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Primordial Black – “Dark Matter Manifesto” (2025)

Primordial Black – “Dark Matter Manifesto” (2025)

Darkside Records
#BlackenedDeathMetal

Para fãs de: Celtic Frost, Mgla, Rotting Christ, Sepultura

Texto por Thiago Loureiro

Nota: 10

Primordial Black é uma banda tunisiana de Blackened Death Metal, fundada em 2022. Em 2 de maio de 2025, a banda lançou seu primeiro álbum completo, intitulado Dark Matter Manifesto, sob o selo Darkside Records.

No momento em que o ouvinte aperta o play, é recebido pela introdução assombrosamente breve de “Profondo Nero”, que define o tom para a faixa subsequente, “Mater Lacrimarum”, bem como para as outras cinco composições que seguem.

Ao mergulhar no universo do Primordial Black e em seu Dark Matter Manifesto, o ouvinte embarca em uma odisseia de sete faixas com trinta minutos de duração, que entrelaça de forma eficiente o black e o death metal ferozes com paisagens sonoras etéreas e hipnotizantes. O álbum é inspirado por gigantes da literatura como H.P. Lovecraft, John Milton, Clive Barker e John Dee, ao mesmo tempo em que ecoa influências de bandas como Celtic Frost, Mgła, Rotting Christ e Sepultura.

O Dark Matter Manifesto transmite uma profunda exploração da escuridão e de temas existenciais, com o objetivo de criar um “ambiente sombrio, desconcertante, hipnótico e viciante”. O nome da banda reflete essa visão, representando a essência primordial da escuridão. As letras exploram temas como morte, história, literatura e horrores sobrenaturais, utilizando uma gama diversificada de influências para moldar um som singular. Essa identidade é marcada por uma fusão de elementos atmosféricos com uma instrumentação pesada, que juntos constroem uma paisagem sonora capaz de levar o ouvinte a confrontar seus medos e curiosidades mais profundos.

Conforme o ouvinte percorre as melodias assombrosas e ritmos intrincados, é transportado para um mundo onde as fronteiras entre realidade e desconhecido se confundem, desafiando percepções e despertando profunda introspecção. Dark Matter Manifesto é um fruto sombrio da arte, com composições e arranjos minuciosamente elaborados – tanto nos aspectos instrumentais quanto nos vocais – entregues com precisão por esta entidade diabólica. A produção é impecável, capturando cada nota, acorde, atmosfera e respiração com meticulosidade. Contudo, para além da técnica e da qualidade sonora, a jornada e a visão do Primordial Black são amplificadas por colaborações que expandem ainda mais esse universo.

Yasser Mahammedi-Bouzina, o visionário por trás da banda, é responsável pela guitarra base, vocais e sintetizadores. Ele se dedica a criar “frases melódicas gélidas e letais” — padrões diretos e contagiantes que formam a espinha dorsal da música. Já o guitarrista e baixista Walid Chaaben apresenta um estilo singular, inspirado no black metal polonês, com elementos dissonantes e melódicos que enriquecem o som hipnótico da banda. Suas linhas de baixo fornecem uma base robusta que sustenta os arranjos complexos de guitarra e aprofundam a experiência auditiva.

A bateria de Selim Bouladi é um destaque à parte, combinando precisão técnica com influências do thrash metal e elementos tribais. Seu estilo dinâmico e orgânico infunde uma energia crua à música. Os sintetizadores e a programação, a cargo de Yasser, são cruciais para a atmosfera experimental da banda. Esses elementos não têm uma função industrial ou eletrônica dominante, mas são usados para criar ambientes perturbadores e hipnóticos que complementam as letras voltadas ao medo existencial, misticismo histórico e horrores sobrenaturais.

Os vocais de Yasser são caracterizados por um timbre profundo e cavernoso, perfeitamente alinhado à estética sombria e opressiva da banda.

A jornada do Primordial Black é ainda enriquecida pela presença de convidados especiais que somam camadas à obra. A quarta faixa, “Sowing Discord”, conta com a participação formidável de Athanasios “Sakis” Tolis, vocalista do Rotting Christ — uma colaboração de peso. A faixa final apresenta Maxime Taccardi (também responsável pela arte do álbum), artista renomado por suas criações com sangue real e envolvimento em projetos de black metal e vanguarda como KFR, Osculum Serpentis, Saturnian Tempel e Kyuketsuki.

No geral, este não é um mero álbum — é uma oferenda. Uma ferida aberta ao vazio. Um ritual nascido do medo, do desejo e da rebeldia. O que se ouve aqui não são simplesmente canções, mas ecos, fragmentos de algo antigo. Falamos em línguas forjadas pelo isolamento, assombradas pela intrusão, atraídas pelo poço gravitacional da morte e da loucura que apodrece além do véu.

Para mim, este álbum é uma combinação cativante de vibrações old-school, atmosferas sombrias, elementos melódicos e um toque moderno. Uma jornada de trinta minutos repleta de êxtase sombrio e vontade de bater cabeça. A composição é rica e detalhada, com vocais potentes que realmente impactam. As participações especiais, especialmente de dois artistas que admiro, elevam a experiência. Se você é fã de Rotting Christ, este lançamento certamente vai ressoar com você. A presença de Sakis Tolis é uma verdadeira joia. Cada faixa é intensa, mas ao chegar à quarta música, parece que estamos imersos na essência do Rotting Christ, apenas para emergir transformados com a quinta. É como se experimentássemos duas bandas em uma — essa é a minha impressão, embora a sua possa ser diferente.

Como curiosidade, a arte da capa é baseada em uma famosa gravura de Gustave Doré, artista francês do século XIX conhecido por suas ilustrações dramáticas e detalhadas de clássicos da literatura. Esta imagem específica foi retirada de suas ilustrações para o Inferno, de Dante Alighieri (parte de A Divina Comédia).

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