Obscuro Fest #5 – Augusta 339, São Paulo/SP (08/06/2019)

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Obscuro Fest #5
Bandas: PentacrosticMandibullaPesta e Chant of the Goddess
Local: Augusta 339, São Paulo/SP
Data: 08/06/2019

Texto por Wallace Magri
Fotos por Leandro Pena

Dia 8 de junho rolou mais uma edição do Obscuro Fest aqui em São Paulo, contando com cinco bandas, sendo quatro de São Paulo – Chant of the GoddessMandibullaPentacrostic – e uma de Minas Gerais, o Pesta.

Nessa minha atividade no Metal Na Lata, que vai para três anos, já cobri todo tipo de show: estreei em um Festival Open Air – Maximus Festival – e depois cobri apresentações de bandas em grandes casas (Carioca Club, Tropical Butantã), outras mais acanhadas (Hangar 110, atual The House, Manifesto, Sesc Belezinho), com público oscilando bastante, por uma série de fatores – muitos shows acontecendo ao mesmo tempo; má divulgação; ingressos caros; bandas decadentes.

Fui também a alguns festivais nacionais, a maior parte deles um fracasso de público e organização, criando um clima de fim de festa do começo ao fim do evento.

Felizmente, não foi o caso deste festival de Doom/Stoner Metal, primorosamente organizado pela Submundo Produções, com o apoio da Lucifer Rising e outras pessoas/empresas que dão suporte à cena nacional do estilo – que é muito forte e me surpreendeu positivamente.

Ao longo da noite, cerca de 300 pessoas se amontoaram no apertado espaço destinado às apresentações ao vivo. E, no “quintalzinho salvador” da Rua Augusta 339, casarão paulistano antigo adaptado para casa de espetáculos, além da fumaça rolar solta com diversos aromas, havia bancas vendendo CDs de bandas consagradas do Doom, Death e Black Metal, além de trabalhos e camisetas de bandas independentes do cenário nacional, tais como das que que se apresentavam nesta noite, também do Kultist, Social Chaos, entre outras.

Chant Of The Goddess

O Festival começa com o Power-trio de Stoner/Doom Metal Chant Of Goddess, formado por jovens, que focou seu show nas músicas do seu próximo trabalho e apresentou um show condizente com sua proposta, com destaque para a inspirada performance do baterista Guilherme Cillo.

Se bem que a banda toda é muito competente, mas precisa gerenciar melhor a ocupação do palco e profissionalizar a postura – por sinal, foi a única banda que não enviou antecipadamente o set list e que, por castigo, vai ficar sem divulgação. Eu até poderia ter ido atrás, mas resolvi colaborar divulgando o show dos caras da forma como eles o entregaram.

Na próxima eles aprendem, são bem jovens ainda…

 

Mandíbulla

Por sinal, um bom jeito do Chant Of Goddess aprender a agir como banda grande, não importando o tempo de estrada, ou se é banda de abertura, ou qual o tamanho do local em que se apresentam, seria começar ficando para assistir ao restante do Festival e conferir a próxima banda: o Mandíbulla.

Aí a coisa ficou seria. A banda se apresenta com um profissionalismo acima da média em todos os detalhes: banda bem ensaiada, músicos talentosos, presença de palco devidamente adaptada ao espaço disponível, som muito bem equalizado. O vocalista Cris Splatterhead interpreta as letras das músicas com um vigor incrível e leva adiante o Doom/Stoner Metal da banda todo cadenciado, com inserção de pianos mecânicos muito bem sacados nos arranjos. Realmente impressionante, valendo conferir a belissima “Underwater Grave”, do álbum “Bleeding Black” – disponível no bandcamp ( https://mandibulla.bandcamp.com/releases).

Hoje o Mandibulla conta com: Cris Splatterhead (vocal), Helder Tiso (bateria), Felipe Knoller (guitarra), Leonardo Saldiva (baixo) e Ricardo Siqueira (guitarra solo), todos muito técnicos e com talento acima da média, do tipo de dar lição para muito nego de banda gringa por aí!

Setlist Mandíbulla:

Damn Demons of Despair
A Dream With A Dream
Underwater Grave
The Garden
Into the Dead Village
Alone

 

Pentacrostic:

Se tem uma coisa de que o Brasil não tem do que reclamar é da quantidade de boas bandas que militam no underground atualmente – uma delas é a veterana Pentacrostic, surgida no final dos anos 80/início dos anos 90 e que tem uma pegada bem Black/Death, que por vezes deriva para um Doom Metal bem soturno.

A banda é fantástica e precisa ao vivo, o som está muito bem equalizado, qualidade sonora reverberando pela casa – literalmente. Realmente, esse clima de bar escuro, lotado, com gente passando pra lá e pra cá atrás de mais cerveja, um cigarrinho e tal, dá uma dinâmica diferente para quem acompanha os shows.

