Party On Wacken 2026 – Audio Club, São Paulo/SP (18/04/2026)
Realização: Honorsounds e Bangers Open Air
Texto por Mauro Antunes
Fotos por Alessandra Rosato
O sábado chegou com tudo para este redator que vos escreve. Como já faz parte da minha rotina, precisei sair cedo para trabalhar e, às 14h, consegui aquela escapada antecipada para acompanhar de perto o Party On Wacken, realizado na Zona Oeste, na Audio Club — uma casa que, ao meu ver, poderia receber mais shows de Heavy Metal.
A infraestrutura do local realmente impressiona, chegando a me remeter ao saudoso Olympia, que ficava no bairro da Lapa, aqui em São Paulo. Com a proximidade do Bangers Open Air, é natural que, nos próximos dias, a casa receba cada vez mais eventos do nosso estilo favorito.
Consegui chegar ao local às 15h15, poucos minutos antes do início da apresentação do The Mist. Ainda deu tempo de fazer um lanche lá dentro — com boas e variadas opções para quem queria matar a fome — e me posicionar para o início dos shows. E assim foi.
THE MIST
Quando entramos no espaço do show, a surpresa foi negativa: pouquíssima gente presente para assistir ao The Mist. Pontualmente, às 15h30, a intro começou. A banda, que retorna após uma longa inatividade de mais de 30 anos, mostrou que voltou com força total, disposta a destruir tudo à sua frente.
Vladimir Korg segue como uma verdadeira máquina de urros desesperados e potentes. Edu Megale (guitarra) despeja velocidade e riffs como um rolo compressor, enquanto a cozinha formada por Lina Linassi (bateria) e Wesley Ribeiro (baixo) sustenta tudo com precisão e peso. O setlist passeou por diferentes fases da carreira, agradando fãs de todas as eras.
No geral, foi um show extremamente pesado, direto ao ponto: sem discursos longos, sem firulas, apenas pura destruição sonora. Um detalhe curioso foi a reação do público presente — mesmo em número reduzido, quem estava diante do palco permaneceu estático, completamente absorvido pela apresentação, evidenciando o poder de imersão da banda.
Nas poucas palavras dirigidas à plateia, Vladimir destacou a importância de estar em um palco como aquele e deixou claro: o The Mist voltou para ficar. Mais um nome de peso da era áurea do Heavy Metal dos anos 80 e 90 que retoma suas atividades — para a nossa alegria.
Setlist:
The Tempest
The Curse of Life
Peter Pan Against the World
Over My Dead Body
(Face) – Name + Number = Namber
The Enemy
The Hangman Tree – Act One
The Dark Side of the Soul
(Brain) Gepetto’ s Song
My Inner Monster
(Lungs) Death Is Alive Inside of Me
THE TROOPS OF DOOM
Com pouco mais de cinco minutos de atraso, o The Troops of Doom subiu ao palco disposto a destruir tudo. Até então, eu nunca havia assistido à banda ao vivo, mas sempre ouvi dos amigos as melhores recomendações — e não estavam errados: foi, ao menos na minha opinião, o melhor show do dia.
Nessa noite, o trio de frente, formado por Alex Kafer (vocal e baixo), Jairo Guedz (guitarra) e Guilherme Correa (guitarra, substituindo temporariamente Marcelo Vasco que deixou a banda recentemente), estava irrepreensível. No entanto, a bateria de Alexandre Oliveira pareceu carecer de mais pegada; faltou punch. Sua performance soou um pouco abaixo do restante da banda — não comprometeu, porém poderia ter sido ainda mais impactante, seguindo o poderio do trio de frente.
Diferentemente do show anterior, a roda começou a tomar forma na pista. Quem conhece a discografia do grupo sabe que a sonoridade é bruta: um Thrash Metal com fortes elementos de Death Metal. Era impossível não bangear e se jogar na roda. Músicas do mais recente álbum, A Mass to the Grotesque soavam ainda mais brutais e pesadas que no álbum. Ainda assim, as três faixas do Sepultura presentes no setlist acabaram se tornando os grandes destaques.
Antes de “Morbid Visions”, Jairo destacou ter composto a música há cerca de 40 anos, ao lado de antigos companheiros, e ainda agradeceu a presença de Paulo Jr., que acompanhava o evento. Já o hino “Troops of Doom” encerrou a apresentação com uma atmosfera digna de gigantes como Slayer, Exodus e Testament — público ensandecido, roda insana e este redator completamente sem fôlego ao final.
Ficou apenas a sensação de que poderia ter rolado mais um clássico do Sepultura, como “Necromancer”, que a banda inclusive já registrou em estúdio. Ainda assim, foi uma hora de completo pandemônio. E, reforçando: o melhor show do dia.
