Napalm Death – “Coded Smears and More Uncommon Slurs” (2018)
Century Media Records
#Grindcore
Para fãs de: Terrorizer, Brutal Truth, Repulsion
Nota: 10
Uma das maiores satisfações de um redator é receber em suas mãos o novo álbum de uma de suas bandas de cabeceira. É aquilo que faz realmente valer à pena, e quando o referido disco é do Napalm Death, a expressão “zerar a vida” começa a fazer todo sentido.
“Coded Smears and More Uncommon Slurs” não é exatamente o novo disco do quarteto inglês de fato, mas sim um compilado em cd e vinil duplo de lados b, faixas escondidas, covers e versões obscuras que nem o fã mais ferrenho possui na coleção; sendo assim, denominá-lo de novo disco do Napalm Death não é de todo errado, pois são faixas que comumente não encontramos por aí.
“Coded Smears and More Uncommon Slurs” oferece ao ouvinte a possibilidade de testemunhar o velho e hidrófobo Napalm em pleno conflito com sua faceta mais alternativa, digamos assim. O período compreendido na coletânea vai de 2004 até os dias atuais, fase essa em que a banda abandonava as viagens noventistas iniciadas em (ainda que sutilmente) “Fear, Emptiness, Despair” (1994) quase que definitivamente.
A amplitude sônica do Grindcore é posta a prova no decorrer das 31 pedradas presentes aqui, e a satisfação de constatar que ao menos 70% de todo este material era desconhecido por mim até então me fez ansiar por muitos tesouros que ainda possam estar escondidos do grande público. Em meio a lapsos dissonantes de causar avaria até nos ouvidos mais calejados, temos a constatação de que de fato eles são como escultores, moldando e esculpindo seu som extremo no formato como o conhecemos ao longo do tempo.
Muito haveria de ser dito acerca de tão abrangente obra do caos sonoro, mas vou me abster da prolixidade e me ater aos destaques, embora tudo que venha destes sujeitos seja da mais completa relevância. O Napalm de raiz, engajado e selvagem chega arrombando a porta do conformismo com vigor em “Standardization”, uma sobra de estúdio de “Utilitarian” (2011), que vem na sequência mantendo as coisas em ruínas. “Like Piss to a Sting” e “Where the Barren is Fertile” (ambas de um sombrio split com o Melt-Banana de 2014) não têm tanta notoriedade, mas servem pra elucidar o porquê do Napalm Death ser considerado o genuíno fundador do Grindcore e ponto final.
“Earthwire” é um single lançado alguns meses depois de “Apex Predator – The Easy Meat” em benefício às vítimas do terremoto que assolou o Nepal em 2015, e traz a banda sensivelmente mais contida, mas ainda intensa e pesada como uma tijolada no testículo esquerdo. “Will by Mouth”, extraída de um split de 2012 em conjunto com o Converge, é aquele tapa na cara com luvas de aço, harmonizando Grind e Hardcore de forma precisa.
“Oxygen of Duplicity” e “Omnipresent Knife in your Back” já fogem totalmente da zona de conforto da turma de Barney, por isso são tão insólitas, ainda que sejam grandes composições. O talento nato em criar novas versões para faixas de artistas desconhecidos é algo latente no Napalm Death, por isso, “To Go Off and Things” (Cardiacs, originalmente presente no split com o The Melvins de 2013), “Clouds of Cancer/Victims Of Ignorance” (cover do G-ANX, um arroubo psicótico sem precedentes), “Crash de Pose” (Gauze, presente na edição japonesa de “The Code is Red…Long Live the Code”de 2004), entre outras, marcam presença e mostram uma banda versátil, porém sem se desvencilhar de sua linha de raciocínio.
“Coded Smears and More Uncommon Slurs” é entretenimento extremo dos melhores, permitindo ao fã nutrir ainda mais admiração pelo grupo, e para quem não conhece, esta é a oportunidade perfeita para ser devidamente arrebanhado. Muito obrigado, Barney, Shane, Mitch e Danny! Vou ali me recuperar e já volto!
Ricardo L. Costa
