Local: Carioca Club Pinheiros, São Paulo/SP
Data: 08/12/2017
Bandas de abertura: Saturndust e Deaf Kids
Produtora: Abraxas
Por Mauro B. Fonseca
Ainda estou me acostumando com estes horários de shows de Metal aqui em São Paulo. Então, próximo das 18 horas eu me aproximo do Carioca Club, em plena sexta-feira, com a luz do sol ainda iluminado o céu e pensando: “Não terá ninguém na porta, a casa nem abriu e eu vou ficar uma cara esperando para entrar”. Não poderia estar mais enganado. Fila na porta, um amontoado de fãs em frente à casa, a fila de entrada a todo vapor, funcionários em seus postos e atendendo com grande cortesia a todos. Sem grande dificuldade entro na casa.
No horário marcado (se não tínhamos exemplos de pontualidade no underground, ultimamente me parece que isso está se tornando um ponto em comum com os profissionais do mainstream) sobe ao palco Saturndust, banda de Doom Metal, mas com algumas climatizações mais modernas e experimentações sonoras. O que mais me impressionou nesta banda foi o peso das músicas (com o perdão da palavra, mas puta que pariu que peso descomunal naquela única guitarra!) e o fato de serem um trio. Abanda demonstra no palco um pouco da atitude punk do: “nem ligo se o público está aí, vim tocar e foda-se!”, mas com o maior respeito. Foi impossível manter o meu pescoço parado durante o show destes caras. O show terminou pontualmente a tempo de ser possível arrumar o palco para a próxima banda.
Deaf Kids banda de hipnobeat (???), que apresenta uma veia um pouco mais Hardcore e muitos, muitos, muitos, mas muitos efeitos sonoros nas vozes e guitarra, com grande utilização da experimentação sonora em suas faixas. Senti falta do som pesado da guitarra, aquele som característico que amo, mas me fez prestar bastante atenção no baterista, que toca muito, muito mesmo. A banda também é um trio, e usou do seu tempo para satisfazer os seus fãs (aparentemente haviam muitos deles na casa, uma vez que a cada final de música foram muito aplaudidos). Pontualmente acabam o show e se retiram do palco.
Vale ressaltar que durante os dois shows das bandas de abertura, ocorreu entrada de pessoas na casa, acredito que o show da banda principal transcorreu para um público que quase atingiu a capacidade de lotação do local.
Pontualmente adiantados (pelo meu relógio entraram 3 minutos antes do horário no palco) começa o show do Neurosis, banda esperada pelos fãs nesta noite. Os californianos que faziam um Hardcore e Punk, e que agora tocam um Progressive Sludge Metal/Post-Hardcore/Tribal/Ambient (???), que eu traduzi para o meu cérebro como “peso, ira e melancolia” juntos. Também usam muitos efeitos sonoros e bastante experimentação sonora. O som da banda é bem grave e é possível sentir (sim sentir mesmo, a casa toda treme ao som do instrumento) o baixo durante toda a apresentação. As guitarras são uma tijolada na orelha, apesar das músicas serem arrastadas e cadenciadas, lembrando muito a sonoridade gótica.
Outra coisa que estranhei também foi o fato de que houve zero interação com o público (exceção feita ao baterista que ao se retirar do palco fez uma reverência ao público e saiu). Não houve uma fala, um aceno, nada, e ainda assim o público reagiu a cada final de música. Entre uma música e outra houve sempre um efeito sonoro. Os músicos pareciam estar em uma espécie de transe no palco e o público acompanhava com um leve balançar das cabeças música após música até o final do show. O show oscilou entre acalmaria e a agitação, mais ou menos como um cérebro neurótico, com ruídos e efeitos sonoros permeando as músicas, encerrando a noite com uma explosão de aplausos do público presente. Os fãs obtiveram o que esperavam, os músicos aparentemente, também, obtiveram o que esperavam do show e a noite se encerrou a tempo de ir de metrô para casa. Ainda preciso me acostumar com estes horários “europeus” de shows.
Gostaria de destacar a qualidade sonora que se manteve igualitária em todas as apresentações, mérito das bandas e dos equipamentos fornecidos pela casa. Excelente para o público que vivencia uma grande experiência quando vai aos shows.
Para finalizar, gostaria de agradecer a Erick Tedesco e Produtora Abraxas pelo tratamento de sempre dado ao Metal Na Lata para a cobertura do show.
Divirta-se! (Ou, no caso, se divertiu?)
Setlist Neurosis:
Lost
The Web
A Shadow Memory
Locust Star
Fire Is The End Lesson
Water Is Enough
Broken Ground
Takeahnase
At The End Of The Road
Bending Light
Stones From The Sky
The Doorway
