Passion – “Passion” (2020)
Frontiers Music
#MelodicRock
Para fãs de: Animal Drive, The Nights, One Desire
Nota: 9,5
Novidade na área! O Passion é o mais novo projeto do vocalista e multi-instrumentista Lion Ravarez, codinome de Daniel Rossall, ex-Night By Night. Aqui, ele chega junto com Chance Vanderlain (guitarra), Weston James (baixo) e Bobby Laker (bateria) para oferecer um verdadeiro tributo às bandas de hard rock da virada dos anos 1990; época em que o teclado se tornou meio que de lei e não houve um grupo que não apostasse numa power ballad como single e videoclipe para a MTV.
Os tempos são outros, bem como é a tecnologia, mas o feeling retrô — começando pela capa — é o grande atrativo do autointitulado disco de estreia dos ingleses. Para tal, Ravarez e seus colegas parecem ter feito um intensivão na obra do The Defiants — que, em essência, é o Danger Danger — e de outros grupos cuja missão nem tão secreta é fazer o ouvinte voltar para o passado através do emprego de clichês cuja eficácia fora comprovada três décadas atrás. Sendo assim, o que se ouve em “Passion” são essencialmente ecos de um passado que os próprios integrantes só conheceram pela Internet. Mas quem sou eu para julgá-los ou desmerecer seus esforços? Só posso jogar as mãos para o céu e agradecer que exista gente ainda disposta a manter a chama acesa.
E que chama, diga-se de passagem, mas vamos aos destaques: “Trespass on Love” é a segunda melhor balada de 2020 até agora — atrás apenas de “Make It There”, do Black Swan, outro gol de placa da Frontiers —; “Lost in the Dark”, outra mid-tempo, já provoca arrepios na harmonia vocal da introdução — que repete nos refrões —, típica de quem fez o dever de casa e devorou os macetes de produtores como “Mutt” Lange e Ted Templeman; já “Back” recorre ao slide guitar para temperar uma receita de classic rock enquanto “Big Game” traz Lion subindo o tom do início ao fim como um verdadeiro bastardo da Sunset Strip movido a Jack & Coke. E aos que acham errado emular os velhos tempos, o dedo do meio é erguido na autoexplicativa “We Do What We Want”. E quem não gostar, o baile funk é logo ali.
Marcelo Vieira
