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Revolution Saints – “Light in the Dark” (2017)


Revolution Saints
 – “Light in the Dark” (2017)

Frontiers Music
#HardRock#MelodicRock#AOR

Para fãs de: JourneyNight RangerWhitesnake/David Coverdale

Nota: 8,5

Sempre que a formação de um supergrupo é anunciada, os agourentos se levantam do túmulo para dizer que será “um disco só e olhe lá”. Foi assim com o Chickenfoot — que já está trabalhando em seu terceiro álbum, já um dos lançamentos mais aguardados de 2018 — e também com o Revolution Saints. Passados dois anos da estreia que umedeceu a calcinha das viúvas do Journey fase Steve Perry, Jack Blades, Doug Aldrich e Deen Castronovo voltam para mais uma dose. E é claro que eu tô a fim.

Contrariando as expectativas por um álbum ainda mais AOR no quesito glicose, em “Light in the Dark” o trio oferece canções que são pura festa, além de até mesmo momentos em que o flerte com o metal é mais explícito que com o hard anos 80 que a priori é o fio condutor musical da banda, onde as raízes estão fincadas: Night Ranger, Damn Yankees, Bad English, Hardline, Lion, Bad Moon Rising. Como podem ver, o passado de Blades, Aldrich e Castronovo não os condena nem um pouco.

A faixa título dá partida no motor com Aldrich fazendo justiça ao posto de guitarrista loirão fodão do hard rock que tomou de John Sykes. Apesar de não saber o que são férias — Doug é um workaholic a la Jeff Scott Soto —, o cara não se permite a repetição, reinventando-se a cada novo riff e solo, mas sempre com a timbragem monstruosa resultante da combinação Gibson/Marshall. E imagine só a cara daqueles que torceram o nariz para Serafino Perugino quando o chefão da Frontiers sugeriu que Castronovo fosse o lead singer do projeto ao perceberem que o cara canta — e como canta! — sem deixar a pete… ops, as baquetas caírem.

Em “Freedom”, a afinação dos instrumentos é abaixada com fins de peso e uma bem-forrada cama de teclados transforma a canção num híbrido de metal e melodic rock. “Ride On” traz a condução furiosa típica de Castronovo e é vitrine para a harmonia vocal com Blades cujo resultado soa como Steve Perry interpretando uma mais acelerada do Deep Purple. A inevitável balada vem na forma da chatérrima “I Wouldn’t Change a Thing”. Eu mudaria. No meu governo, nunca que essa sofrência de seis minutos entraria num disco desses. Bonus track e olhe lá!

A segunda metade começa com “Don’t Surrender”, que é forte candidata ao lugar mais alto do pódio por motivos de perfeição em todos os sentidos. “Take You Down” preenche a cota de canções motivacionais para aquela corrida na esteira enquanto “Can’t Run Away from Love” embaça a dieta acrescentando toneladas de açúcar ao play. Mais uma balada, mais uns bocejos. Apesar de Journey e Bad English terem nos proporcionado baladas do tipo que falam direto ao coração, o Revolution Saints simplesmente não consegue acertar nesse ponto. A pedrada “Another Chance” e a “AOR do século XXI” “Falling Apart” decretam o fim de papo apostando em refrões que são um grude só.

Se havia dúvidas quanto à seriedade do Revolution Saints enquanto banda, “Light in the Dark” é bem capaz de dissipar todas. Até turnê os caras já fazem — e as faixas ao vivo exclusivas da edição deluxe do álbum mostram que se trata de um show imperdível. E impecável.

Marcelo Vieira

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