“Pequenas Vitórias – A Verdadeira História do Faith No More”

FNM_livro
Compartilhe

“Pequenas Vitórias – A Verdadeira História do Faith No More”

Editora: Powerline Music & Books
Autor: Adrian Harte
Páginas: 464

Texto por Johnny Z.




Prepare-se para uma imersão profunda e fascinante no universo de uma das bandas mais emblemáticas e inovadoras da música: o Faith No More. Em Pequenas Vitórias – A Verdadeira História do Faith No More, o autor Adrian Harte apresenta uma narrativa eletrizante que captura a essência caótica, genial e, por vezes, disfuncional do grupo californiano. Com 464 páginas lançadas no Brasil pela Powerline Music & Books, trata-se de um livro indispensável para fãs e também para quem deseja compreender a importância histórica da banda.

A história começa nos primórdios do Faith No More, ainda em 1982, quando Bill Gould (baixo), Roddy Bottum (teclado) e Mike Bordin (bateria) formavam o núcleo criativo do grupo. Nesse período embrionário, vocal e guitarra eram vistos quase como elementos complementares, o que resultava em constantes trocas de vocalistas e guitarristas a cada apresentação. Essa instabilidade inicial acabou levando, de forma quase disfuncional, à necessidade de consolidar uma identidade sonora própria.

Desde o início, a banda se destacou por desafiar convenções, misturando funk, metal, rap, hard rock, new metal e música experimental de maneira única. A dificuldade de rotular sua sonoridade sempre foi uma marca registrada, algo que os próprios integrantes faziam questão de preservar. O Faith No More rejeitava rótulos como Funk’O Metal, Metal, Alternativo ou Groove, mesmo flertando com todos eles de forma charmosa, intrigante e absolutamente original, conquistando especialmente a juventude dos anos 90.

A palavra “disfuncional” atravessa toda a trajetória da banda. Nada parecia seguir padrões: nem a criação, nem a composição, nem a postura pública. Havia um antagonismo constante entre rejeitar o mainstream e, ao mesmo tempo, almejar relevância e grandes patamares. Esse caos estrutural gerou brigas internas, discussões, provocações grotescas, palhaçadas, lavação de roupa suja na imprensa e situações de constrangimento público — algumas protagonizadas por Mike Patton. Curiosamente, os integrantes pareciam se alimentar desse ambiente, assumindo riscos e transformando incoerência em uma fórmula inusitada que acabou funcionando inclusive como estratégia de marketing.

O livro percorre de forma linear toda essa “paranoia” chamada Faith No More: da fase turbulenta com Chuck Mosely nos vocais — marcada por uma permanência rebelde, incoerente, perturbadora e insalubre — até sua saída tempestuosa. Em seguida, vem a entrada descompromissada de Mike Patton, que inicialmente não demonstrava grande empolgação, mas que rapidamente se tornaria peça fundamental no crescimento estrondoso da banda, elevando-a de algo quase irrelevante a um fenômeno global.

O ponto de virada acontece com The Real Thing (1989), álbum que catapultou o Faith No More ao mainstream, embora tenha demorado a engrenar. Harte explora com riqueza de detalhes os fatores — musicais, empresariais e de marketing — que mudaram o rumo da banda, transformando essa fase em uma verdadeira história de superação. Em seguida, o livro mergulha no experimentalismo magnânimo de Angel Dust (1992), cuja gravação foi muito mais conturbada do que se imaginava na época, especialmente por conta de Jim Martin, já sinalizando sua saída após o fim da turnê de divulgação.

Também são abordados episódios marcantes como as passagens pelo Brasil, o ciúme inicial da banda em relação ao Mr. Bungle (projeto paralelo de Patton), bullying interno, cusparadas, desilusões com videoclipes, o amor declarado por samplers e loops infinitos, além de covers completamente insanos. Tudo isso é apresentado sem cair no erro de dissecar faixa por faixa de forma enfadonha; ao contrário, os fatos são sempre interessantes e mantêm o leitor preso à leitura.

Após Angel Dust, a saída de Jim Martin — pouco explicada na época — marca uma das fases mais controversas da banda, que segue com o pesado, estranho e ainda assim sensacional King For A Day, Fool For A Lifetime, avançando de certo modo rápido demais até os últimos suspiros da carreira (ou da turnê?) com o álbum Sol Invictus, considerado pouco interessante dentro do contexto geral.

O material fotográfico em preto e branco, distribuído ao final de cada capítulo (quatro ao todo), cobre todas as fases da banda, incluindo imagens propositalmente ridículas, reforçando o espírito irreverente do Faith No More. Embora pudesse trazer mais registros emblemáticos ou de shows importantes, o conjunto é equilibrado e eficaz.

A escrita de Adrian Harte é fluida, envolvente e repleta de momentos memoráveis. A leitura passa voando, sendo perfeitamente possível concluir o livro em um ou dois dias. Para quem viveu a época de ouro da banda, entre o fim dos anos 80 e início dos 90, a experiência é profundamente nostálgica, despertando lembranças pessoais que se entrelaçam com a história narrada.

Mesmo sem concordar com a ideia de que o Faith No More seja o “pai do New Metal”, é inegável seu papel fundamental em abrir ouvidos e mentes para misturas sonoras antes consideradas inimagináveis ou até proibidas, ampliando horizontes criativos para músicos e fãs. Gênios, simplesmente gênios — e Mike Patton, além de gênio, é assumidamente um completo lunático (risos).

Pequenas Vitórias – A Verdadeira História do Faith No More é um convite irrecusável para compreender como uma banda conseguiu transformar caos em arte e deixar um legado atemporal que continua inspirando gerações.

Adquira já o seu em https://heartmerch.com.br/products/pequenas-vitorias-a-verdadeira-historia-do-faith-no-more

Compartilhe
Assuntos

Veja também