Rob Zombie – “The Great Satan” (2026)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#Metal #IndustrialMetal #GrooveMetal #HeavyRock
Para fãs de: Rammstein, Marilyn Manson, Ozzy Osbourne
Texto por Lucas David
Nota: 10
É difícil imaginar o metal como conhecemos hoje — principalmente em sua vertente industrial e alternativa — sem a influência de Rob Zombie e o sucesso do White Zombie nos anos 90. A banda trouxe groove, samples e os vocais característicos de Zombie, além do peso no baixo de Blasko e das guitarras de Riggs, formando uma combinação que duraria alguns anos antes de cada integrante seguir um caminho diferente. Agora, o trio está reunido novamente, ao lado do baterista Ginger Fish, trazendo o frescor que Zombie precisava para seu novo trabalho, The Great Satan, um de seus melhores discos em anos.
O novo álbum acerta em cheio onde o anterior — The Lunar Injection Kool Aid Eclipse Conspiracy (2021) — acabou desapontando. A falta de músicas marcantes e com presença deixou o disco fraco e facilmente esquecível. Já The Great Satan apresenta uma seleção de 15 faixas pegajosas, fortes e com os elementos que todos esperam do grupo, além de uma capa sinistra e um nome que chama a atenção de qualquer um (afinal, quem aqui não gosta de uma boa e velha provocação?).
Abrindo o álbum, temos “F.T.W. 84”, com um sample “chamando a atenção de todos”, que dá lugar a uma bateria explosiva acompanhada por um baixo pulsante e uma guitarra extremamente suja. Os vocais de Zombie estão melhores do que nunca, e a faixa ajuda a destacar isso, com ele dominando o refrão e invocando o ano descrito no título da música.
“Tarantula” traz uma pegada mais techno e industrial, com um riff fantasmagórico e mais um refrão grudento que faz você gritar “all hail Tarantula” junto com o vocalista.
“Black Rat Coffin” é uma das melhores do disco, com sua levada à la Rammstein e um riff de guitarra pesado e sujo que sustenta um refrão que novamente se destaca, claramente feito para ser cantado ao vivo. “Sir Lord Acid Wolfman” chega com um nome excelente (assim como a maioria das faixas do álbum), um groove cativante e vibrante e mais um refrão daqueles que ficam grudados na cabeça.
“Punks and Demons” retoma o ritmo industrial nas batidas marcantes da bateria, além de um peso absurdo da guitarra e do baixo. Os vocais recebem um efeito que acaba hipnotizando o ouvinte, que logo estará gritando “satan, satan…” pela casa toda.
Próximo do fim, temos “The Black Scorpion”, que — tirando os interlúdios — é a faixa mais rápida e curta do álbum. Sua levada thrash chega como um furacão que passa, destrói tudo e termina antes mesmo de percebermos. Já “Unclean Animals” segue na direção oposta, desacelerando e assumindo uma atmosfera mais “maliciosa”, nos moldes de Smashing Pumpkins e Marilyn Manson, principalmente pelos vocais de Zombie, que em alguns momentos lembram os vocalistas dessas bandas.
Em um trabalho como esse, é difícil citar apenas alguns exemplos, já que todas as faixas têm seu momento de destaque e fazem parte de um conjunto que não só leva o artista de volta às raízes de Hellbilly Deluxe (1998), mas também o coloca novamente no topo de seu jogo. The Great Satan tem tudo para se tornar um disco indispensável na carreira de Rob Zombie e certamente deve figurar nas listas de melhores do ano.

