Ozzy Osbourne – Jeunesse Arena, Rio de Janeiro/RJ (20/05/2018)

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Ozzy Osbourne
Local: Jeunesse Arena, Rio de Janeiro/RJ
Data: 20/05/2018
Produção: T4F

Texto por Marcelo Vieira

Em uma das melhores passagens da autobiografia “Eu sou Ozzy”, Ozzy Osbourne conta sobre quando despertou no meio de uma colonoscopia. “Doutor, isto é o meu cu?”, perguntou ao médico que, aterrorizado, foi aumentando progressivamente a quantidade de sedativo até que o paciente apagasse e o exame pudesse, finalmente, ser realizado. Este é só um dos muitos exemplos que comprovam que Ozzy, assim como Keith Richards ou Iggy Pop, é um daqueles fenômenos que a ciência ainda se vê incapaz de explicar. O fato de ter bebido e cheirado todas por décadas a fio torna o fato de estar vivo não apenas um milagre, mas também uma afronta.

Não é de hoje, porém, a ideia de pendurar as chuteiras. O ensaio de uma aposentadoria rolou em 1992, quando a chamada No More Tours caiu na estrada. O álbum da vez era o 4x platinado “No More Tears” e Ozzy fora erroneamente diagnosticado com esclerose múltipla. Vinte e seis anos e seis álbuns de estúdio depois — incluindo “13”, a saideira do Black Sabbath —, Ozzy reconhece que por melhor que esteja — façamos vista grossa às evidentes sequelas, ok? —, é chegada a hora de parar com as turnês. Para isso, chamou Zakk Wylde de volta para a banda que o acompanha, que traz ainda o baixista Blasko, o batera Tommy Clufetos e o tecladista e filho do Rick, Adam Wakeman.

A etapa brasileira desta No More Tours 2 contou com quatro apresentações, sendo a derradeira no Rio de Janeiro, onde, diante de uma arena que poderia estar lotada considerando os esforços da produtora na forma de infinitas promoções — e pensar que este show estava previsto para a Praça da Apoteose, cuja capacidade flutua em torno de 40 mil pessoas —, Ozzy comandou durante uma hora e meia um espetáculo com cara de déjà vu, revisitando seu material de maior relevância, com ênfase total nos festejados “Blizzard Of Ozz” e “No More Tears”, lançando mão de sempre bem-vindas canções do cânone sabático e aproveitando para recuperar o fôlego em extensos solos — teve até Zakk fazendo o Seu Boneco e indo “pra galera” em certo ponto — e improvisações instrumentais que, se por um lado, atestam toda a competência de seus escudeiros, por outro, faz gente chata como eu, que gosta mesmo é de cantar junto, bocejar à espera da música seguinte.

Talvez o grande barato seja o palco, feito aos moldes de grandes produções indoor, com telões enormes e um show a parte de canhões de laser, estrobos e animações que dialogam com o som. Este, por sua vez, viu-se prejudicado tanto pela configuração da arena — há uma inevitável perda no trajeto entre o palco e os lugares mais altos — como pela timbragem geral, super grave, lamacenta e, por conta da afinação rebaixada dos instrumentos (leia-se cordas mais frouxas que o habitual), pesada. Pesada para caralho. A exceção ficou por conta de “Mama, I’m Coming Home”, a primeira do bis, tocada na tonalidade original, com surpreendente fidelidade à gravação de estúdio.

A única crítica da qual não abro mão é a queixa quanto à exclusão de “Flying High Again” do repertório, deixando “Diary of a Madman” sem uma única representante na apresentação carioca. Fora isso, só posso agradecer por não ter tido grana para Pista Premium, o que me permitiu sair de lá seco. Pobre de quem levou balde d’água e teve de encarar 15 graus do lado de fora. Agora vai lá curtir a Sharon e aquele bando de cãezinhos estridentes, Ozzy. Só não ouse topar uma nova temporada de The Osbournes. Aquilo lá era uma merda.

Ponto negativo, mais uma vez infelizmente, a T4F não nos credenciou para nenhum de seus shows, mas mesmo assim nós estivemos lá. Obrigado pelo respeito de sempre T4F#sqn

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