de fevereiro de 2019. Assim, até lá teremos um bom período necessário para ensaiar o repertório e poder montar um setlist completo para os fãs. Quanto a gravações, já possuímos algumas músicas bem adiantadas e que foram compostas nesse ano de 2018 mesmo. Com certeza queremos lança-las num novo álbum do Mutilator em 2019 ou no mais tardar 2020. Já que estamos realmente de volta, queremos fazer e curtir vários shows com nossos fãs antigos e, também, com o pessoal mais novo que nunca teve a oportunidade de assistir-nos ao vivo. Enfim, queremos trabalhar por alguns anos aí (risos).
Metal Na Lata: Quais são seus comentários sobre os dois álbuns oficiais já lançados pela banda? Serão relançados aproveitando essa volta da banda?
Rodrigo Neves: O “Immortal Force” já passou por vários relançamentos e remasterizações por vários selos em vários países e em diferentes formatos, inclusive picture disc. O “Into the Strange” é considerado um ótimo disco, tecnicamente falando e, por não estar na banda na época, realmente eu reconheço que é verdade, mas na minha opinião pessoal saiu fora do contesto inicial proposto por mim e pelo Ricardo que fundamos a banda. Como falei o álbum é ótimo, mas todos sabem que não chegou a fazer o mesmo sucesso alcançado por “Immortal Force”.
Metal Na Lata: Quais são suas expectativas nessa volta do Mutilator e comentários finais?
Rodrigo Neves: Quero revelar para todos fãs, amigos, apoiadores, colaboradores e etc, que estamos muito felizes e motivados com esse retorno. Ficamos muito surpresos com a boa receptividade que a notícia desse retorno teve. Criamos nossas redes sociais, Facebook, Instagram, Youtube e etc, e essas páginas estão sendo muito visitadas, acessadas e curtidas! Enfim, sem dúvida nenhuma, a nossa maior motivação e motivo para estarmos novamente ativos são os fãs de nossos trabalhos. Obrigado demais! Valeu mesmo! Quero deixar meu agradecimento pessoal a você, Johnny Z., por estar nos dando mais uma oportunidade de sermos lembrado nas mídias e imprensa sobre Metal, pois o Metal é a nossa cachaça e a nossa paixão (risos)! Um grande abraço!
…::: MAIS INFORMAÇÕES :::…
Facebook: www.facebook.com/MutilatorBrazil
E-mail: www.instagram.com/mutilator_official
…::: APRESENTAÇÃO DA NOVA FORMAÇÃO :::…
…::: FOTOS DA ATUAL FORMAÇÃO (2018) :::…
…::: DISCOGRAFIA :::…





