Primal Fear – “Domination” (2025)
Reigning Phoenix Records
#PowerMetal #HeavyMetal
Para fãs de: Gamma Ray, Hammerfall, Brainstorm, Iron Savior
Texto por Johnny Z.
Nota: 8,5
O Primal Fear chega em 2025 com Domination, seu 15º álbum de estúdio, entregando um trabalho que não soa apenas como mais um capítulo de sua longa trajetória, mas como um verdadeiro marco de reafirmação após tempos sombrios, com mudanças drásticas de formação e a grave doença de Mat Sinner.
Desde os primeiros segundos de “The Hunter” — uma abertura intensa que combina atmosfera quase cinematográfica com riffs tipicamente heavy metal e bateria impiedosa — fica claro que a banda não veio para brincar, resgatando aquele peso característico das guitarras de seus álbuns clássicos. Vale lembrar que esse peso havia sido deixado de lado nos últimos cinco ou seis trabalhos, o que acabou afastando uma parcela significativa de fãs (incluindo eu). Não que fosse ruim, apenas uma abordagem mais épica e orquestrada do Heavy Metal, distinta daquilo que o Primal Fear fazia com maestria nos primórdios — e que me fez fã.
“The Hunter” traz esse peso de volta, lembrando o que ouvíamos em discos como Devil’s Ground (2004). Não é exatamente uma máquina de riffs, mas supera facilmente qualquer coisa feita desde momentos mais rifferísticos como “The End Is Near” e “Angels Of Mercy”, do Rulebreaker (2016).
Nos trabalhos mais recentes, algumas faixas até surgiam com essa pegada, mas o direcionamento geral parecia suavizar e até “gourmetizar” o som. E tudo bem — a arte precisa seguir o coração de seus criadores. Respeito máximo a Ralf (talentosíssimo e um sujeito fora da curva de tão gente boa), Mat e seus parceiros. Mas também temos o direito de sentir falta de outra faceta da banda (risos).
O novo álbum surpreende já na sequência com “Destroyer”, que entrega peso e agressividade, remetendo a um híbrido de Accept, HammerFall e Judas Priest da fase Tim “Ripper” Owens. “Far Away” segue a mesma linha, mas com maior melodia e harmonias vocais — e que espetáculo continua sendo Ralf Scheepers, que impressiona por manter a voz intacta após tantos anos. Ele não só alcança notas absurdas, mas transmite sentimento com intensidade. Já “I Am The Primal Fear” mantém a fórmula vencedora, com um refrão contagiante que poderia facilmente embalar a trilha sonora de um bom filme de ação ou suspense.
É nítida em Domination uma vitalidade surpreendente para um grupo tão consolidado, como se a banda estivesse se reapresentando ao mundo com sangue nos olhos. A nova dupla de guitarristas, Magnus Karlsson e a novata Thalìa Bellazecca, dá conta do recado — com destaque para Thalìa, que brilha nos solos com personalidade e virtuosismo. O novo baterista, André Hilgers (Sinner, Rage), mostra precisão e força, mantendo tudo nos trilhos.
“Tears Of Fire” desacelera o ritmo, com Ralf comandando a faixa sobre melodias de guitarras que remetem ao Hard Rock. Não é arrebatadora, mas tampouco passa despercebida. É uma música que cumpre bem seu papel, sustentada pela voz marcante de Scheepers.
Ainda há momentos mais radiofônicos? Sim, mas em menor quantidade do que nos álbuns anteriores. Isso sinaliza uma guinada positiva, já que o som açucarado não parecia mais ter espaço (pelo menos para mim, risos). O que se percebe é uma maior preocupação em reconectar-se com fãs que estavam, digamos, em “coma profundo” nos últimos anos.
Então chega “Heroes And Gods”, e o pau volta a comer! Uma verdadeira pancada, cheia do peso que fãs de Judas Priest e Accept vão reconhecer e adorar. Com refrão épico e emocionante, é daqueles momentos que arrepiam já na primeira audição. Ao vivo, promete ser devastadora.
O grande trunfo de Domination é o equilíbrio entre peso e emoção. “Hallucinations” comprova isso: uma instrumental melódica, com ecos de Satriani e Vai, impecável para os amantes das seis cordas. Um verdadeiro ‘colírio’ para os ouvidos (risos).
O clima épico se intensifica com a semi-balada “Eden”, que remete ao espírito de Seven Seals (2005). Cadenciada e grandiosa, conta com a participação especial de Melissa Bonny (Ad Infinitum) e se destaca como um ponto alto, mostrando que o metal pode soar épico sem perder intensidade, mas também sem medo de ser belo.
Depois desse respiro, “Scream” retoma a agressividade, em mais um momento de clara influência do Judas Priest. A nova formação trouxe vida nova ao Primal Fear, rompendo com a estagnação que parecia dominar os últimos trabalhos.
A entrada de Thalìa Bellazecca trouxe frescor e ousadia, enquanto Magnus Karlsson reassume seu posto no núcleo criativo, lado a lado com Mat Sinner e Scheepers, garantindo que o DNA da banda permaneça intacto. Admito que nunca fui fã do estilo de Karlsson, mas aqui ele me convenceu de vez.
A reta final mantém o impacto: “The Death Don’t Die” equilibra cadência pesada com toques de Hard Rock à la Sinner, enquanto “Crossfire” é pura agressividade, lembrando muito os tempos de Jaws Of Death (1999) e Nuclear Fire (2000). “March Boy March” vem como uma avalanche sonora, cheia de riffs galopantes e bateria desenfreada, lembrando Accept e Judas Priest em sua forma mais destruidora. E o encerramento, “A Tune I Won’t Forget”, é surpreendente: piano, cordas e uma performance emocionante de Ralf, revelando um lado totalmente diferente e igualmente impactante da banda.
Produzido por Mat Sinner, co-produzido por Scheepers e Karlsson, e mixado por Jacob Hansen, Domination soa cristalino, imponente e poderoso. A capa, sombria e dramática, reflete exatamente a energia do álbum.
No fim, Domination é um trabalho de peso, emoção e maturidade. Precisei de algumas audições (inclusive em um fone de ouvido decente) para captar todas as camadas, mas foi recompensador. O Primal Fear não se acomodou em sua história: voltou com os dois pés no peito, amadurecendo como compositores, mas sem abrir mão do DNA que os consagrou no fim dos anos 90 (ainda bem).
Um álbum que dialoga com o passado, mas aponta para o futuro. Prova de que, mesmo após décadas de estrada, o Primal Fear ainda tem muito fogo queimando dentro de si. Que grande surpresa esse novo álbum, e tenho que ser correto: eu paguei a minha língua (mais próximos entenderão) (risos).

