
Título: Nöthin’ But A Good Time: A História Completa e Sem Censura do Hard Rock Anos 80
Autor: Tom Beaujour e Richard Bienstock
Tradução: Marcelo Vieira
Editora: Estética Torta
Páginas: 608
Ano: 2022
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O Hard Rock dos anos 80 é um dos estilos mais celebrados dentro do cenário do rock mundial. Muitas bandas, artistas e discos incríveis surgiram dessa época, mas também aqueles que falam do estilo com desdém, e que escreveram querendo tirar sarro dos estilos de roupa, das letras ou dos vídeos musicais exagerados. Felizmente esse não é o caso do livro “Nöthin’ But A Good Time: A História Completa e sem Censura do Hard Rock Anos 80” dos autores Tom Beaujour e Richard Bienstock, lançado no Brasil pela Editora Estética Torta. Os escritores têm uma visão bem detalhada da cena musical da época, que começou em pequenos clubes e expandiu-se para o mundo no caso de muitas bandas. Os coautores na introdução afirmam que estão fazendo com que os entrevistados apenas contem a história, sem preconceito, e não peçam desculpas por suas ações. É essa visão objetiva que torna esta escrita um item obrigatório para os fãs de música em suas coleções.
O livro entrevista muitas personalidades da música da década, de membros originais que não estavam com as bandas nas turnês mundiais e nacionais, designers de roupas e até executivos e gerentes de gravadoras. Alguns dos que estão no livro incluem membros do Skid Row, Warrant, Cinderela, Dokken, Vito Bratta, Taime Downe, os irmãos Nelson e muito mais. O início do livro tem várias páginas preenchidas com os nomes das pessoas entrevistadas e seus cargos para uma referência rápida para voltar quando necessário. Eles dão suas ideias sobre os primeiros dias de tocar em bandas, as trocas de membros entre grupos, e as rivalidades até criarem a visão que chegaria a MTV e dominaria toda a cena e além, tudo em uma linha do tempo histórica começando com o sucesso do Van Halen no final dos anos 1970. Ele também cobre as cenas na Califórnia ao redor da Sunset Strip, como as bandas da Costa Leste, como Twisted Sister, ajudando a tornar os que não eram parte da cena de L.A. em bandas de sucesso também. O Quiet Riot é outra banda considerada pioneira e inspiração para bandas como Ratt, Poison e Mötley Crüe, que começarem a liderar Hard Rock, apresentando seus shows coloridos e cheios de caos, que se estenderam para a vida fora dos palcos.
Novamente vale destacar que as histórias são contadas pelas pessoas que estiveram envolvidas na cena, não apenas os músicos, mas empresários e donos de gravadoras que ajudaram a promover as bandas opinando sobre as situações e eventos. Histórias como as guerras de pôsteres que aconteciam, onde eles grampeavam panfletos dos próximos shows ou discos pela cidade, e que eram cobertos por outras bandas e assim sucessivamente, os primeiros registros tocados em rádios, como o Great White ouvindo pela primeira vez “Out Of The Night” tocando, e se torna impossível não ficar emocionado com a alegria compartilhada pelos integrantes. Outro detalhe interessante no livro é como a jaqueta do vocalista do Warrant, Jani Lane, presente em um videoclipe da banda, inspirou Michael Jackson a procurar o mesmo designer para sua própria jaqueta personalizada. O livro aborda tambem a importância do filme de 1988 “The Decline of Western Civilization Part II: The Metal Years”, o surgimento das Power Ballads (que é apontado como um dos fatores de os fãs do sexo feminino compraram mais discos do que os do sexo masculino) e a supersaturação das bandas no final da década.
No final do texto, é discutido por alguns dos presentes na cena o porquê as bandas de Glam terminaram não apontando o dedo apenas para o Grunge que surgiu (mesmo com muitos músicos mostrando como o som feito por Nirvana e Alice In Chains foi algo revolucionário, pesado e “rock n’ roll de verdade”), mas como a mudança na forma de calcular as vendas (o inicio do SoundScan (um sistema de informação criado por Mike Fine e Mike Shalett, trabalhadores da empresa Nielsen Company, que faz todos os levantamentos de vendas de música e produtos de vídeo em todo o território norte-americano e ainda canadiano), o fato de membros da banda não se darem bem, alem dos vícios em drogas, turnês ininterruptas e os holofotes sobre a AIDS que foram levantados e acabaram levando pessoas a abandonarem os dizeres “sexo, drogas e rock n’ roll”.
O livro termina de uma forma otimista, mostrando como algumas bandas ainda estão fortes, agora rotuladas como “Classic Rock”, realizando shows em cassinos, cruzeiros e festivais, onde o público mais jovem pode conhecer e saber como eram as bandas que seus pais gostavam. É uma obra bem escrita, com o toque especial que a Estética Torta sempre dá a seus livros, tendo mais de 600 páginas e cheia de detalhes. Esse é um livro para pessoas que viveram a cena Hard Rock dos anos 80, para os que amavam e ainda amam o estilo e que não estão procurando nada mais que diversão. Coloque sua playlist de Glam, Hard Rock, Farofa, Hair Metal ou qualquer outra forma que queira chamar, e entre numa viagem cheia de nostalgia e músicas incríveis.
Lucas David









