Perpetual Requiem – “An Ocean Of Sorrow” (2026) (EP)
Independente
#Metal #GothicDoomMetal #ProgMetal #ProgRock
Para fãs de: Anathena, Paradise Lost, Opeth
Redator: Cristiano Ruiz
Nota: 10
Se tem algo que o Metal atual carece, é identidade. E é justamente na contramão disso que o Perpetual Requiem apresenta seu registro de estreia, o EP An Ocean Of Sorrow. Formado por três músicos vindos da banda Chaosfear — Fernando Boccomino (vocais e guitarra), Marco Nunes (guitarra, baixo e vocais) e Fábio Moysés (bateria) —, o trio parte de uma experiência já consolidada para explorar uma proposta própria. Afinal, no último EP do Chaosfear, o excelente — porém curto — Aeternum, lançado em 2021, alguns dos elementos que agora ganham maior dimensão no Perpetual Requiem já estavam presentes, ainda que em estágios menos desenvolvidos.
Em An Ocean Of Sorrow, entretanto, essa identidade aparece de maneira mais definida e consciente. Em busca de uma sonoridade com assinatura própria, o trio faz o que poucos têm coragem hoje: mescla diferentes vertentes sem medo, mas, ao mesmo tempo, sem abrir mão do peso e da intensidade que o Metal exige.
Ora fomentando uma atmosfera gótica à la Anathema e Paradise Lost, ora mergulhando no universo Prog de Pink Floyd e Opeth, porém com peso moderno de bandas como Machine Head, o trio não tenta soar como ninguém além de Perpetual Requiem. As influências estão lá, explícitas, mas a personalidade fala mais alto. Encontrar a própria sonoridade tem valor imensurável, e é gratificante ver uma banda abandonar clichês que funcionam como dogmas e abortam a criatividade.
“Eternal Rains”
Quando ouvi os primeiros segundos de “Eternal Rains”, não consegui entender exatamente o que estava acontecendo, mesmo que a qualidade da produção seja perfeita. Para muitos isso seria um problema, mas não para mim. Gosto de demorar bastante para compreender um disco, pois isso é um dos fatores que revelam a dedicação de quem o produziu.
Os fãs de Metal “radicais xiitas”, certamente, podem estranhar a veia criativa dessas músicas. Entendo que sair da zona de conforto é sempre uma vantagem, ainda que isso nem sempre dê certo. Se o “arroz e feijão” musical é fácil de digerir, é igualmente fácil de ser esquecido.
“Eternal Rains” soa, ao mesmo tempo, pesada, épica, lisérgica, gótica, acessível e misteriosa. Ou seja, nada mais, nada menos, do que isso que acabo de mencionar.
“Bitter Past”
Em seguida é a vez de “Bitter Past”. Ela não foge muito da linha de sua antecessora, mas tem um solo de guitarra à la Prog Rock que é o seu ponto alto. Além disso, há aqui elementos de Pop Gothic, que remetem a artistas como Depeche Mode e Sisters of Mercy, nomes fortes do estilo.
Assim como “Eternal Rains”, “Bitter Past”, indubitavelmente, poderia frequentar as FMs quando as mesmas eram o reduto publicitário das grandes gravadoras. Contudo, antes que o leitor confunda o que está sendo dito, dizer que uma música é acessível não significa dizer que a mesma não seja elogiável.
“An Ocean Of Sorrow”
O nome sugestivo da faixa-título, inegavelmente, combina com sua atmosfera lúgubre e pantanosa. Em outras palavras, “An Ocean Of Sorrow” apresenta a essência do que aprendi a conhecer como Gothic Doom.
Mesmo não havendo vocais guturais, ainda assim, a impressão que a audição transmite são influências do Peaceville Three. Aliás, o Metal Na Lata até publicou um artigo sobre esse subgênero. (clique para ler)
Enfim, é fato que os elementos musicais do EP soam muito homogêneos. Não é possível saber quando o gótico dá as cartas do jogo ou quando é o progressivo, já que ambos andam lado a lado.
“The Pleasure Of Freedom”
Pois é, quem diria que o melhor ficaria para o final? “The Pleasure Of Freedom” é, de longe, a minha faixa favorita e encerra esse surpreendente EP de maneira magistral.
Pense em tudo o que já disse anteriormente e acrescente um refrão pegajoso, que não sai da cabeça de jeito nenhum, nem na hora do banho. Pensou? A quarta e derradeira faixa An Ocean Of Sorrow é exatamente isso.
Como os trocadilhos muitas vezes não têm significado, mas às vezes têm, o “prazer da liberdade” musical fez com que os competentes músicos do Perpetual Requiem lançassem algumas das melhores músicas que ouvi nesse ano de 2026.
Resumindo, parabéns pela impecável estreia, Fernando, Fábio e Marco, desde agora aguardo o álbum completo. Permaneçam em busca da criatividade a fim de encontrar a melhor música que puderem fazer.

