No Hot Ashes – “NHA” (2018)

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No Hot Ashes
 – “NHA” (2018)

Frontiers Music
#ClassicRock#MelodicRock#AOR

Para fãs de: JourneyForeignerAlias

Nota: 9,0

Certas histórias, se não fossem reais, seriam difíceis de acreditar. Mais de três décadas atrás, o No Hot Ashes emergia como uma nova força no rock irlandês do norte. Inspirados por uns que estavam em alta na época, como Journey, Foreigner, e outros que já haviam dado sua contribuição mais permanente para a música — caso de Thin Lizzy e UFO —, Eamon Nancarrow (vocais), Paul Boyd (baixo), Tommy Dickson (teclados), Steve Strange (bateria; não confundir com o finado vocalista do Visage) e os guitarristas Niall Diver e Davey Irvine começaram a compor material e se apresentar regularmente. A repercussão de seu primeiro single, “She Drives Me Crazy” (1986), os levou para a estrada. Dois anos mais tarde, um contrato seria assinado com a GWR Records para a gravação de seu primeiro álbum. Em 1990, com o álbum gravado mas nunca lançado, o No Hot Ashes se deu por vencido: de volta aos empregos normais… até 2013, quando o que era pra ser apenas um show comemorativo reacendeu no sexteto a velha chama, e, de 2014 para cá, não faltaram tanto shows abrindo para gigantes — Aerosmith, Scorpions, etc. — como participações em festivais que dispensam comentários, como Download Festival, Rockingham e o Frontiers Records Festival.

Era chegada a hora, então, de registrar em disco o classic rock contemporâneo com doses cavalares de melodia do sexteto… aí, Paul Boyd foi diagnosticado com o câncer que acabaria por vencê-lo em janeiro de 2017. Felizmente, o baixista conseguiu gravar suas partes e “NHA”, além de tirar o atraso de trinta anos, serve como uma homenagem ao fundador da banda, que pretende cair na estrada e promover sua obra como se não houvesse amanhã. A título de referência, se na fatia instrumental, o som nos remete ao one hit wonder Sheriff (“When I’m With You”) e à sua versão 2.0, Alias (do Lovy Metal “More Than Words Can Say”), a voz de Eamon Nancarrow, devido ao leve acento country, traz à mente um Bret Michaels menos afetado — e certamente com menos laquê e maquiagem. E por mais que essa vertente requeira produções mais pasteurizadas — correndo, automaticamente, o risco de soar artificial demais —, o que se obteve aqui foi o famigerado meio-termo ao qual Aristóteles se refere como “a perfeição”. Quem se apega ao caráter técnico da coisa tem motivos de sobra para ouvir de cabo a rabo com um sorriso de orelha a orelha.

Que os deuses do AOR concedam sua graça na forma de ventos favoráveis. E que não sejam necessárias mais três décadas e algumas (muitas) pedras no meio do caminho para que um novo álbum saia do forno.

Marcelo Vieira

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