Pentagram – Fabrique Club, São Paulo/SP (13/08/2026)

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Pentagram – Fabrique Club, São Paulo/SP (13/08/2026)

Produção: Powerline Music & Books e Heart Merch
Texto por: Ricardo Brigas
Colaboração por: Matheus ‘Mu’ Silva
Fotos por: Alessandra Rosato

O Fabrique Club sempre foi uma casa muito boa para assistir a shows. Gosto bastante do local por causa da localização, da facilidade para estacionar e, principalmente, pela agilidade no credenciamento e na entrada. Poucas vezes vi filas realmente problemáticas na porta. Dessa vez, porém, a casa estava abarrotada, e não poderia ser diferente: afinal, nada menos que o Pentagram, uma das bandas pioneiras na construção do Doom Metal e uma das grandes matrizes do Stoner, estava prestes a subir ao palco para sua última passagem pela América Latina.

A apresentação fez parte da “Farewell Tour, Last Latin American Run 2026”, anunciada como a despedida do Pentagram dos palcos latino-americanos. Mais de cinco décadas depois de sua formação, a banda de Bobby Liebling retornou ao Brasil carregando um peso histórico gigantesco, mas também mostrando que não vive apenas de seu passado. Em 2025, o grupo lançou Lightning in a Bottle, seu décimo álbum de estúdio e primeiro trabalho de inéditas em cerca de uma década, provando que ainda havia combustível para manter essa máquina em movimento.

Antes deles, tivemos a abertura da Fuzzly, nome cuiabano do Stoner Rock. Liderada por Dark Jordão, na guitarra e voz, a banda ainda conta atualmente com Rafael Arruda na bateria e Hugo Falcão no baixo. A escolha fez bastante sentido, já que a Fuzzly transita justamente por terrenos que conversam com o universo do Pentagram, misturando Stoner, Desert Rock, psicodelia e referências ao Rock Underground.

E a banda entregou um excelente show. A sonoridade psicodélica, somada a uma pegada que em alguns momentos remete ao Rock dos anos 1980, criou o clima perfeito para aquilo que viria depois. Foi uma abertura competente e que preparou muito bem o terreno para a lenda americana.

Às 22h, pontualmente, o Pentagram iniciou sua “última dança” em nosso país. Celebrando também seu ótimo Lightning in a Bottle, e mostrando que ainda está em boa forma, Bobby Liebling e seus asseclas começaram o show com a poderosa “Live Again”, já colocando o Fabrique abarrotado para bater cabeça.

Com um senso de humor meio canastrão e algumas breves histórias sobre as músicas, Bobby conduziu a apresentação de maneira bastante particular. A coisa começou a ficar realmente intensa quando clássicos como “Starlady” e “The Ghoul” foram executados. Esta segunda foi um verdadeiro massacre de peso e sujeira Stoner. Meu pescoço está sentindo até agora a potência musical desse som, uma das minhas favoritas (risos).

E, por falar na estrela da noite, Bobby Liebling estava cada vez mais solto no palco. O vocalista apresentou suas extravagâncias de sempre, com caretas divertidas, olhos esbugalhados e até algumas reboladas. É aquele tipo de comportamento que o fã já espera — e, convenhamos, se Bobby Liebling não fizesse isso, provavelmente ficaria faltando alguma coisa no show. Ou seja, o cara é uma máquina de criar même ambulante (risos).

Seguindo com mais clássicos, “When The Screams Come” e “Be Forewarned” mantiveram o peso lá em cima. Em determinado momento, Bobby soltou um uivo que foi imediatamente acompanhado por vários presentes, dando a deixa para a divertidíssima “Sign of The Wolf (Pentagram)”. Uma das músicas mais marcantes da banda, ela se transformou em um dos grandes momentos da noite, com o público cantando em uníssono praticamente cada palavra.

O set ainda passeou pelo material mais recente com “Thundercrest” e “Walk The Sociopath”, mostrando que Lightning in a Bottle não foi colocado na apresentação apenas para cumprir tabela. As novas músicas se encaixaram naturalmente ao lado dos clássicos, reforçando a impressão de que o Pentagram ainda consegue dialogar com seu próprio legado sem parecer uma banda presa ao passado.

Depois de uma breve pausa, veio o momento que provavelmente estava na lista de desejos de praticamente todo mundo naquela casa. O Pentagram retornou para o bis com “Forever My Queen” e “20 Buck Spin”, duas músicas fundamentais para entender a importância da banda na história do Metal pesado.

“Forever My Queen” foi recebida como um verdadeiro hino, enquanto “20 Buck Spin” encerrou a noite com riffs gigantescos e aquela sujeira característica que ajudou a moldar o Stoner/Doom que conhecemos hoje. Não por acaso, as duas também apareceram no encerramento da apresentação anterior da banda no próprio Fabrique Club, em março de 2025.

E foi justamente aí que ficou ainda mais evidente o tamanho do legado do Pentagram. A banda surgiu no início dos anos 1970, quando o próprio Heavy Metal ainda estava tomando forma, desenvolvendo uma sonoridade lenta, densa, sombria e ameaçadora que ajudaria a pavimentar o caminho para o Doom Metal.

Encerrava-se, portanto, não apenas um show, mas um capítulo. A despedida do Pentagram dos palcos latino-americanos aconteceu de maneira divertida, pesada e extremamente marcante. Bobby Liebling, aos 70 anos, continua sendo uma figura absolutamente única e, goste-se ou não de suas extravagâncias, é impossível ignorar a presença que ele exerce sobre um palco.

O Pentagram deixou o Fabrique Club depois de uma apresentação que funcionou justamente por não tentar ser maior do que precisava. Foram riffs, peso, humor, clássicos, material novo e uma plateia completamente entregue. Para quem estava ali, ficou a sensação de ter testemunhado uma última celebração de uma banda que ajudou a escrever as primeiras páginas do Doom e do Stoner Metal.

Se o Master of Reality, do Black Sabbath, foi um dos grandes pais dessa sonoridade, o Pentagram certamente está entre os seus filhos mais importantes — e, naquela noite, deixou mais uma vez seu nome marcado na mente de quem teve a sorte de estar presente.

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