No More Death – “The Death Is Dead” (2025)
Independente
#ThrashMetal
Para fãs de: Slayer, Testament, Exodus, Metallica, Megadeth, Anthrax
Texto por Johnny Z.
Nota: 9,0
Há músicos que desaparecem por anos e, quando voltam, têm medo de se arriscar, tentam continuar de onde pararam ou até retornam como versões pálidas de si mesmos. E há aqueles que voltam como se tivessem passado todo esse tempo afiando sua própria essência em silêncio, esperando o momento certo para romper a superfície com algo feroz e incontornável, provando que viraram a página em direção ao futuro.
Tiago Torres, líder do No More Death, claramente pertence ao segundo grupo. Após escrever capítulos importantes do Thrash Metal brasileiro com o Mad Dragzter — banda que marcou uma geração e que tive o privilégio de resenhar no passado, na minha época de Roadie Crew — o músico ressurge com o No More Death, seu novo projeto, não para revisitar lembranças, mas para incendiar o presente com convicção. Sem nostalgia barata, sem acenos ao algoritmo, sem modismos: apenas a urgência de quem precisa criar, custe o que custar.
“The Death Is Dead”, álbum de estreia, nasce desse impulso. E não soa como um recomeço — soa como um manifesto de olho aberto para o futuro. São oito faixas forjadas na força do braço, ou seja, na raça mesmo, com Tiago assumindo todas as guitarras, baixo e vocais, mantendo o espírito criativo que sustentou o Mad Dragzter entre 2001 e 2015. Ao lado dele, Demis Kohler — co-produtor responsável pela engenharia de som, mixagem, masterização e todas as guitarras solo — dá forma final a um disco que recusa qualquer maquiagem. Aqui não há preocupação em soar moderno; há preocupação em soar verdadeiro. É metal quente, cru, direto ao ponto, transpirando a estética de uma era em que o Thrash se alimentava de raiva e propósito, não de plug-ins, vernizes ou modismos, e muito menos do mi-mi-mi choroso de metalcore que alguns fãs de hoje em dia acham que é a salvação (?) da lavoura.
A faixa-título abre o álbum com um ataque frontal, uma mistura de riffs afiados e peso que remete imediatamente ao espírito das bandas da Bay Area dos anos 80 — a fonte primordial do gênero — ainda que respirando aquela acidez brasileira impossível de reproduzir em qualquer outro lugar do mundo. Em “Thy Glory”, o vigor remete ao velho Metallica e a toques de Testament, com refrões surpreendentemente melódicos dentro do contexto. “Great White Throne” apresenta uma estrutura mais elaborada, riffs e linhas de baixo entrelaçadas e um solo de Kohler que rasga o ar sem pedir licença. Já “Forever Young”, talvez uma das faixas mais fortes, mostra a capacidade do No More Death de combinar velocidade e emoção, com ecos de Megadeth e Metallica que não anulam a personalidade própria da composição.
A violência continua em “Sons of Light” e “Annihilated”, ambas intensas e carregadas daquela fúria que define o thrash mais tradicional. “Dreams About Eternity” diminui ligeiramente o andamento, revelando a faceta mais melódica do projeto — melódica dentro dos limites possíveis, porque nada aqui perde o corte ou o peso característico. E quando “Love Is Immortal” encerra o álbum, com uma introdução que lembra o metal tradicional antes de mergulhar novamente na brutalidade, fica muito claro — pelo menos para mim — que este trabalho não é um simples álbum convencional, mas uma cartilha de como fazer metal pesado com classe e ganho de causa.
O conceito por trás do álbum também merece destaque. Em vez dos clichês habituais do gênero, Tiago constrói uma narrativa sobre a morte — não como fim, mas como entidade a ser enfrentada, derrotada e transcendida. Sim, são temas cristãos; qual o problema? Deixa de ser xiita e curta o som! Enfim, esses temas se encaixam organicamente na fúria da música, criando uma atmosfera quase ritualística. A performance vocal de Tiago acompanha essa proposta: não há teatralidade excessiva, mas uma honestidade crua e muito humana que dá peso real a cada verso, cada palhetada. E acredite: aqui tem bastante!
Em se tratando de sonoridade, “The Death Is Dead” é um álbum independente que soa exatamente como pretende soar: guitarras sobrecarregadas, riffs esmagadores, baixo firme reforçando a base, bateria programada surpreendentemente viva e uma mixagem que privilegia impacto acima de refinamento. Ou seja, não nasceu para reinventar a roda nem criar uma nova vertente — aqui temos metal como tem que ser: direto, sem maluquices ou invencionismos. Até a capa simples já dá claras pistas do que está por vir.
Como dito antes, a banda não entrega virtuosismo ou sutilezas; entrega Thrash Metal puro, impiedoso e Old School. Não há crossover, não há experimentalismo, não há modismos. O propósito é claro: expressar a fúria e a força primitiva que moldaram o gênero desde seus primórdios. E sejamos coerentes: Tiago soube exatamente como fazer isso — parecendo fácil!
Que o No More Death nunca seja No More Thrash (ok, foi infame essa ha ha ha), e que venham novos capítulos! Thrash rules!





