Riot V – Manifesto Bar, São Paulo/SP (12/07/2026)
Produção: Open The Road / Manifesto Rock Bar
Assessoria: LP Metal Press
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Alessandra Rosato
Quase dois anos após sua última passagem pelo nosso país, e em sua segunda visita por aqui, o Riot V retornou ao Brasil. Clássico grupo norte-americano de Heavy Metal e um dos pioneiros e mais influentes nomes do Power Metal da forma como entendemos o estilo hoje, a banda trouxe a turnê comemorativa de seus 50 anos de existência. Com produção da Open The Road em parceria com o Manifesto, o show realizado em São Paulo, no último domingo (12), foi o segundo da turnê latino-americana, que ainda passou por Curitiba no dia anterior (11).
Para falar da apresentação do Riot V, é preciso inserir um pouco de contexto. A banda teve inúmeras formações ao longo de sua carreira, sendo que a baixa mais impactante foi o falecimento do guitarrista Mark Reale, único e último membro original, em 2012. De lá para cá, a existência do grupo passou a ser guiada pelo baixista Don Van Stavern (que gravou o disco mais importante da banda, Thundersteel, de 1988). Curiosamente, ele mesmo permaneceu na banda apenas até o início dos anos 1990, retornando quando o grupo saiu de um hiato, em 2008, com boa parte da formação do clássico álbum, ao lado do guitarrista Mike Flyntz, segundo membro mais longevo da história da banda, presente desde 1989 até hoje. O nome atual da banda, Riot V, leva o “V” porque Todd Michael Hall foi o quinto vocalista principal do grupo quando retornaram, em 2013. Porém, ele deixou a banda este ano, sendo substituído pelo novato italiano Valentino Francavilla, o que, teoricamente, transforma a banda em um “Riot VI”. Eu sei… é uma bagunça. Agora sim, vamos ao show!
Inicialmente marcada para abrir a casa às 18h, a programação acabou sofrendo atraso, e o Manifesto abriu as portas apenas às 19h. Com isso, o show teve início às 21h10. Abrindo a apresentação com a instrumental “Narita”, faixa-título do segundo disco da banda, lançado em 1979, assim que Valentino Francavilla assumiu seu posto, eles entraram com tudo em “Fight or Fall”, clássico de Thundersteel (1988), álbum que dominou a maior parte do setlist. Inclusive, musicalmente falando, esse disco se tornou uma verdadeira régua para a sonoridade do Riot V após o retorno em 2008. Como Todd Michael Hall conseguia emular perfeitamente o estilo do clássico vocalista Tony Moore, interpretar tanto as faixas de Thundersteel quanto as dos discos mais recentes seria o verdadeiro teste de fogo para o vocalista italiano. E “Hail to the Warriors”, do mais recente Mean Streets (2024), mostrou do que ele realmente era capaz, com um timbre muito próximo ao registrado em estúdio. Resgatando material mais antigo, tocaram “Road Racin'”, uma das faixas mais divertidas de Narita, e vê-la sendo executada ao vivo me fez arrepender de ter vendido meu vinil do álbum anos atrás, com aquela capa tenebrosa e desencorajadora de ouvir (quem sabe, sabe! Risos).
E há de se destacar o carisma da atual formação ao vivo. Era notável como os caras estavam confortáveis e felizes tocando, fazendo diversas brincadeiras com o público, sorrindo o tempo todo. O que mais impressionou o vocalista estreante foi a reação do público brasileiro. Afinal, essa foi sua primeira vinda ao nosso país e, obviamente, aqui é um outro nível de plateia para Heavy Metal, que cantou praticamente todas as músicas.
Fazendo um comparativo com o show de 2024, tirando “Narita” na abertura, o setlist foi exatamente o mesmo daquele ano. Na verdade, o de 2024 foi maior e, mesmo com Doug dizendo, em entrevista recente, que a banda resgataria algumas faixas diferentes, a única música que não rolou na primeira apresentação foi “Altar of the King” (Fire Down Under, 1981). A partir daqui, e com Doug empunhando uma garrafa de tequila enquanto agradecia a presença do público brasileiro, o set seguiu alternando momentos mais recentes da fase pós-retorno, como as poderosas “Victory”, “Feel the Fire” e “Take Me Back”, além, é claro, dos clássicos incontestáveis de Thundersteel, como “Johnny’s Back”, “Flight of the Warrior” e “Bloodstreets”. Esta última foi uma das mais cantadas da noite, muito por conta do clássico videoclipe que ajudou a projetar a banda no fim dos anos 1980.
E aí veio o ápice do show para mim, com “Sign of the Crimson Storm”, música que me apresentou ao som do Riot V e na qual tive a certeza de que Valentino Francavilla realmente foi a melhor escolha para a banda seguir em frente, pois o que ele interpretou ali foi simplesmente soberbo. Finalizando a primeira parte do set com a clássica “Warrior”, do álbum Rock City (1977), e com o maior hino da banda, “Thundersteel”, dedicada a Mark Reale e aos outros integrantes que também faleceram ao longo dos anos, a banda saiu de cena, com Doug passando sua garrafa de tequila para vários presentes, permitindo que todos brindassem aquele momento junto com eles.
Retornando ao palco para o bis, finalmente toda a situação envolvendo a tequila fez sentido, com a banda executando a eterna “Swords and Tequila” e encerrando definitivamente a noite com “On Your Knees” (The Privilege of Power, 1990), fechando um set de aproximadamente 90 minutos com a mesma energia com que começou.
Mesmo sendo um grupo com uma carreira tão longeva, o Riot V ainda é uma banda subestimada dentro do cenário do Heavy Metal. Porém, sua importância e influência na evolução do estilo são inegáveis, mesmo sem ter alcançado o sucesso comercial que merecia. Ainda assim, o simples fato de continuarem gravando discos cada vez melhores, mesmo após 50 anos de estrada, e entregando apresentações tão poderosas quanto a desta noite mostra que a banda ainda tem muita lenha para queimar. E o novo vocalista cumpriu muito bem o seu papel, mostrando que o futuro do Riot V segue firme e forte, assim como aconteceu quando decidiram dar continuidade ao legado de Mark Reale após sua morte.
Vida longa ao Riot V!

