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O Trio de Ouro Britânico e o Pântano Americano – A Genealogia do Death/Doom Metal

O Pântano Apodrecido

O Pântano Apodrecido

O Trio de Ouro Britânico e o Pântano Americano – A Genealogia do Death/Doom Metal

Ainda que Black Sabbath, Pentagram, Trouble, Candlemass, Sorcerer, Saint Vitus, Doomocracy, entre outras, representem a melhor definição de Doom Metal, nem só de Epic vive o subgênero mais sombrio do Metal.

Na década de 1980, logo após a explosão da NWOBHM, quando a música extrema começou a nascer, sem surpresa alguma, muitas bandas responsáveis pela mesma tinham como influências os riffs sombrios e macabros do mestre Tony Iommi. Ou seja, mesmo buscando uma sonoridade mais suja e agressiva do que tudo havia sido feito antes, não conseguiam fugir totalmente das raízes que deram vida a todas as ramificações do Heavy Metal. Foi dessa contradição – querer ser mais extremo que o Thrash, mas ainda carregar o fantasma de Iommi nas costas – que nasceu o Proto-Death/Doom.

Proto-Death/Doom

O Enlutado Gótico

Atualmente integrante do Triptykon e Triumph of Death, o vocalista/guitarrista suíço Tom G. Warrior está entre os pioneiros do Metal Extremo por sua participação nas bandas Hellhammer e Celtic Frost. Thomas Gabriel Fischer, que é seu verdadeiro nome, é visto por muitos como o pai do Black Metal, mesmo que alguns atribuam essa paternidade ao Venom.

Tom Warrior é para muitos o pai do Metal extremo

Como semente primordial do Metal Extremo, a sonoridade do Celtic Frost era uma salada que mesclava elementos de Black, Death, Gothic e, da mesma forma, riffs arrastados que caracterizam o Doom.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, o Dream Death, banda americana da cidade de Pittsburgh/Pennsylvania, juntava Thrash e Doom, fazendo nascer o álbum Journey into Mystery (1987). Também na América, ao mesmo tempo, nascia o Death Metal. Duas bandas, sobretudo, merecem menção como Proto-Death/Doom: Autopsy e Obituary.

Os primeiros lançamentos das bandas americanas de Death Metal, Autopsy e Obituary

A banda californiana Autopsy iniciou suas atividades em 1987. Dois anos mais tarde, eles lançaram seu disco de estreia, o clássico cult Severed Survival (1989). Dentre as onze músicas do álbum, “Charred Remains”, “Gasping for Air” e “Ridden with Disease” já podem ser definidas como Death/Doom, embora esse estilo ainda não existisse oficialmente. Da mesma forma, seu segundo full-length, Mental Funeral (1991), tem “Twisted Mass of Burnt Decay” e “In the Grip of Winter”, ambas canções de Doom com vocal gutural.

Autopsy – Reprodução – Acervo Web

O Obituary, uma das bandas mais importantes da Flórida, iniciou sua discografia com Slowly We Rot (1989), que possui as faixas “Gates to Hell” e “Slowly We Rot”. São riffs pantanosos, arrastados e lúgubres, características fundamentais do Death/Doom. Em seguida, Cause of Death (1990) trouxe mais dois Proto-Death/Dooms: “Chopped in Half” e “Dying”.

Obituary – Reprodução – Acervo Web

O Trio de Ouro Britânico – Peaceville Three

Antes que o Death/Doom se espalhasse pelo globo, três bandas britânicas consolidaram essa versão extrema do subgênero mais sombrio do Heavy Metal: Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema. Além da sonoridade, as três tiveram em comum o contrato com o selo Peaceville Records, ficando imortalizadas como a Peaceville Three.

Paradise Lost

Nick Holmes – Reprodução Metal Archives

As atividades do Paradise Lost tiveram início em 1988, em Halifax/West Yorkshire, no entanto, seu álbum de estreia, Lost Paradise, só foi lançado em 1990. O Death/Doom desse debut tem como referência o som cru do Celtic Frost e do Autopsy, principalmente por conta do vocal gutural de Nick Holmes, um dos ícones do estilo.

No ano seguinte veio Gothic (1991), tão Death/Doom quanto Lost Paradise, mas já com a adição dos vocais femininos de Sarah Marrion. Nos lançamentos seguintes, Shades of God (1992) e Icon (1993), vocais limpos e guturais se alternam e os vocais femininos de Sarah Marrion e Denise Bernard trabalham juntos. Dessa forma, se dá o nascimento do Gothic Doom.

Apesar das críticas dos fãs por causa de Draconian Times (1995), no qual a banda abriu mão da sonoridade que a consagrou, posteriormente o Paradise Lost resgatou suas origens e carrega o legado do Death/Gothic/Doom até hoje.

My Dying Bride

Em 1990, a cidade de Bradford/West Yorkshire viu nascer seu filho macabro, My Dying Bride, a princípio como um quinteto. Em 1992 foram lançados seus dois primeiros registros, o EP Symphonaire Infernus et Spera Empyrium e o álbum completo As the Flower Withers.

O som da banda é, ao mesmo tempo, depressivo e belo, o ápice do sofrimento da Peaceville Three. Os discos seguintes, Turn Loose the Swans (1993) e The Angel and the Dark River (1995), são igualmente marcantes. O violino de Martin Powell e o vocal de Aaron Stainthorpe soam de maneira ímpar.

Daí em diante, o My Dying Bride seguiu oferecendo Death/Doom de qualidade aos seus fãs, tanto que é a minha favorita do subgênero lúgubre e fantástico.

Anathema

Inicialmente chamado de Pagan Angel, o Anathema nasceu em 1990 em Liverpool/Merseyside. Dois anos depois, o EP The Crestfallen (1992) deu início à sua discografia.

Em 1993, finalmente, veio seu primeiro full-length, Serenades. Aliás, esse é um dos principais clássicos do Death/Doom. No álbum seguinte, The Silent Enigma (1995), a sonoridade sofreu importantes alterações, além de mudanças no line-up. Contudo, o Death/Doom ainda continua presente aqui.

Depois disso, a banda abandonou de vez o uso do gutural, optando somente por vocais limpos. Assim sendo, a sonoridade de outrora tornou-se Atmospheric Progressive Rock.

Infelizmente, suas atividades se encerraram em 2020.

The Cross, o representante brasileiro do Death/Doom

Eduardo Slayer – vocalista do The Cross – Reprodução Metal Archives

Na cidade de Salvador/BA, em 1990, nasceu o The Cross, uma das principais bandas da cena underground soteropolitana. Entre idas e vindas, em 2015, o EP Flames Through Priests enfim inaugurou sua discografia. Contudo, seu primeiro álbum completo autointitulado só foi lançado em 2017.

Em 2022, o excelente Act II: Walls of the Forgotten foi o segundo capítulo completo dessa importante história. Logo depois desse lançamento, Eduardo Slayer (vocalista) e seus asseclas, merecidamente, ganharam ainda mais visibilidade na cena internacional, inclusive lançando os singles “Leviathan’s Lament”, com a participação de Michael Stavrakakis (Doomocracy), e “The Fever Sea” (cover do My Dying Bride), com a participação de Aaron Stainthorpe (ex-vocalista do My Dying Bride) e Mika Filborne (tecladista do Saturnus).

Resumindo, o Death/Doom Metal brasileiro fazendo bonito para o mundo, mostrando que no Brasil há muita qualidade

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