Roland Grapow – Manifesto Bar, São Paulo/SP (14/06/2026)
Produção: TC7 Produções
Assessoria: LP Metal Press
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino
Pouco mais de dois anos após sua última passagem pelo nosso país, e em sua quinta visita por aqui, Roland Grapow retornou ao Brasil. O lendário guitarrista, que teve uma passagem marcante pelo Helloween e também lidera o excelente Masterplan, trouxe uma celebração aos 30 anos do clássico The Time of The Oath (1996), do Helloween, acompanhado por um time nacional de peso como banda de apoio. Com produção da TC7 Produções, o show realizado em São Paulo, no último domingo (14), contou ainda com a abertura da banda Here I Am.
Com a casa abrindo às 18h, o Here I Am subiu ao palco às 19h20. A ocasião foi especial para o grupo: no final do ano passado, a banda lançou seu ótimo álbum de estreia, Synergy, e aproveitou a apresentação para registrar um DVD ao vivo. Vale lembrar que os integrantes também atuam em um tributo a André Matos, mas decidiram investir em material autoral mantendo o nome que já utilizavam anteriormente. Embora relativamente conhecidos pelo tributo ao saudoso maestro, suas composições próprias ainda eram novidade para boa parte do público presente. A resposta, porém, foi extremamente positiva e crescia a cada música executada.
Apresentando um Heavy/Power Metal moderno e bastante consistente, a banda executou Synergy na íntegra, com destaques para “Gone Too Soon” e “Side By Side”. O show ainda contou com a participação especial de Felipe Andreoli, baixista do Angra, na faixa “Eternal”, além da presença do lendário guitarrista Edu Ardanuy. Juntos, executaram “Nothing to Say” e “Carry On” em homenagem à maior influência da banda. Após 55 minutos de apresentação, o Here I Am deixou uma excelente impressão e demonstrou ter um futuro promissor pela frente.


























Enfim, às 21h, Roland Grapow e sua banda subiram ao palco debulhando a clássica “We Burn”. Porém, logo de cara surgiu um problema que acabaria acompanhando toda a apresentação. Musicalmente, a banda estava afiadíssima, mas, com todo respeito ao vocalista João Luiz — de quem sou admirador pelo trabalho realizado no Golpe de Estado —, algumas músicas simplesmente não se encaixavam tão bem em sua voz. Além disso, ele utilizava constantemente uma tela no chão com as letras das músicas, consultando-a durante boa parte do show. Isso acabou quebrando um pouco a magia do “quem sabe faz ao vivo”, transmitindo em alguns momentos a sensação de um karaokê de luxo. Para completar, houve algumas entradas equivocadas em determinadas músicas, algo que também incomodou parte dos presentes.
Voltando ao repertório, a celebração de The Time of The Oath trouxe diversos momentos marcantes do clássico álbum alemão, incluindo “Steel Tormentor”, “A Million to One”, “Before The War” e a emocionante balada “Forever and One”. A maior surpresa ficou por conta de “Wake Up The Mountain”, terceira faixa do disco e uma música que o próprio Helloween não executa ao vivo desde 1998. Foi um dos pontos altos da noite e fez a alegria dos fãs mais saudosistas.
O show também foi marcado pelo enorme carisma do guitarrista alemão, que entre histórias, brincadeiras e interações com a plateia, foi ovacionado diversas vezes, demonstrando todo o carinho que possui pelo público brasileiro. Como sua passagem recente com o Masterplan ainda estava fresca na memória dos fãs, desta vez o foco foi totalmente dedicado à sua trajetória no Helloween.
Um segundo bloco do repertório foi reservado ao excelente e injustamente subestimado The Dark Ride (2000), trazendo pérolas como “Mr. Torture”, “The Departed” e a faixa-título, reforçando o quanto esse álbum ainda guarda grandes momentos. E falando em músicas esquecidas, também houve espaço para “The Chance”, clássico de Pink Bubbles Go Ape (1991), disco que marcou a entrada de Grapow no Helloween.
Para o bis, a banda convidou o excelente Leandro Caçoilo, atualmente vocalista do Viper, para interpretar dois clássicos eternos da era Michael Kiske: “Eagle Fly Free” e “I Want Out”. O encerramento, após cerca de 85 minutos, transformou o Manifesto Bar em uma verdadeira celebração do Power Metal.
Roland Grapow, além de ser um músico excepcional, mostrou mais uma vez ser uma pessoa extremamente acessível, atendendo literalmente todos os fãs presentes após o show. Agora, com o Masterplan vivendo uma nova fase, é mais do que justo que ele celebre seu período no Helloween, uma época de profundas mudanças para a banda e responsável por gerar diversos clássicos do gênero.
A noite de domingo foi marcada por nostalgia, felicidade e grandes canções. E, de quebra, serviu como um excelente aquecimento para o retorno do próprio Helloween ao Brasil em setembro (mas que Roland poderia estar nessa reunião, poderia, ou melhor, deveria!!!).


































