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President – “Blood of Your Empire” (2026)

President – “Blood of Your Empire” (2026)

Atlantic Records
#AlternativeMetal #Metalcore #PostHardcore

Para fãs de: Sleep Token, Dayseeker, Thornhill, Bad Omens 

Texto por Lucas David 

Nota: 9,0

Quando surgiu em 2025 com o single “In The Name of The Father”, o President chamou muita atenção dos fãs de metal moderno, já que a banda possui muitas semelhanças com o Sleep Token. O estilo que ambas as bandas fazem vai de partes melódicas, com bastante uso de vocais limpos, poderosos e até com toques de rap, para momentos mais pesados e agressivos, com bastante guitarras, bumbos duplos e breakdown estrondosos. Outro ponto que vale o destaque é que a banda também esconde sua identidade, principalmente o vocalista, que carrega o mesmo nome da banda, utilizando roupas e uma máscara que remete a presidentes dos Estados Unidos, enquanto o restante da banda utiliza um tipo de máscara preta sem mostrar nada e utiliza apelidos como Vice (bateria), Heist (guitarra) e Protest (baixo). Com isso, muitos passaram a falar que a banda foi “plantada” ou “criada” pela indústria para surfar na onda do Sleep Token, principalmente quando foram anunciados no Download Festival sem mesmo ter lançado um álbum completo. Mesmo assim a banda continuou a espalhar sua mensagem lançando o segundo single, “Fearless”, e conquistando ainda mais seguidores.

Em setembro do mesmo ano a banda lançou o EP King of Terrors que contava com as duas faixas já citadas e mais quatro inéditas. Porém, o trabalho não conseguiu surpreender assim como as anteriores e eu mesmo acabei deixando a banda de lado por um tempo. Quase um ano depois, o President chega com Blood of Your Empire, seu primeiro álbum de estúdio e com um trabalho que surpreende pela maturidade alcançada em tão pouco tempo. 

De certa forma, Blood Of Your Empire parece algo além de um álbum de estreia. Embora, há apenas 18 meses, fossem pouco mais do que um nome que estava surgindo em meio a muitos atos parecidos, o President alcançou um patamar que a maioria das bandas leva vários álbuns para atingir. Eles conquistaram uma legião de fãs devotos com faixas carregadas de emoção, mistério e simbolismo, abordando questões sobre religião e política, além de expandir ainda mais seu som. A banda buscou explorar mais elementos eletrônicos, porém conseguindo encaixar tudo de forma natural, sem se perder na fórmula, com sintetizadores que cumprem sua função, mas que deixam espaço para que os músicos entreguem performances sólidas e marcantes. 

O disco abre com “Angel Wings” com uma batida eletrônica e vocais limpos hipnotizadores que logo dão espaço para uma bateria pesada e carregada de groove. A guitarra e o baixo entregam riffs estrondosos enquanto o refrão carregado de melodia é feito para as grandes arenas e o breakdown próximo do fim é robusto e marcante. Aliás, um ponto que vale para todo o disco e para a banda no geral é como eles conseguiram criar hinos feitos para serem cantados por todos, sejam nos versos ou nos refrões poderosos que cada faixa possui, é impossível não fixar cada palavra na mente e cantarolar o dia todo cada uma delas. 

“Doom Loop” vem na sequência com ótimas linhas vocais, um ritmo hipnotizante e com uma ótima interação entre sintetizadores e guitarras mais agressivas. A faixa lida com a “tragédia do tempo” e já se mostrou um clássico sendo cantada pelo público em apresentações que circulam na internet. “Dark Heaven” se destaca com uma das melhores do disco com seu ritmo de rap, porém com um sintetizador que se alia a guitarra criando um riff que gruda na cabeça e serve de ponte para um dos melhores refrões que você ouvirá em muito tempo. A letra aborda como a religião foi criada para unir as pessoas, mas acaba sendo usada apenas para justificar atrocidades feitas pelo mundo, assim como algo mais pessoal e como sobreviver a um momento de dificuldade após perder a fé. O vocalista comentou sobre isso em entrevistas quando teve que lidar com a perda de alguém próximo em um momento onde havia abandonado a religião e como a música ajudou a colocar isso para fora.

“Mercy” traz o lado mais emotivo à tona com uma bateria pesada e com batidas explosivas aliada a uma guitarra mais direta e focada em riffs distorcidos e robustos. Os vocais apresentam partes mais gritadas e carregadas de dor e sofrimento com a letra traduzindo bem isso:

It’s not enough for you to save me now

‘Cause where was your hand when I was always screaming out?

“Sleepwalker” mantém a veia emotiva com um refrão grandioso que certamente levará muitos a lágrimas durante os shows. A bateria se destaca novamente com viradas excelentes e batidas fortes, e os vocais, mesmo com bastante efeito, ainda conseguem mostrar toda a capacidade do President de entregar ótimas linhas.

Encaminhando para o final, as três últimas faixas acabam se diferenciando das demais, trazendo alguns toques mais experimentais. “This Will Divide Us” serve como a “balada” do disco, mergulhando em vocais robóticos, um piano dramático, guitarras limpas e com alguns belos fraseados e até um saxofone, trazendo um respiro revigorante ao álbum. Infelizmente “Hate Figure” traz uma tentativa de uma postura impotente e agressiva que não convence muito, e a participação do músico Ando San acaba tirando a faixa um pouco do eixo do disco, assim como “White Devil”, que possui um piano que domina boa parte da faixa, fazendo-a soar deslocada. As partes mais pesadas e com entregas vocais mais emocionais no final compensam, mas ainda assim é apenas uma faísca em algo que poderia ser melhor.

Levando a resenha para um lado mais pessoal, este álbum se tornou um dos meus favoritos nos últimos dias, sendo um foco de audições repetidas, leituras de entrevistas e me aprofundando nas letras e no conceito. A banda lançou também uma apresentação ao vivo gravada no Rockfield Studio que mostra que a banda vai além de algo totalmente feito em estúdio e plastificada, conseguindo melhorar até “Destroy Me”, faixa que estava presente no EP.

Mesmo com esses pequenos deslizes, os momentos em que o President está no auge de sua força, seu magnetismo é impressionante. As canções certamente foram pensadas para serem gritadas e choradas, servindo como trilha sonora não só para a catarse de seu vocalista, mas também para qualquer momento onde seja necessário se emocionar, gritar ou liberar sua raiva.

A banda não apresenta a mesma música repetidamente, misturando gêneros e criando uma sonoridade própria. Eles se encaixam sim na sonoridade do Sleep Token e Bad Omens, mas estão conseguindo trilhar seu próprio caminho. Blood of Your Empire é sombrio, inquieto e atmosférico, uma fórmula que funciona, e esse talvez seja o maior trunfo do álbum.

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