No Mans Land – “Cover Story” (2018)
Independente
#PunkRock, #StreetPunk, #Oi
Para fãs de The Clash, Rancid, Cockney Rejects, Cock Sparrer
Nota: 9,5
A aposentadoria, invariavelmente, chega para todos. Pelos mais diversos motivos, bandas vem e vão, e é chegada a hora de pendurar as chuteiras, neste caso os coturnos, para o No Man’s Land.
Uma das bandas mais representativas, e porque não prolíficas, da cena Punk/Oi asiática traz em “Cover Story” seu canto do cisne. Como o próprio título do trabalho já entrega, o mesmo trás 14 releituras de clássicos obscuros do Punk – em sua maioria do cenário inglês -, que influenciaram o quarteto indonésio e os ajudaram a edificar sua própria personalidade, portanto, “Cover Story” é muito mais uma homenagem, um sincero agradecimento, aos seus mestres.
Lançado de forma totalmente independente, num formato mais Punk impossível (a saudosa fitinha k7) e numa tiragem ultra limitada, a banda parece querer permanecer no underground, que é o ambiente onde se sente à vontade para expor sua arte, e te digo uma coisa: que material empolgante, puta merda.
Poucos minutos de “Cover Story” já são mais que suficientes para você libertar o punk bebum aprisionado que existe em você e sair distribuindo socos e pontapés pelo ar. A simplicidade, a melodia, a atmosfera amigável e os refrãos grudentos permeiam o trabalho do início ao fim, e quando você percebe já está entoando o coro de “oooo ooo ooo” pra todo mundo ouvir.
Apesar da forma despretensiosa como fora lançado, “Cover Story” é amparado por uma excelente qualidade de gravação, que realça e evidencia o real potencial dos caras em produzir música básica da melhor estirpe.
Os destaques são muitos, praticamente o disco (ops…fita) inteiro, mas posso enumerar a faixa inicial “Oi! Oi! Oi!” (Cockney Rejects), “Garageland” (The Clash, talvez a referência mais conhecida), “G.L.C.” (Manace) e “Suburban Rebels” (The Business) como as melhores versões, onde o No Man’s Land praticamente se apropriou das mesmas, tamanha a naturalidade com que são executadas, dando até a impressão de que são composições próprias.
Enfim, é lamentável que uma banda tão bacana tenha que encerrar suas atividades, porém, o que conforta é que seu legado será eternamente mantido, e “Cover Story” é parte importante dessa história.
Ricardo L. Costa
