Oligarquia – “Monopoly of Violence” (2020)
Heavy Metal Rock
#DeathMetal, #Grindcore
Nota: 9,5
Nas esferas do underground extremo nacional, o Oligarquia já tem sua reputação consolidada graças ao seu Death Metal simples, direto e, principalmente, brutal. A banda paulistana já contabiliza quase três décadas de carreira, além de quatro álbuns completos na bagagem, onde expõem todas as mazelas e intempéries que assolam a humanidade com bastante conhecimento de causa.
“Monopoly of Violence”, seu quarto registro e inéditas, além do título impactante e muito atual, traduz a violência e todas as suas conseqüências em formato de música dissonante, pesada e absolutamente contemporânea, apesar de não trazer nada de novo. É o Death Metal visceral e primitivo no formato que conhecemos e respeitamos.
Gravado entre 2017 e 2018, porém só lançado ano passado, “Monopoly of Violence” é marcado por uma produção simples, de certa forma crua, que deixa o álbum com aquele saudável aspecto “empoeirado”, como se fosse gravado em meados dos 90. Creio que seja intencional, pois a própria sonoridade da banda sempre seguiu os moldes mais tradicionais do subgênero.
Tudo ok, mas e as composições? Meu caro, é uma martelada atrás da outra, sem piedade ou concessões. Como já mencionado anteriormente, o Death Metal aqui é expresso na sua forma mais pura, simples, onde a brutalidade flui da maneira mais natural possível, flertando muitas vezes com o Hardcore, Grindcore, mas sempre fiel na sua essência.
A primeira a me atordoar como um golpe de marreta na fuça foi “Summer Rain”, com seu início cadenciado e a explosão de sandice e velocidade na sequência, lembrando bons momentos dos cearenses do Siege of Hate, intercalando vocais guturais e rasgados em meio ao caos instaurado.
“Ideological Jail”, não por acaso, também segue esse mesmo padrão, sapateando no Death e resvalando no Grindcore com maestria. Simplesmente matador! “Holy War”, em pouco menos de dois minutos, faz o Napalm Death atual ajoelhar e implorar por clemência. Terminando a sessão de destaques (e encerrando o disco também), temos uma versão não menos que brilhante para um grande clássico do Lobotomia.
“Nada é Como Parece” é aquela crítica ácida, contundente, a nossa sociedade doente, que esconde toda a sua podridão por trás do véu da falsa decência e moralidade, e na ótica do Oligarquia ficou ainda mais violenta.
Enfim, “Monopoly of Violence” é o melhor registro dos caras até então. Não vejo a hora de pegar o meu CD físico com o “chefe” para enfeitar minha prateleira e purgar meus ouvidos sempre que quiser. Que delícia!
Ricardo L. Costa
