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Old Man’s Child – Burning House, São Paulo/SP (26/09/2026)

Old Man’s Child – Burning House, São Paulo/SP (26/09/2026)

Produção: Caveira Velha Produções
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Pela primeira vez em nosso país, e após um hiato de mais de 24 anos longe dos palcos, o Old Man’s Child finalmente veio ao Brasil. Uma das pioneiras do Black Metal sinfônico, a banda foi, durante grande parte de sua trajetória, praticamente um projeto solo do guitarrista Galder, mais famoso pelo seu longevo trabalho juntamente ao Dimmu Borgir.

Após sua saída da clássica banda norueguesa, o Old Man’s Child retornou às atividades em 2024. Com produção da Caveira Velha Produções e em apresentação única no Brasil, o evento aconteceu no último sábado (26) e ainda contou com a abertura da banda Evoked.

Iniciando às 19h30, os pernambucanos do Evoked deram início à programação. Formada em 1997, assim como o Old Man’s Child, a banda entrou em hiato em 2000 e retomou as atividades em 2019. Além disso, a apresentação desse sábado marcou sua primeira passagem por terras paulistas.

Comandada por Diego Do’Urden, vocalista e guitarrista que, além do Evoked, integra outra clássica banda de Black Metal nacional, o Mystifier, a banda trouxe seu Black Metal sinfônico altamente influenciado pela atração principal.

Aproveitando a ocasião, o grupo tocou na íntegra seu primeiro disco de estúdio, “Warfare of The Gods” (2025), um dos melhores discos lançados no ano passado. Dessa forma, realizou uma apresentação poderosa, com grandes músicas presentes na obra, como “Sword of Abyssal Shadows”, “The Binding of The Evil One” e “Older Than Time Star”.

Assim, o Evoked mostrou todo o poderio sonoro do metal extremo nordestino, que vem nos brindando com bandas cada vez melhores. Realizando uma apresentação de 50 minutos, foi, certamente, a melhor escolha possível para abrir o evento.

Afinal, mesmo com o estilo sendo pouco explorado no Brasil, as bandas que arriscam investir têm trazido ótimos lançamentos nos últimos anos. Por isso, é uma banda que merece ser conferida de perto. Sua apresentação foi impactante e deixou uma ótima impressão em sua primeira vinda a São Paulo.

E, às 21h, com os PAs tocando a introdução de “Towards Eternity”, o Old Man’s Child se posicionou no palco e debulhou a clássica faixa que abre o terceiro disco da banda, “Ill-Natured Spiritual Invasion” (1998). Não foi preciso muito para levar os fãs de longa data à loucura.

Afinal, além do hiato existencial, o Old Man’s Child permaneceu por muitos anos apenas como banda de estúdio. No final dos anos 90, realizou pouquíssimas turnês. Por isso, a oportunidade de vê-los ao vivo tornou-se algo ainda mais especial e extraordinário.

Galder, líder da banda, é uma figura ao vivo. Para quem está habituado ao lado mais extremo e raivoso da personificação de músicos que tocam Black Metal, ele é a total contramão disso. O guitarrista fez brincadeiras com o público o tempo todo, além de exalar um carisma sem igual.

Porém, é claro, sua música não abre mão da brutalidade. O set passeou por toda a discografia da banda e seguiu com hinos absolutos como “King of The Dark Ages”, “Doommaker” e “Hominis Nocturna”.

Todas foram surpreendentemente cantadas pela esmagadora maioria do Burning House. Dessa forma, ficou evidente todo o impacto que a banda possuiu tanto musicalmente quanto no imaginário das pessoas. A cada música, o público ovacionava a banda.

Para dar vida a essa encarnação do Old Man’s Child, a banda de apoio é basicamente a formação toda de um nome mais obscuro do Black Metal melódico norueguês, Susperia. A formação contou com Cyrus na guitarra, Elvorn no baixo e o membro mais notório da banda, o baterista Tjodalv.

Além de ter gravado dois discos com o Old Man’s Child, Tjodalv também integrou o Dimmu Borgir em seu início. Portanto, foi um dos pilares no desenvolvimento do estilo. Ao lado dos demais músicos, executou cada faixa com maestria absoluta.

Com exceção do último disco, “Slaves of The World” (2009), todos os outros seis discos da banda tiveram seus momentos. “The Soul Reciever”, “Gods of Impiety” e “Soul Possessed” foram alguns dos momentos mais intensos da apresentação.

Além disso, levando em consideração que foi tocado apenas material de 2005 para trás, a energia musical é completamente diferente daquela que Galder desenvolveu no Dimmu Borgir após sua entrada.

Até mesmo alguns presentes brincaram com Galder, dizendo que sua banda era superior. A situação já o fez rir ainda mais do que ele vinha se divertindo ao longo da apresentação.

O guitarrista estava totalmente impressionado com a receptividade do material da banda. Finalmente, o Old Man’s Child viu a luz do dia depois de tantos anos.

Finalizando a apresentação com “Unholy Vivid Innocence” e “The Millenium King”, duas das mais pedidas da noite e clássicos absolutos da banda, o grupo encerrou o show de 70 minutos de forma destruidora.

O encerramento parecia não ter fim. Afinal, cada música executada parecia um sonho sendo realizado para todo mundo.

Este ano está sendo marcado pela presença de nomes cada vez mais improváveis em nosso país. Entretanto, o Old Man’s Child, sem dúvida, era um dos impossíveis. Até pouco tempo atrás, ninguém poderia imaginar que a banda voltaria à ativa, muito menos que pisaria por aqui.

Até a noite desse último sábado.

Foi simplesmente impressionante ver tantas músicas que marcaram uma era durante os anos noventa ganhando vida. Mais do que isso, foi especial ver Galder mais feliz do que nunca, tendo o seu verdadeiro som sendo reconhecido e ovacionado por tanta gente.

Ele sequer imaginava a dimensão da sua própria música.

Foi um show que ficará marcado para os fãs da escola norueguesa, que, cada vez mais, tem se feito presente nos palcos brasileiros. E que venha mais vezes, dessa vez com material novo. Estamos aguardando!

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