Paradise Lost – “Ascension” (2025)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#DoomDeathMetal #GothicMetal
Para fãs de: Amorphis, My Dying Bride, Moonspell
Texto por Matheus ‘Mu’ Silva
Nota: 9,0
Cinco anos após o lançamento do aclamado Obsidian (2020), o icônico Paradise Lost finalmente apresenta seu décimo sétimo disco de estúdio, Ascension (2025), via Nuclear Blast, e no Brasil através da Shinigami Records.
Desde seu início em 1988, com o pioneirismo no Doom/Death Metal em Lost Paradise (1990), até a consolidação do Gothic Metal em Gothic (1991), a banda nunca se acomodou. Alcançando seu ápice com clássicos absolutos como Icon (1993) e Draconian Times (1995), expandiram seu horizonte musical, flertando até com música eletrônica em Host (1999). Com seu nome consolidado, continuaram lançando discos relevantes e únicos, até reencontrarem parte de sua essência inicial em The Plague Within (2015), marcando uma nova era na música do Paradise Lost. Com quatro integrantes desde o início — Nick Holmes (vocais), Gregory Mackintosh e Aaron Aedy (guitarras) e Steve Edmondson (baixo) — a banda manteve sua integridade musical ao longo das décadas, sem ceder a modismos, consolidando um som próprio e peculiar que justifica a atenção que conquistaram desde o começo.
Do início discreto ao primeiro grito de Nick Holmes, “Serpent on the Cross”, faixa que abre o álbum, apresenta uma cadência inusitada para a banda, com bumbos duplos cadenciados que lembram Speed/Heavy Metal, demonstrando a criatividade constante do grupo. Apesar da novidade, há também momentos de familiaridade, tornando a abertura um grande cartão de visitas. “Tyrants Serenade” aproxima-se do som de Tragic Idol (2012), com Nick alternando entre sua voz característica e guturais, oferecendo aquele conforto de “estar em casa” — um elogio e tanto. Mesmo com sete minutos, “Salvation” revela-se uma pedrada Doom Metal em apenas 30 segundos, com riffs arrastados, atmosfera sombria e até uma dobra vocal limpa, agregando epicidade à música.
A introdução de “Silence Like a Grave” evidencia a influência da recente regravação de Icon, e a faixa se mostra um potencial clássico moderno, com peso e melodias cativantes. “Lay a Wreath Upon the World” começa de forma introspectiva, com voz e violão, mas ganha energia na metade, trazendo diversidade ao álbum. “Diluvium” reforça a influência de Icon, transitando entre Doom e Gothic Metal, com trechos acelerados que, embora inicialmente pareçam deslocados, funcionam após algumas audições.
“Savage Days” combina Doom Metal soturno e moderno, beirando sonoridades do final dos anos 90, sendo outro ponto alto do disco. “Sirens” e “Decievers” mantêm a qualidade, enquanto “The Precipice” equilibra momentos mais pesados com serenidade, evitando a fadiga do ouvinte. Já “The Stark Town” apresenta certa desorganização, sendo provavelmente o único ponto fraco do álbum. Entretanto, “A Life Unknown”, com vibes post-punk lembrando o início dos anos 2000, encerra o álbum com maestria, merecendo destaque na obra.
Ascension é um passeio pela história do Paradise Lost. A cada faixa, percebe-se a evolução da banda e sua integridade artística, mantendo elementos de diferentes épocas. O disco consegue unir familiaridade e inovação, provando que o Paradise Lost que admiramos ainda está em plena forma. Facilmente, um dos melhores lançamentos do ano.