Essa era a banda certa para uma meditaçãozinha negra básica nesta noite, concentrando a mente nas levadas absurdamente técnicas do baterista Fernando Tropesso, responsável direto pela sessão de descarrego da pesada neste evento!

O guardião do legado do Pentacrostic é Marcelo Sanctum (vocal e baixo) que, ao lado de Fábio Jhasko e André Gubber (guitarras), invocam sublimes forças da noite escura, como em “Suffering From a Blessing” e “Thorn Ways” – essas com um lance mais épico e orquestral, contando com melodias dissonantes num crescendo agressivo muito bem executado.

Tem espaço para dois covers: “Fallen Angel”, do Vulcano e “Midnight Queen”, do Sarcófago, para o delírio da ala mais Death/Black do evento, que certamente saiu energeticamente renovada depois da impecável apresentação desta seminal banda brasileira.

Setlist Pentacrostic:

Morbid Desires
Tormented Souls
Lost Int The Void
The Abstract Limits of the Unkown
World in Corrosion
The Giants Of The Nordic Flames
Cult Of Ilussion
The Suffering From a Blessing
Thorn Ways
Fallen Angel (Vulcano)
Hammer Of Silent Storms
Beyond The Conscience
Midnight Queen (Sarcófago)

 

Pesta:

Já vai chegando a meia-noite, rapaziada aproveitando para dar um esquenta no quintalzinho limpeza, e eis que o som do Pesta começa a ecoar nos auto-falantes, arrastando todos os presentes para dentro da sala novamente.

Para quem ainda não ouviu o som dos caras, essa banda é mais atmosférica, sabbathiana, com toques de psicodelia setentista nas levadas, vocais soltos em reverberações e muita inspiração, a cargo de Thiago Cruz.

A essa hora, o ambiente retrô toma conta do ambiente, tudo remetendo aos anos 70, especialmente quando tocam “Witches Sabbath”, que faz alusão direta às músicas daquele que foi o álbum responsável por tudo o que está acontecendo aqui em São Paulo nesta noite, neste Festival imerso numa celebração arrastada, macabra, luciferiana e, sobretudo, divertida. Não sei se Iommi e companhia tinham ideia da Besta que estavam criando em Birmingham, Inglaterra, em 1970, quando lançaram o álbum homônimo do Black Sabbath, mas, que fiquem sabendo que seu legado está em ótimas mãos com o Pesta: já podem seguir tranquilamente para o Inferno, pois foram bem sucedidos em sua missão por aqui, criando mais um herdeiro direto de seu legado!

Aproveitam esta noite de celebração para apresentar outras músicas que fazem parte de seu novo álbum, “Faith Bathed In Blood”, tais como “Hand Of God” e “Moloch’s Children”, outro petardo cuja execução ao vivo é de se aplaudir de pé, tamanho o brilhantismo e profissionalismo com que Anderson Vaca (baixo, backing vocals), Flávio Freitas (bateria), Daniel Rocha e Marcos Resende (guitarras), além do já citado Thiago Cruz (vocais) entregam na interpretação de suas músicas nesta noite.

Banda pronta para tocar em qualquer parte do mundo, ao lado de toda banda que você possa estar imaginando neste momento. Se duvida, não deixe de adquirir o álbum dos caras “Faith Bathed in Blood”, também disponível na plataforma bandcamp (https://pestadoom.bandcamp.com/album/faith-bathed-in-blood).

Aparentemente o set list foi reduzido devido ao adiantado da hora, de todo modo vamos divulgar o set completo que nos foi entregue antes do evento.

Setlist Pesta:

The Possession
Words of a Madman
Hands of God
Witche’s Sabbath
Moloch’s Children
Antropophagic
Nightmare
Black Death
March Of Death
4th Horseman
Pyle’s Ballad
The Prayer

 

A verdade é que tem muita coisa acontecendo nas esquinas e no underground de São Paulo. Nessa noite tive a certeza de que um movimento que nasceu de geração espontânea – sem o apoio da grande mídia lá no início dos anos 80 aqui no Brasil – sempre vai achar uma forma de resistir, seja como for. Talento das bandas e pessoas decididas a dedicar um pouco de seu tempo e muito de seu entusiasmo para isto acontecer, temos aos montes.

Agora, precisa você também decidir sair de casa, ao invés de viver o mundo através dos posts dos outros pelo facebook, e ajudar a ocupar a cidade e marcar ponto ajudando a fazer barulho e amplificar a cena musical que nos alimenta e que depende de nós para sobreviver.

Que venha a próxima versão do Obscuro Fest, que certamente estarei lá. Sempre avante, pelo Metal!!!!!!!

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