Ícone do site METAL NA LATA

Rivers of Nihil – “Where Owls Know My Name” (2018)


Rivers of Nihil
 
“Where Owls Know My Name” (2018)

Metal Blade Records
#MelodicDeathMetal#ProgressiveMetal

Para fãs de: PersefoneMeshuggah

Nota: 7,5

O famoso estudioso da história da arte Ernst Gombrich disse certa vez que, diferente do que acontece com as ciências, a ideia de progresso ou vanguarda não existe na arte: “o que vale é a obra encantar e provocar admiração, ou não”. A jovem banda norte-americana Rivers of Nihil, porém, resolveu desafiar essa teoria: incorporou elementos progressivos, riffs pesadíssimos no estilo djent, solos de saxofone, blast beat e ambientações sinistras. A vanguarda aqui é tão gritante que negar a evolução da banda seria desonestidade, a despeito de qualquer teoria que possa existir.

O disco “Where Owls Know My Name” foge da estética mais presa do Technical Death Metal e abre caminhos para músicas lentas onde o vocal de Adam Biggs pode brilhar fora do gutural. O músico também é o baixista da banda e é bastante exigido em diversas músicas, fugindo do estereótipo de mero acompanhador de riffs de guitarra. Começando as faixas, “The Silent Life” entra com o pé na porta emendando blast beats e viradas frenéticas do baterista Jared Klein. A influência de Meshuggah e Gojira é evidente na timbragem djent da guitarra e do baixo.

Um fato interessante é que a banda não tem tecladista em sua formação, algo no mínimo curioso já que o disco abusa de passagens com cordas e até timbres de órgão, como no caso da belíssima e de nome curioso “Subtle Change (Including the Forest of Transition and Dissatisfaction Dance)”. Outro destaque é a música “Terrestria III” que é totalmente instrumental e nos apresenta uma ambientação western meio cowboy misturado com algo pós-apocalíptico meio Mad Max.

Um ponto fora da curva é a bateria de Jared que, apesar de bastante técnica, soa um pouco forçada principalmente nas passagens lentas onde a mão pesou demais e a coisa toda soou um pouco forçada. Voltando ao disco, “Death is Real” é uma das melhores, contando com um riff de guitarra super criativo.

Em seguida, a faixa que dá nome ao disco quebra o protocolo começando com guitarras limpas e a voz de Adam entoando uma melodia bem bacana. Se o ponto alto foi essa incorporação de timbres e estilos (como o uso do sax em diversos solos) o ponto baixo ficou com as melodias pobres que contribuíram para tornas as músicas um pouco mais esquecíveis.

Se é uma evolução ou não, só o tempo dirá, mas o Rivers of Nihil com certeza soube surfar na onda da modernidade, apontando para um repertório musical rico e alinhado às grandes tendências do metal internacional. Afinal, para quem encanta e provoca admiração, a evolução é só um detalhe.

Gustavo Maiato

Sair da versão mobile