Setlist:
Act I – The Devil’s Tail
Chapels of the Unholy
Far from Your God
Bestial Devastation (Sepultura cover)
Act II – The Monarch
The Rise of Heresy
Denied Divinity
Morbid Visions (Sepultura cover)
The Confessional
Dethroned Messiah
Dawn of Mephisto
Troops of Doom (Sepultura cover)
KORZUS
O show do Korzus, inicialmente previsto para as 18h20, sofreu um pequeno atraso de cerca de 10 minutos. Quem já presenciou uma apresentação da banda sabe que a abertura com “Guilty Silence” é sempre especial, com sua longa intro criando, aos poucos, o clima ideal para a pancadaria — algo que remete, em certa medida, ao clássico “Hell Awaits”, do Slayer. Não à toa, é possivelmente o maior hino da carreira do grupo.
Foi especialmente interessante ver os novos guitarristas, Jean Patton e Jéssica Falchi, na linha de frente. Além de exímios músicos, o sangue novo trouxe ainda mais intensidade à performance.
A partir daí, o que se viu foi um verdadeiro desfile de clássicos: “Truth”, “Raise Your Soul” e “Catimba”, todas executadas com a adrenalina nas alturas. Antes de “No Light Within”, Pompeu destacou a nova fase da banda, apresentou oficialmente a nova dupla de guitarristas e revelou que o Korzus prepara novidades para o futuro. A faixa, por sua vez, é uma verdadeira cacetada e aumenta ainda mais a expectativa para o próximo álbum com a nova formação.
Após “Victim of Progress”, aconteceu um momento inusitado: Pompeu chamou ao palco a vocalista do Torture Squad, Mayara Puertas. Chamou uma vez, duas… e nada. A situação rapidamente virou motivo de diversão entre o público. A banda então seguiu com a pancada “Vampiro” até que, enfim, Mayara surgisse para o dueto em “Discipline of Hate” — um grande momento da apresentação.
Assistir a um ícone como Marcelo Pompeu ao vivo é sempre algo especial. Em determinado momento, ele comentou como é desafiador manter esse nível de energia e agressividade vocal aos 60 anos. Para quem nunca viu o Korzus ao vivo, é algo quase inacreditável.
Entre tantos destaques, Jean Patton talvez tenha sido o nome que mais chamou atenção. Sua presença de palco, técnica, riffs e solos são simplesmente impecáveis — uma adição que caiu como uma luva. Ao que tudo indica, o Korzus ainda tem muito a oferecer. Sorte a nossa.
Setlist:
Guilty Silence
Truth
Raise Your Soul
Catimba
No Light Within
Agony
Victim of Progress
Vampiro
Discipline of Hate
Never Die
What Are You Looking For
Guerreiros do Metal
Correria
KRISIUN
Poucos minutos após as 21h, o Krisiun subiu ao palco para encerrar o dia. Lembro de tê-los assistido ao vivo pela primeira vez na gravação do programa Musikaos, da TV Cultura, no início dos anos 2000 — atração apresentada por Gastão Moreira, que, inclusive, também esteve presente na Audio naquela noite. Na época, ainda muito jovens, já impressionavam, e foi ali que passei a entender sua importância e os motivos que os levaram tão longe desde cedo.
Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Alex Kolesne (bateria) formam, há mais de três décadas, possivelmente o maior trio extremo do planeta.
“Kings of Killing”, escolha tradicional para abrir seus shows, deu início à apresentação. E a sensação foi imediata: fazia algum tempo que não os via ao vivo, mas absolutamente nada mudou desde então — o mesmo nível de intensidade, técnica e brutalidade de 25 anos atrás. Impressionante.
Em diversos momentos, Alex interagiu com o público e fez comentários sobre os “chupetinhas” do cenário Heavy Metal, os conhecidos “posers”. A roda na pista se tornou ainda mais insana, com direito a uma fã subindo ao palco e se jogando no mosh pit — tudo o que um verdadeiro show de Death Metal pede.
Nas músicas finais, o cansaço já era evidente: sem fôlego, mas ainda assim imerso na experiência. Houve tempo para “Black Force Domain”, sempre ovacionada pelos fãs, faixa-título do álbum de estreia, lançado em 1995.
Por volta das 22h30, deixamos a casa com a sensação de dever cumprido — e de termos presenciado mais uma noite memorável. Agora, é segurar a ansiedade: que venha o Bangers Open Air.
Setlist:
Kings of Killing
Scourge of the Enthroned
Combustion Inferno
Vicious Wrath
Hatred Inherit
Necronomical
Serpent Messiah
Messiah’s Abomination
Descending Abomination
Drum Solo
Guitar Solo
The Will to Potency
Black Force Domain

