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Pleasure Maker – Calabouço, Rio de Janeiro/RJ (25/10/2019)

Banda principal: Pleasure Maker
Banda de abertura: Open Arms
Local: Calabouço Heavy & Rock Bar, Rio de Janeiro/RJ

Data: 25/10/2019

Texto por Marcelo Vieira
Fotos por Ivana Nascimento

Em 2011, o guitarrista Alex Meister lançou um CD solo intitulado “My Way”, mas somente agora, em 2019, se viu motivado a fazer as coisas do seu jeito no mais amplo espectro, dando o pontapé inicial definitivo em uma carreira solo na qual jogará nas onze: além de tocar guitarra, compor, produzir e estabelecer o direcionamento musical, Meister assumirá também os vocais, num movimento que a história do rock não dá garantias de que vá dar certo – vide Steve Howe e Yngwie Malmsteen –, mas que, em oposição, pode dar e muito: o fato de “Stranger in This Town” (1991), de Richie Sambora, ser muito melhor do que qualquer álbum do Bon Jovi pós-1988 e o primeiro álbum do Blue Murder (1989), com John Sykes cantando, são a prova máxima disso.

Para registrar a transição de maneira simbólica, o Pleasure Maker sai de cena, mas não sem antes se despedir dos palcos. A apresentação foi realizada na última sexta-feira, 25, desafiando a possibilidade de um temporal, no Calabouço Heavy & Rock Bar, no Rio de Janeiro.

A promessa de uma noite repleta de hard rock e AOR começou a ser cumprida por volta das 22:30, com a Open Arms, banda tributo ao Journey e ao Foreigner capitaneada pelo vocalista Érico Becker, do festejado e fidelíssimo Queen Vision. No Open Arms, Érico mostra que seu talento vai além de reproduzir a voz e a performance de Freddie Mercury como poucos: sua interpretação de Steve Perry e Lou Gramm é igualmente impressionante, tal como é o entrosamento da banda – João Tadeu, Raphael Assunção, Cristiano de Aquino e Adriano Morais, este em jornada dupla, visto que é também baterista do Pleasure Maker –, cujo repertório abrange desde a face mais Rock N’ Roll dos grupos que são a maior referência que se tem do AOR no mundo até as baladas que já se infiltraram no inconsciente coletivo seja através das light FMs, seja através das trilhas sonoras das novelas de antigamente.

Setlist Open Arms:

Edge Of The Blade (Journey)
Stone In Love (Journey)
Hot Blooded (Foreigner)
Who’s Crying Now (Journey)
Ask The Lonely (Journey)
Wheel In The Sky (Journey)
Double Vision (Foreigner)
Open Arms (Journey)
I Want To Know What Love Is (Foreigner)
Any Way You Want It (Journey)
Separate Ways (Journey)
Don’t Stop Believing (Journey)

Em seus quase vinte anos de atividades, o Pleasure Maker atingiu metas com as quais a maioria de seus pares locais pôde apenas sonhar: obteve destaque na mídia internacional, conquistou fãs nos quatro cantos do mundo e viu seus álbuns serem lançados nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, “nadando forte contra modismos, entre outros percalços bem piores”, nas palavras do vocalista C. Marshall. Sendo assim, a ideia não era apenas se despedir, mas também celebrar tantas conquistas em meio a tantas adversidades e improbabilidades.

A formação que sobe ao palco pouco após a meia-noite traz os já citados Meister, Morais e Marshall acompanhados por Cristiano Gavioli, produtor musical e professor de contrabaixo no lugar de Mark Sant’Anna, cuja agenda impossibilitou a vinda.

A exemplo de shows passados, a largada foi dada com “Chains of Love”, última música de trabalho de “Dancin’ with Danger” (2018, leia a resenha aqui) que tem letra da esposa de Alex, Helena Tardin Meister. Na sequência, a veloz “Rock the Night Away”, também de “Dancin’”, remete a pedradas como “Hot for Teacher” (Van Halen) e “Shy Boy” (David Lee Roth). O passado começou a ser revisto na dobradinha “Feel It This Time” e “Come N’ Get It”, de “Twisted Desire” (2008), que compareceria com outras três no decorrer da apresentação, incluindo sua soberba e grudenta faixa título (“Na na, na na na…”).

Grudentas, sempre no bom sentido, são também “On the Other Side of Midnight” e “It Ain’t ‘Bout Love”, já a maior música do catálogo do Pleasure Maker, superando em popularidade até mesmo “Just Thinkin’ About You”, que, aliás, foi cantada por Alex. Contando com a ajuda de Hugo González, da banda Bad Medicine de tributo ao Bon Jovi e muitas outras empreitadas conhecidas na cena carioca, num caso inédito de segunda guitarra num palco do PM, Meister pôde reproduzir ao vivo o que se ouve no recém-lançado single e videoclipe. Nada mais justo que esta nova etapa de sua carreira tenha início com a música que no passado lhe abriu tantas portas e possibilidades. Se saiu bem: o público adorou e aplaudiu.

Rolaram ainda três covers: “Open Your Heart” (Europe), “Round and Round” (Ratt) e o encerramento marca registrada com “Beat It” (Michael Jackson), que traz um dos solos de guitarra favoritos de Alex, que o executa com espantosa facilidade. Aliás, se o grande mérito de um bom guitarrista é dar a impressão de que o instrumento é uma continuação natural do seu corpo, vimos e ouvimos isso ao vivo e a cores, em alto e bom som, de certa forma tristes pelo capítulo que se encerra, mas empolgados com as cenas que ainda estão por vir.

Setlist Pleasure Maker:

Chains of Love
Rock the Night Away
Feel It This Time
Come N’ Get It
Flesh and Blood
Is There a Doctor in the House?
Hard 2 Say Goodbye
Open Your Heart (Europe)
Dancin’ with Danger
Just Thinkin’ About You (com Hugo González)
Round and Round (Ratt)
On the Other Side of Midnight
What We Left Behind
Fast N’ Wild
Twisted Desire
It Ain’t ‘Bout Love
Beat It (Michael Jackson)

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