Psycho-Frame – “Salvation Laughs in The Face of Grieving Mother” (2025)
SharpTone Records
#Deathcore
Para fãs de: To The Grave, Crown Magnetar, Signs of The Swarm
Texto por Lucas David
Nota: 10
O Deathcore vive um verdadeiro boom de lançamentos nos últimos anos. Todos os dias surgem novidades, sejam de bandas emergentes ou de veteranos do gênero. Entretanto, em meio a tanta produção, nem tudo alcança qualidade memorável. Mas, vez ou outra, aparece um grupo vindo das profundezas do underground que muda o jogo. É exatamente o caso do Psycho-Frame.
Com dois EPs e inúmeros singles, a banda conseguiu uma ascensão meteórica, saltando do submundo para o mainstream do Deathcore. Agora, com o primeiro full-length, chega pronta para devastar tudo em seu caminho.
“Salvation Laughs in The Face of a Grieving Mother” já chama atenção pelo título impactante e pela capa grotesca, elementos que o grupo já havia explorado em seus trabalhos anteriores. A abertura, “Blueprints for Idol Genocide”, começa com um sample de Resident Evil 7 (se você jogou, reconheceu a voz de Jack Baker de imediato) e explode em uma enxurrada de blast beats, riffs avassaladores e os vocais alternados de Michael Sugars e Colter Adams, entre rasgados e guturais. O breakdown insano, recheado de pig squeals monstruosos, é de tirar o fôlego.
“Inverted Spear of Heaven” mantém a violência com guitarras ainda mais pesadas, bateria punitiva e vocais grotescos. A influência Hardcore que surge em alguns trechos atiça o instinto de mosh instantaneamente. Já em faixas como “The Portal” e “Still Walter Salvation”, a banda revela um lado mais técnico. Aqui, Jordan Crain e Hunter Young brilham nas guitarras enquanto o baterista Leo McClain mostra como unir brutalidade e técnica em um só golpe.
“Black_Wave II” desponta como o grande destaque do álbum: agressiva, sufocante e insana, é daquelas faixas que fazem o ouvinte perder o ar. Os vocais soam demoníacos e o breakdown é simplesmente devastador. Em seguida, “I Won’t Be There to Watch You Go” chega acelerada, com guitarras sujas, bateria marcante e energia de sobra para transformar qualquer show em caos absoluto.
O Deathcore moderno muitas vezes cai na obsessão por vocais exagerados, numa corrida para ver quem consegue soar mais como um porco ou como um vaso sanitário entupido. O diferencial do Psycho-Frame é que Adams (Serration, Killing of a Sacred Deer) e Sugars (Church Tongue, ex-Vatican) não competem com ninguém: eles pertencem a uma categoria própria. Seus agudos estridentes e graves abissais, combinados à sonoridade da banda e à produção, resultam em algo que redefine o gênero.
“Salvation Laughs in The Face of a Grieving Mother” é um disco repulsivo, violento e devastador. Ao mesclar a brutalidade do Hardcore e do Death Metal com uma identidade única, o Psycho-Frame entrega uma obra que certamente ficará marcada como referência no estilo. Uma verdadeira paisagem sonora infernal, de guitarras cortantes e batidas ensurdecedoras – o mais próximo de uma representação sonora do apocalipse que o Deathcore já nos deu.

