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Oceans Of Slumber – “Oceans Of Slumber” (2020)

Oceans Of Slumber“Oceans Of Slumber” (2020)
Century Media Records
#ProgressiveMetal, #DoomMetal, #Rock

Para fãs de: Opeth, The Gathering, Madder Mortem

Nota: 9,0

Um trabalho todo baseado em contrastes; agressivo e sereno, técnico e simplista, urgente e íntimo, poderoso e delicado — esse é o novo — homônimo e quarto trabalho de estúdio dos texanos do Oceans Of Slumber. O sucessor de “The Banished Heart” (2018), traz o sexteto no auge de sua maturidade musical, embora sua personalidade continue amorfa e audaciosa, o que passa longe de ser um problema, pois esse não se enquadrar resulta em álbuns que são legítimas experiências multidirecionais, sensoriais e intensas.

Sustentado por colunas sentimentais e tendo em Cammie Gilbert a sua porta-voz, o Oceans Of Slumber apresenta um vasto catálogo de ideias e combinações que, não foram somente bem executadas, mas sim, estudadas, polidas e testadas até que se encaixassem de maneira simétrica dentro de sua própria proposta e também do conceito do álbum — nunca faltando ou sobrando, tão pouco destoando do mesmo. Existindo uma sinergia entre os temas e seus corpos musicais que percorre toda duração do trabalho.

Gravado e produzido por Dobber Beverly (baterista e pianista) e tendo sido retocado por um certo Midas sueco por nome de Dan Swanö, o disco teve suas artes (lindíssimas), assinadas pelo grego Giannis Nakos (Aetherian, Evergrey, Eye Of Solitude e outros). Voltando às linhas sobre a produção, é necessário dizer que a mesma é lúcida e orgânica, mantendo a clareza mesmo nos momentos mais caóticos e explosivos. Cada ângulo e músico recebe sua porção de luminosidade e cada um deles a seu modo favorece a atmosfera e densidade do disco.

Como uma vasta cadeia montanhosa, o conteúdo do já citado “Oceans Of Slumber” é repleto de relevos, de picos e erupções — suas composições são maciças e diversificadas. Havendo desde momentos puramente técnicos até suntuosas melodias que evoluem para estruturas totalmente misteriosas e atmosféricas — vide os temas: “The Soundtrack To My Last Day”, “The Adorned Fathomless Creation” e “Total Failure Apparatus”; três excelentes exemplos da dicotomia de elementos sonoros e das transições que vão de complexas à minimalista.

Outros temas que dividem protagonismo do disco são: “Pray For Fire” (sofisticada e muito bem formulada); “A Return To The Earth Below” (com um desempenho surpreendente de Cammie); “To The Sea (A Tolling Of The Bells)” (progressiva e incrementada por elementos de Jazz e Soul); “The Colors Of Grace” (composição emotiva que une a voz versátil e potente de Cammie aos vocais profundos de Mick Moss — Antimatter/Sleeping Pulse); a climática, “The Red Flower” e claro, o cover impagável de “Wolf Moon”, do falecido Type O Negative.

Essa talvez seja a coroação do Oceans Of Slumber em termos de evolução musical — quiçá mais um estágio em sua contínua metamorfose. De todo modo, o disco é um poderosíssimo “blend” de gêneros, subgêneros, sensações e de emoções. Intenso e adverso como um dia permeado de rotinas, contemplativo e poderoso como uma noite de tempestade.

Fábio Miloch

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