
River of Souls – “Usurper” (2020)
Independente
#DeathDoomMetal, #DoomMetal
Para fãs de: Eternal Candle, De Profundis (antigo), Silvered, The Fateful Hour, Despondent Chants
Nota: 9,0
O panorama Doom Metal do Reino dos Países Baixos talvez não seja ou não esteja entre as mais conhecidas, mas isso não implica em qualidade, tão pouco torna a mesma menos reverenciada. Na face do passado, alguns nomes ainda ativos continuam a lançar trabalhos de altíssimo nível. O Officium Triste é um exemplo, seu trabalho mais recente “The Death Of Gaia” é uma antiga fragrância sobre estes tempos modernos – a paixão dos anos 90 na atualidade dos ambientes repetitivos. Ainda no campo da memória, é válido mencionar outros gigantes como o Delirium, Sempiternal Deathreign, Phlebotomized, Beyond Belief, Celestial Season, Castle, Whispering Gallery e o eterno mutante, The Gathering. Embora pequena, a lista é substancial, devo dizer.
O River Of Souls integra junto ao Façade, Beyond Our Ruins e Graceless, uma nova geração de bandas que representam o gênero. Em 2017 despontaram com o excelente “The Well Of Urd” – disco que trazia em si um “blend” de Death e Doom Metal com inteligentes incursões de Progressivo e Melodic Death. Em 2018 foi a vez do Ep “The Nihilist” e em 2019, o single que foi lançado de forma digital, “Prometheus Unbound”.
“Usurper” seu segundo álbum devidamente “cheio” é um tanto diferente dos primeiros materiais, com uma produção limpa e sólida e composições sofisticadas, bem definidas. A veia progressiva surge em todo seu decorrer, mas sem pretensões musicais onanistas, e sim, como um complemento, um atrativo a mais nas músicas.
Enquanto “Of Pit And Snare” e “Fateweaver” apostam na dinâmica e no peso do Death Metal, sendo faixas mais compactas e com riffs mais a frente; “At Rope’s End” e “A Spirit’s Weight” trazem o equilíbrio entre o Doom e o Melodic Death, a primeira com trechos de transição impecáveis – atentem-se dos 02:10 até os 03:05 de “At Rope’s End” e percebam que belíssima transição entre melodias utópicas e o peso profundo do Doom Metal.
“Usurper”, faixa, entra no hall das que mesclam Prog e Doom, mas sem perder a tônica do álbum ou ainda destoar do mesmo – complexa e onírica e detentora de momentos de pura brutalidade e passagens mais sutis e jazzisticas, criando pontes harmônicas onde todos os instrumentos ficam sob os holofotes a seu tempo, sendo a primeira faixa longa do disco e uma das melhores do mesmo. A segunda faixa extensa é, “The Tightening”, que segue, em aspectos a mesma estrutura de “Usurper” – intrincada quando deve ser e atmosférica quando necessário, sem jamais perder a coerência entre o sentimento que a obra passa e a moldura que a adorna, num equilíbrio de luz criativa e sombras típicas de um trabalho que tem o Doom como seu sobrenome.
Um grande álbum, repleto de adjetivos e camadas. O River Of Souls entregou um material de alto grau de inspiração e inteligência – completo e denso, temos nele uma banda ciente de suas capacidades e ciente sobre o que quer criar e como criar, não indicado aos fãs de cópias que copiam-se entre si, indicadíssimo aos aficionados por belas e elaboradas melodias.
Fábio Miloch